sexta-feira, 31 de maio de 2013
quinta-feira, 30 de maio de 2013
O INCRÍVEL CASO DO MAIOR LENHADOR DO MUNDO
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| Na foto, porto-alegrense aguarda o pôr-do-sol na nova orla do Guaíba |
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Na seção de classificados do tabloide, o anúncio pedia um lenhador. "Favor não se apresentar sem experiência", advertia o texto. Animado, Fortunati achou que a vaga estava no papo. Botou suas motosserras na caçamba e foi ao endereço indicado.
- Eu vim por causa do anúncio.
- Mas eu preciso de um lenhador, não de um poste - respondeu o anunciante.
- Mas, eu sou lenhador, senhor.
- Sei, sei...E tem experiência na função?
- Tenho, sim, senhor.
- Então, diga: já trabalhou onde?
- Na Floresta do Saara, senhor.
- Desculpe, não seria Deserto do Saara?
- Bem...isso é agora, né?
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Porto Alegre
segunda-feira, 27 de maio de 2013
CRIADOR DA REVISTA VEJA MORRE, MAS PASSA BEM
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| Enlutada, a Camorra midiática agradece as condolências |
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Para ler um necrológio curto e grosso, clique aqui.
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Roberto Civita
quarta-feira, 24 de abril de 2013
O PIG GAÚCHO ESCONDEU: CONSULTA PÚBLICA DO PLANO ESTADUAL DO LIVRO, LEITURA E LITERATURA
O PIG gaúcho não noticiou, mas, na ensolarada manhã de 23 de abril, Dia Mundial do Livro, a Secretaria de Estado da Cultura do RS lançou a consulta pública do Plano Estadual do Livro, Leitura e Literatura (PELLL).
Coordenado pelo Instituto Estadual do Livro, o PELLL é fruto do trabalho de uma comissão formada por representantes da área e do colegiado do setor livreiro, em parceria com a PUC-RS.
O texto-base do PELLL, de acordo com o Plano Nacional do Livro, é construído a partir de quatro eixos que estruturam as ações: EIXO 1 - Democratização do acesso; EIXO 2 - Fomento à leitura e à formação de mediadores; EIXO 3 - Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico; EIXO 4 - Desenvolvimento da economia do livro.
Muito bom, não é mesmo? Mas, antes da formatação final do Plano, está faltando a sua opinião, o seu pitaco. O que você quer para a área do livro, leitura e literatura nos próximos dez anos? Para ajudar a deixar o PELLL perfeito, basta enviar suas contribuições para melhorar ou mesmo alterar as ações previstas no Plano.
Clique aqui para conhecer o PELLL na íntegra. No final do texto, utilize o espaço em branco da janelinha e preencha-o com suas ideias e sugestões. Mas, ATENÇÃO: faça isso até o próximo dia 30.
No mesmo dia, o PIG gaúcho também escondeu que:
- será aberto um novo edital para Modernização de Bibliotecas, com 46 vagas destinadas a municípios com menos de 10 mil habitantes. Um investimento total de R$ 920 mil, sendo destinados R$ 20 mil para cada município contemplado. O projeto promove a modernização de espaços culturais dinâmicos de bibliotecas públicas, assegurando a organização de registros bibliográficos e democratizando o acesso ao livro, à leitura e à literatura para setores expressivos da comunidade do Rio Grande do Sul.
- também será lançado o edital para os Agentes de Leitura, com recursos de R$ 1,78 milhão, também por meio de convênio entre MinC e Sedac, que concede 220 bolsas de complementação de renda, no valor mensal unitário de R$ 350,00. Podem candidatar-se jovens e adultos, para atuar em suas comunidades na promoção da leitura, realizando rodas de leitura, saraus, contação de histórias e empréstimo de livros. Para tanto, cada Agente contará com formação específica, um acervo de 100 livros, bicicleta, uniforme, além de apoio e acompanhamento especializado permanente.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
AZENHA SOLTA O VERBO
Luiz Carlos Azenha: “Processos contra blogs são decisões políticas com o objetivo de intimidar”
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Ex-correspondente
da Rede Globo em Nova York, o jornalista Luiz Carlos Azenha mantém
há mais de 10 anos um dos blogs progressistas mais influentes do
Brasil. Recentemente condenado, em primeira instância, a pagar R$ 30
mil ao diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, por suposta
campanha difamatória na rede, Azenha anunciou o fim do Viomundo.
Em entrevista ao Sul21,
ele explica a atitude emocionada e diz que está batalhando para
alcançar recursos para manter-se ativo na blogosfera. Contrário a
ideia de receber verbas publicitárias dos governos, ele defende que
esta desvinculação permite a liberdade de conteúdo crítico.
“Porém, o Viomundo é um blog de esquerda, o que dificulta a
conquista de patrocinadores que queiram se relacionar com o nosso
conteúdo”, fala.
Desde
o resultado do processo judicial, há duas semanas, o jornalista Luiz
Carlos Azenha acabou movimentando uma campanha espontânea de
apoiadores contrários ao monopólio da comunicação no país.
Políticos e militantes utilizaram o caso para criticar a política
do governo Dilma que pouco avançou para um Marco Regulatório das
Comunicações. “A política do governo federal deveria estimular
em todos os campos a diversidade. Porque quando você estimula o a
diversidade, estimula o debate político, e encontra outros caminhos,
alternativas”, afirma o jornalista.
Segundo
ele, com o avanço da internet e da horizontalidade da informação
na rede, as grandes empresas veem o seu modelo de negócio ameaçado.
Este é o principal motivo pelo qual elas optariam pelo caminho da
judicialização a fim de calar as vozes dissidentes. “Se houvesse
opção em debater política, poderia ser exigido o direito de
resposta. O direito de resposta tem que existir na legislação
brasileira. Isto não é regulamentado porque não é bom para a
grande imprensa”, afirma.
Sul21
– Como está a tua vida agora, terá que pagar os R$ 30 mil do
processo judicial ou tem possibilidade de recorrer da decisão? Vai
mesmo fechar o blog Viomundo?
Luiz
Carlos Azenha - Eu
tomei uma atitude emocionada no final de semana em que saiu o
resultado do meu processo. Não vai acabar. Vamos tentar financiar o
blog de outra forma. Como não aceitamos apoio de empresas públicas,
estatais ou governos, nosso nicho de patrocínio em potencial é o
Google e as empresas privadas. Porém, o Viomundo é um blog de
esquerda, o que dificulta a conquista de patrocinadores que queiram
se relacionar com o nosso conteúdo. Criticamos todo mundo. Já
criticamos os governadores Tarso Genro (RS) e Jaques Wagner (BA) em
razão da greve dos professores. Já criticamos o governador Eduardo
Campos (PE) por ter um monte de parentes no governo. Os leilões do
petróleo do governo Dilma também. Já criticamos o governo Lula
pela demissão do ex-diretor geral da Polícia Federal durante a
Operação Satiagraha. Então, é muito difícil eu conseguir um
patrocínio do banco Itaú, por exemplo, se eu coloco na capa do blog
o Requião [o senador Roberto Requião] dizendo que o Itaú paga as
viagens do Fernando Henrique para falar mal do Brasil. Mas eu não
abro mão de denunciar isso. O que dificulta a nossa própria
sobrevivência. Sem falar dos altos custos com advogados. Eu, um
assalariado, tendo que gastar R$ 60 mil para pagar um bom advogado
para me defender das denúncias que faço é outra dificuldade. Eu
faço meu blog de dentro da minha casa. Eu tenho uma rede de
colaboradores interessados em fazer comunicação de forma
independente. Mas não temos assessoria jurídica. Eu sou pessoa
física. O dinheiro do meu salário e o banner do Google é que
sustentam o blog, o que não dá renda para cobrir os custos. Para
avançar, temos que ter financiamento alternativo. Vamos tentar
financiamento junto aos leitores. Buscar parcerias.
Sul21
– Como é passar de ex-funcionário a processado pela Rede Globo?
Luiz
Carlos Azenha -
Eu fui empregado deles durante muitos anos. Comecei minha carreira na
Rede Globo e não faz diferença para mim. Eu poderia ter sido
processado por qualquer outra emissora. Não tem ‘sensação’ em
relação a isso. Ocorreram fatos e existiu uma disputa judicial
porque o diretor Ali Kamel acredita que foi difamado por uma série
de posts que eu fiz. Eram posts relacionados a um determinado momento
político que eu, como testemunha interna da Globo, observei. Assim
como há outras pessoas que trabalharam na emissora que também
observaram que a Globo não teve uma cobertura imparcial nas eleições
de 2006. Dentre eles Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Melo, Cecília
Negrão, Carlos Dorneles e muitos outros que eu não posso citar
porque continuam dentro da Globo.
Sul21
– A suposta campanha difamatória que tu fizeste contra o diretor
Ali Kamel teve relação com os
vídeos exibidos pelo Cloaca News? Qual foi o objeto da tua
acusação?
Luiz
Carlos Azenha - O
que eu acredito que fiz com ele (Ali Kamel) foram críticas políticas
relacionadas aquele momento político em que ele atuava, com certeza,
como chefe da Globo. Embora ele tenha dito no processo judicial —
pelo menos a juíza assim acreditou — que ele era submetido a um
Conselho Editorial. Quem está dentro da redação da Globo sabe que
as determinações eram sempre dadas por ele, seja direta ou
indiretamente.
Sul21
– Além de ti, outros ex-funcionários da Globo, como Rodrigo
Vianna e o Marco Aurélio Mello também foram processados pela
emissora.
Luiz
Carlos Azenha - Foram
cinco processos ao mesmo tempo. Além de mim, foram processados o
Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello, Luis Nassif e o Cloaca News. O
Paulo Henrique Amorim também foi processado, mas creio que por outro
motivo. Em todos os processos são citados o episódio da homonímia
entre ele e um ator pornô, que de fato existe porque há um filme
onde é creditado o nome Ali Kamel. Este vídeo foi divulgado pelo
Cloaca News, que é um blog satírico. A partir de então, passamos a
fazer piada com o fato adotando o termo ‘pornojornalismo’. Existe
até um livro que fala em ‘pornopolítica’, nós adotamos o
‘pornojornalimo’ de gozação, que é uma das características da
blogosfera. O Ali Kamel é uma figura importante dentro da Globo. Não
podemos dizer que ele não tem importância e por isso nós o
estávamos perseguindo. Quem é o meu blog, o Viomundo, para
perseguir um homem que tem um poder avassalador? Embora na sentença
ele (Ali Kamel) alegue que não seja o diretor da organização de
todas as associadas, é óbvio que uma pessoa com relação direta
com os patrões de uma grande empresa tem pelo menos poder de
influência. Dentro do quadro da Globo, a minha relação com Ali
Kamel foi uma relação de poder. Especialmente na editoria de
política. Tanto que, quando eu fui cobrir uma denúncia contra caixa
2 envolvendo o PT, em Brasília, todas as decisões partiam dele (Ali
Kamel) e eram repassadas a mim por uma mulher. Era uma preposta dele
que eu não vou dizer o nome. Eu sei, por ter visto de dentro, que
todas as questões políticas eram definidas por ele dentro da
redação. Os advogados dele também alegaram que eu fui demitido da
Globo e que por esta razão eu teria um acerto de contas para fazer
com ele. É mentira. Eu pedi rescisão do contrato antecipada em um
ano, abrindo mão de um dinheiro enorme que teria direito, em razão
das ações que estavam sendo tomadas ao longo de 2006. Eu considero
que houve assédio moral contra a minha pessoa quando um preposto do
Ali Kamel me procurou na redação com rádio na mão para que eu
assinasse um abaixo-assinado para cobertura da Globo nas eleições
de 2006. Isso é assédio moral. É o mesmo que o Palácio do
Planalto fazer um abaixo-assinado para que os ministros apoiem a
Dilma. Quem irá assinar contra? Eu não assinei o abaixo-assinado.
Eu não achei a cobertura das eleições de 2006 imparcial e disse
isso ao preposto, que hoje ocupa um cargo importante. Aliás, todos
os que assinaram o abaixo-assinado subiram de cargo. Meu argumento
foi o comentário do Arnaldo Jabor sobre o Lula ser parecido com o
ditador da Coreia do Norte (Kim Jong-il). Eu não considero que o
comentarista de uma emissora, quando faz uma comparação destas, sem
fazer um comentário sobre qualquer outro adversário equivalente,
está sendo imparcial. Ele (preposto de Ali Kamel) disse que não
contava considerar este exemplo porque ‘o Arnaldo Jabor é o nosso
clown’.
Eu acho que vale. As pessoas que estão em casa estão recebendo a
informação igual. Embora eu não tenha participado de reuniões
como meus ex-colegas da Globo de São Paulo que reclamaram
diretamente sobre a parcialidade da emissora, há muitos testemunhos
disso. Eu acabei sendo escalado a fazer uma reportagem que seria de
‘reparação’ a este quadro de imparcialidade que estava sendo
cobrado internamente. Seria uma matéria para esclarecer uma denúncia
atribuída ao governo Lula sobre esquema envolvendo ambulâncias. O
que se descobriu mais tarde é que esta máfia foi herdada do governo
Fernando Henrique Cardoso. Eu dizia no final da matéria que 70% das
ambulâncias distribuídas irregularmente foram distribuídas ainda
durante o governo FHC, quando José Serra era ministro da Saúde. Foi
uma matéria realizada com o esforço conjunto de colegas e fartos
recursos e nunca foi ao ar.
Sul21
– Existem fortes especulações de críticos à Rede Globo,
especialmente na blogosfera, de que há uma intimidação sistemática
para calar determinadas pessoas contrárias a esta orientação
política dentro da emissora.
Luiz
Carlos Azenha -
Eu entrei na Globo em 1980 quando ocorriam as greves do ABC. A Globo
optava em não cobrir estas greves, inclusive nós éramos cobrados
quando estávamos nas ruas. Existia uma orientação interna para não
cobrir as Diretas também, mas existia uma redação composta por
muitas pessoas de esquerda. Isso oxigenava um pouco a emissora. A
diferença entre esta Globo dos anos 80 e a Globo de 2006,
especialmente a do episódio do Mensalão (Ação Penal 470) para
frente, é que houve uma centralização no aquário de um comando
ideológico que não havia no passado. E digo que isso não acontece
comigo na Record, por exemplo. Eu escrevo e coloco no ar. Pode até
causar certa repercussão depois da veiculação. Um grupo de
profissionais revisa o conteúdo, mas nunca altera nada. Na Globo, o
texto ia e voltava totalmente diferente. Às vezes eu não sabia nem
quem tinha mexido. O controle ideológico passou a ser exercido, em
minha opinião, de forma muito maior na Globo de São Paulo. Quando
eu vim para SP, em 2006, cobri a minha primeira eleição
presidencial. Eu acompanhava o candidato Geraldo Alckmin. Eu vi as
coisas acontecerem bem de perto. O Rodrigo Mello e o Marco Aurélio
saíram de lá enxotados. A violência com que eles lidaram com os
profissionais eu não tinha visto em emissora nenhuma.
Sul21
– A blogosfera está crescendo e se consolidando. Existe uma tímida
redistribuição das verbas estatais que também contribui para isso.
Como tu avalias o conteúdo que é produzido pelos blogs?
Luiz
Carlos Azenha - Hoje,
a blogosfera tem muito de reprodução de conteúdo alheio. Não
concordo em você pegar um artigo da Folha de São Paulo, e aí eu
acho que a Folha tem razão de falar que não quer que reproduzam o
conteúdo dela, e apenas reproduzir como uma crítica. A Folha de SP,
assim como outros grandes veículos, também gasta pra produzir o
conteúdo. Eu acho que é uma coisa do passado ficar pegando conteúdo
dos outros e dizendo que fez determinada crítica com o conteúdo
alheio. Creio que chegou o momento em que os blogueiros têm que
produzir seu próprio conteúdo. É o que nós (Viomundo) estamos
tentando fazer, apesar de não termos dinheiro. Eu penso que temos
que fazer uso da colaboração espontânea de conteúdo na rede.
Colaboradores e articulistas nos enviam determinado conteúdo,
cientes de que têm no nosso blog um espaço para influenciar a
opinião pública também. Temos como dar retorno para eles. Enquanto
isso, batalhamos para conseguir uma fonte alternativa de recursos.
Sul21
– O senhor concorda com a ideia de um fundo de financiamento dos
custos para a mídia independente?
Luiz
Carlos Azenha –
Isso surgiu no 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas.
Seria um fundo para defender blogueiros do Brasil inteiro. Os
processados e os ameaçados de assassinato. Porque o campo de disputa
com a grande imprensa é desigual. E eles nos puxam para dentro do
campo jurídico, que é onde somos vulneráveis. É óbvio que o Ali
Kamel não quer discutir política comigo. Se ele discutir ele perde
porque sabe que eu vi as coisas acontecendo dentro da emissora, eu
tenho testemunhas. Ele não quer fazer disso em uma discussão
política. Eu tenho os artigos que ele escreveu levantando dúvidas
sobre o Bolsa Família, que hoje é um sucesso universal. Na
discussão política ele foi derrotado completamente. Então ele leva
para o campo da discussão judicial, onde ele é uma pessoa privada,
mas conta com o apoio da maior emissora da América Latina. E esta
judicialização não acontece só comigo. É um fenômeno que está
se propagando contra os formadores de opinião da rede. É a Globo,
os prefeitos e políticos em geral que vão para este campo. Tivemos
um blogueiro que foi assassinado em São Luís do Maranhão. Existem
situações em que você é, por não ter dinheiro, sufocado na
justiça. Diante da diferença de poder econômico, o poderoso
arrasta você pra dentro do campo em que ele tem vantagem. A
judicialização é uma decisão política que tem como objetivo
sufocar vozes dissidentes, os processos contra os blogs são decisões
políticas com o objetivo de intimidá-los. Se a intenção fosse
debater política, poderia ser exigido o direito de resposta. O
direito de resposta tem que existir na legislação brasileira. Isto
não é regulamentado porque não é bom para a grande imprensa.
Assim, ela faz o que bem entende e passa o rodo em cima de qualquer
um. Como fizeram como Genoino [José] que não teve direito de
resposta em um programa de televisão (CQC). Como não é lei, não
precisam dar o direito de resposta. Quem tem grande vantagem
financeira arrasta a disputa política para processos judiciais e
para asfixiar a blogosfera. Este é o processo que está em curso no
Brasil.
Sul21
– Qual a sua opinião sobre a importância do Marco Regulatório
das Comunicações na democratização da mídia?
Luiz
Carlos Azenha – Neste
debate tem um ponto central que distorce o discurso sobre os
blogueiros.
A
grande mídia
sempre
diz que “o governo está comprando os blogueiros”. Bom, eu não
tenho assunto com o governo. Eles se apegam a exemplos de blogueiros
mais bem-sucedidos e que estão vendendo espaço comercial, o que é
absolutamente legítimo. Entre eles o Luis Nassif e o Paulo Henrique
Amorim. Mas o que está acontecendo é que estão percebendo o valor
da internet. O jornal escrito é uma coisa estática que não permite
a interatividade. A blogosfera responde. E os artigos postados na
blogosfera, na rede, não são de publicação única, como os
jornais. Eles perduram e podem ressurgir em um link tempo mais tarde.
Ou seja, o produto da blogosfera é contínuo. Isso tem muito mais
valor do que o produto estático do jornal, que vai servir para
embrulhar o peixe depois. Existe uma diferença comercial muito
importante que está sendo percebida pelos governos, pela iniciativa
privada e isto gera uma ameaça muito grande para o modelo de
negócios da imprensa tradicional. Por isso atacam a questão dos
financiamentos dos blogs, quando na verdade esses poucos grupos são
os que concentram grande parte das verbas publicitárias. Esse debate
foi erguido para tentar comprometer a blogosfera. Nós enfrentamos e
contrapomos: “querem falar de números, então traz os números
para compararmos quantos bilhões o governo federal gasta com quem na
comunicação”. Os números reais gastos em publicidade pelo
governo federal, na verdade gastos com dinheiro público, significam
80% de investimentos nos grandes grupos de comunicação. Este é
outro debate que não interessa para a grande imprensa. Portanto,
eles estão sendo atacados no modelo de negócios, no desconforto da
revelação da verdade sobre as verbas publicitárias e no
questionamento da opinião pública com o novo modelo de comunicação,
com o qual eles não estão acostumados. Esses barões da mídia do
Brasil, donos dos grandes meios, não estão acostumados a ser
questionados. No modelo antigo de jornalismo se reproduzia conteúdo
e ninguém rebatia. Eles decidiam se reproduziriam uma carta de
resposta ou não. Com o surgimento da blogosfera ficou diferente.
Tudo que se escreve pode ser questionado. Se eu disser uma besteira
no meu blog, eu sou bombardeado imediatamente. É um modelo de
relacionamento com o próprio leitor.
Sul21
– As grandes empresas de comunicação sabem ocupar a internet? O
que pensas sobre a convivência entre blogueiros e grande imprensa?
Luiz
Carlos Azenha -
Elas veem o poder da internet, mas não sabem fazer a internet. O que
acontece na lógica das grandes empresas, mesmo as de esquerda, é
que elas pensam que vão passar para o digital o que está escrito e
para o papel que tudo que está no mundo virtual. Ninguém entende
nada. A internet é outra coisa. A blogosfera, especificamente, é
outra lógica. É bom lembrar que nós ainda estamos no mundo
dominado pela televisão. Todas as ações midiáticas importantes
hoje são dominadas pela televisão. As pessoas assistem muitas horas
de televisão por dia e estão acostumadas com o discurso de
televisão, em que a emoção sobrepõe à razão no Brasil. Na
blogosfera também se preserva um pouco esta relação emotiva. Não
que você se emocione com o leitor, mas no sentido da aproximação
com ele. Você divide muita coisa do seu dia e compartilha coisas
pessoais nas redes sociais (Facebook, Twitter). Você recebe
críticas, dicas de viagens, troca experiências e informações. A
interação da blogosfera permite que você desenvolva com o seu
leitor uma relação de ser seguidor. Ninguém é autônomo. São
pessoas com grande autonomia intelectual, mas que desenvolvem entre
elas um campo de entendimento, isso é a blogosfera. Essa lógica não
está na cabeça dos patrões, porque é uma lógica horizontal. A
lógica deles é hierarquizada e vertical. Na blogosfera, você não
vale pelo seu sobrenome, ninguém se interessa muito por quem você
é, mas pelo que você diz. As pessoas são julgadas na internet pela
qualidade das suas argumentações. Não importa se você é Roberto
Marinho ou Ali Kamel. Se o argumento é fraco, o cara é detonado.
Pode ser o dono do blog, quem quer que seja. Isso é outra coisa que
as grandes empresas também não perceberam. Na verdade, não é
apenas não perceber, elas não podem sobreviver sem a linha
vertical. As empresas de mídia cresceram muito e se associaram a
outros negócios. A verticalização e o controle ideológico são
muito necessários para preservar estes outros negócios. Por
exemplo, a Globo faz parte da associação do agronegócio. Ela tem
negócios de alguma forma relacionados com o agronegócio. E o mundo
neoliberal tem grandes interesses econômicos. As grandes empresas de
comunicação deixaram de ser a mídia apenas no sentido de fazer a
mediação entre as pessoas. E esse modelo vertical de controle
hierarquizado é o que permite ter o chamado pensamento único. Ele é
necessário dentro da redação. Não pode haver distensão. Eu diria
que a margem pra distensão foi diminuída muito. Porque se eu tenho
controle ideológico, a mensagem tem que ser muito parecida. Essa é
a lógica, por isso que existe um confronto ideológico tão forte
quando se fala de blogosfera e de grandes empresas.
Sul21
– A questão do acesso à internet ainda é um desafio no Brasil.
Até que ponto a blogosfera alcança a opinião pública?
Luiz
Carlos Azenha –
Creio que tem um bom alcance. As pessoas enviam conteúdo de graça
para postagem no meu blog, por exemplo, creio que por imaginarem que
terá repercussão. Mais do que a Folha de S. Paulo, que é um jornal
estático. A internet anda por meio das redes sociais. Um bom
conteúdo no meu blog chega a 15 mil compartilhamentos. Se você for
considerar que cada compartilhamento significa que uma pessoa dividiu
com um grupo de amigos, você pode colocar que pelo menos 100 mil
pessoas estarão sabendo daquela informação. Nem que seja metade
disso, uns 50 mil, já será muito mais que um artigo em jornal. Na
internet é muito mais compartilhado e isso determina a audiência.
Sul21
– A expectativa era de que um governo de esquerda pudesse avançar
para um Marco Regulatório. Segundo o secretário-executivo do
Ministério das Comunicações, Cesar Alvarez, o governo não
discutirá isso antes das eleições de 2014. Tu tens uma opinião
sobre o motivo pelo qual o PT não enfrenta este tema?
Luiz
Carlos Azenha -
Eu creio que existe uma disputa interna no governo. Mas eu estou
dando uma opinião. Não tenho amigos no governo ou um deputado de
bolso. Pela minha leitura política há uma divergência forte dentro
do governo em relação a isso. Acho que existe uma confusão criada
deliberadamente pela grande mídia. O debate no Brasil, em minha
opinião, é o que a maioria dos militantes nessa área defende que é
ampliar a diversidade cultural prevista na Constituição Federal.
Para isso, tem que ter um órgão de comunicação local que anuncie
as atrações regionais. O que temos é serviço de mídias regionais
com divulgação para pouco alcance e com grande dificuldade e a
Globo, e outras emissoras maiores, ditando que todo domingo tem que
assistir Domingão do Faustão. Ou seja, há uma centralização da
comunicação e da cultura nos principais centros do país e sempre
dentro dos monopólios da comunicação. A política do governo
federal deveria estimular em todos os campos a diversidade. Porque
quando você estimula o a diversidade, estimula o debate político, e
encontra outros caminhos, alternativas. Acontece que o neoliberalismo
não admite alternativas, especialmente em um momento como esse, de
crise. Ele precisa de acumulação de capital a qualquer custo,
precisa de consenso. Qual consenso permite a acumulação de capital
na Europa, por exemplo, no momento em que eles estão tirando os
direitos judiciais das pessoas para permitir que se salvem os grandes
bancos? É um consenso forçado, principalmente pela mídia. Não é
por acaso que os grandes portais hoje divulgam notícias de senso
comum ou sobre o BBB (Big Brother Brasil). Você não discute os
assuntos essenciais. Os assuntos essenciais, que dizem respeito à
vida, às pessoas e ao país, não são discutidos. Para essa mídia
não interessa discutir, interessa o BBB, o cabelo da Fátima
Bernardes, que a Ana Paula Padrão saiu da Record porque brigou, ou
seja, fofoca. E aí você tem fofoca de tudo, a cobertura política é
cobertura de fofoca. “Será que a Dilma brigou com o Lula?”, isso
não interessa. O que interessa é a política. Creio que não houve
os avanços necessários (Marco Regulatório) porque, de certa forma,
o PT foi contaminado por essa política do neoliberalismo também. O
movimento neoliberal avançou sobre parte significativa do PT, que
quer preservar seu poder político. Estão mais preocupados com o
resultado da eleição do que com a política pública. O Brasil
sempre foi um país assim, um país da chamada modernização
conservadora, em que existe certo consenso entre elites. Então eu
penso que agora, nesse momento específico, embora haja uma disputa
política que aparece na mídia, existe certo consenso de que o
modelo de comunicação do jeito que está, está bom. Mas… na hora
da eleição correm para a blogosfera. Acabou a eleição, correm
para a Globo. Isso é assim há muito tempo.
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Luiz Carlos Azenha,
Sul 21
quarta-feira, 3 de abril de 2013
REUNIÃO EM SÃO PAULO LANÇA PRONTO-SOCORRO PARA BLOGUEIROS
Por Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual
Em
reunião no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
na noite de ontem (2), em São Paulo, blogueiros e representantes de
diversos veículos da mídia alternativa decidiram criar o que
chamaram de "pronto-socorro" dos blogueiros – um fundo
para auxiliar aqueles em dificuldades com a Justiça. Em um segundo
momento, a ideia é prestar também assistência jurídica.
A
iniciativa é uma reação à sentença da juíza Juliana Benevides
de Araújo, da 43ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de
Janeiro, que, em 19 de março, condenou o jornalista Luiz Carlos
Azenha, do blog Viomundo,
a indenizar o então diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali
Kamel, em R$ 30 mil por danos morais. Kamel é agora diretor geral de
Jornalismo e Esporte da TV Globo.
“Eu
antecipo que no meu caso não vou acessar esse fundo, porque não
preciso e há blogueiros muito mais ameaçados do que eu”, disse
Azenha à RBA.
“É importante porque é um fundo que vai ser criado num momento em
que há uma tendência à judicialização cada vez maior na disputa
com a blogosfera.” Os blogueiros Paulo Henrique Amorim e Rodrigo
Vianna, entre outros, participaram das discussões.
Azenha
disse também que a questão que envolve a judicialização não se
resume à ameaça da Globo, na qual ele trabalhou. “A gente
representa uma ameaça não só à Globo. Às vezes o blogueiro é
uma ameaça para o prefeito de uma cidade, que tenta por exemplo dar
um tiro nele”, afirmou.
No
debate, Azenha propôs que se levantassem alguns casos exemplares e
“dramáticos” de perseguição a blogueiros e se dispôs a
voluntariamente entrevistá-los. “A proposta é ir atrás de alguns
casos de blogueiros efetivamente perseguidos, que não sofram apenas
a violência jurídica, mas física também, que estão no Brasil
inteiro.”
O
jornalista, que chegou a anunciar o fim do Viomundo
na sexta-feira (29),
voltou atrás. “O blog vai continuar com uma tentativa de
financiamento por meio da chamada ‘vaquinha’, tentando fazer com
que os próprios leitores financiem a produção do blog. A tentativa
de sobrevivência vai ser em cima disso, já que eu não aceito
propaganda pública, estatal ou de governo e dificilmente, com o blog
que tenho, consigo na iniciativa privada”, disse Azenha.
Estratégias e iniciativas
O
também jornalista Altamiro Borges, presidente do Barão de Itararé,
propôs “de imediato” um manifesto em defesa da liberdade de
expressão e da blogosfera, com assinaturas de intelectuais,
artistas, parlamentares e prefeitos.
A
jornalista Maria Inês Nassif disse ser preciso estabelecer
estratégias de convencimento que influenciem também um público
mais específico do que os internautas de modo geral, como os
operadores do Direito. “Há um cerco, pois como não ganharam nas
urnas eles agora mobilizam as estruturas. Temos de convencer também
quem produz decisão. Cometemos o mesmo erro em 1964. Está na hora
de pôr na cabeça que a luta por hegemonia está em todo lugar”,
afirmou.
Entre
as iniciativas consideradas importantes na reunião, e que
continuarão a ser objeto de debates, está, também, estabelecer
estratégias para pressionar o Executivo e o Legislativo a
regulamentar os artigos 220 a 223 da Constituição, que garantem a
liberdade de informação e a promoção da cultura nacional e
regional e vedam monopólios ou oligopólios de rádio e TV.
As
verbas publicitárias serão também objeto de iniciativas,
reivindicações e pressão. Atualmente, apenas dez veículos de
comunicação concentram 70% do montante da verba pública federal
distribuída para mais de 3 mil veículos de comunicação no país,
segundo levantamento feito pelo jornal Folha
de S. Paulo, de dezembro
de 2012, baseado em dados da Secretaria de Comunicação Social
(Secom), vinculada à Presidência da República.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013
GLOBO ENVIA PEDIDO DE DESCULPAS POR PERSEGUIÇÃO A BLOGUEIROS

Uma curiosa carta, entregue em mãos por um motoboy subcontratado pelo Grupo RBS, foi recebida por este Cloaca News nas primeiras horas da manhã de hoje. O envelope, de tamanho ofício, lacrado no verso com cera vermelha, ostentava o timbre da Rede Globo, com seu indefectível logotipo.
Hesitante, julgando tratar-se de nova notificação extrajudicial, este blogueiro pensou até mesmo em pedir a opinião de sua douta banca de jurisconsultos antes de desvendar o conteúdo da intrigante missiva. Por fim, a curiosidade venceu o medo, e metemos a ponta da faca em uma fresta do papel, preservando o lacre.
O texto, em fonte Times, surpreendeu logo no cabeçalho, tal a formalidade protocolar. Leia a íntegra da epístola global.
Ilmo. Sr. Cloaca
Rua xxxxxx, nº xxxxx
Porto Alegre - RS
E.M.
Nesta
Servimo-nos da presente para, sinceramente, expressar o nosso mais profundo pedido de desculpas pelo assédio judicial que nossa corporação empreendeu contra V.Sa. nos últimos meses. Aliás, esta nossa prática - ou tática - foi adotada, também, contra outros blogueiros, cidadãos comuns que, como V.Sa., apenas exercem o constitucional e sacrossanto direito à liberdade de manifestação do pensamento.
Um breve exame de consciência, todavia, nos fez enxergar quão injusta e cruel tem sido nossa conduta. E, também, nos mostrou o despropósito de ingressar com ações dos mais variados tipos - cíveis e criminais -, na Justiça do Rio de Janeiro, considerando que os réus, todos assalariados, encontram-se a centenas de quilômetros daquele foro, e que a desproporção de nossa pujança econômica e poder de lobby sobre setores da Magistratura salta aos olhos de qualquer um.
Nossa Organização prima pela observância irrestrita da pluralidade de opiniões e dos valores mais sagrados da democracia, fato inconteste que V.Sa. pode aferir diariamente em nossa programação, sobretudo a jornalística. Diante deste singelo dogma que nos guia, resta-nos externar nossas escusas pela inconveniência.
Ex corde,
Irmãos Marinho
Rio de Janeiro, 1º de abril de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
PARA VINGAR SUA HONRA, CAPATAZ DA COSA NOSTRA MIDIÁTICA QUER ARRANCAR 30 MIL DINHEIROS DE BLOGUEIRO SUJO
Este humilde tugúrio digital vem a público manifestar irrestrita solidariedade ao colega de trincheira Luiz Carlos Azenha. Como se sabe, a vingança é um prato que se come frio, e nosso estoque de gelo seco já é considerável. Aguente firme, bravo Azenha! Eles ganharam o primeiro assalto, mas a luta mal teve início. Por enquanto, deixe que eles comemorem essa vitória de Pirro.
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Justiça conclui que Ali Kamel não manda na Globo
por Luiz Carlos Azenha, do Viomundo
Ali Kamel, o nem todo poderoso diretor da Central Globo de Jornalismo, venceu mais uma.
Fui condenado a pagar a ele a indenização de 30 mil reais por uma suposta “campanha difamatória”. O poderosíssimo Viomundo difamou uma das maiores empresas de comunicação do mundo! Cabe recurso e, obviamente, o dr. Cesar Kloury vai recorrer.
Kamel bate um recorde: 4 vitórias em 4 ações na primeira instância da Justiça carioca. Alguém tem dúvida sobre o resultado dos processos que ele também move contra Luís Nassif e o sr. Cloaca? Nem o Barcelona tem esse aproveitamento!
O fulcro da decisão judicial é de que ele teria sido citado em 28 postagens do Viomundo, que existe desde 2004. Só a versão mais recente do site tem 8.140 post publicados. Ou seja, Ali Kamel foi mencionado em 0,0034% dos posts aqui publicados, na suposta “campanha difamatória”.
Em um trecho da sentença, segundo o Portal Imprensa, a magistrada afirma que eu “teria elaborado uma série de criticas contra matérias publicadas pelos diversos veículos de comunicação vinculados às Organizações Globo, atribuindo-lhe [Nota do Viomundo: Ao Kamel] a responsabilidade pelo conteúdo editorial”.
Para a juíza, segundo o Consultor Jurídico, a vinculação de Ali Kamel com a linha editorial dos meios de comunicação da Globo é uma “falsa afirmação” (grifo meu), já que ele está subordinado a superiores hierárquicos e a empresa possui um Conselho Editorial composto pelos editores dos diversos veículos do grupo, incluindo Kamel.
Em outras palavras, descobriram que o Ali Kamel não manda na Globo, apenas psicografa as ordens do dr. Roberto. A recente ascensão dele ao cargo de diretor da Central Globo de Jornalismo foi apenas uma coincidência.
Ex e atuais funcionários da Globo: sobre o poder de Kamel, é tudo imaginação da parte de vocês!
Ali Kamel processou Rodrigo Vianna por causa de uma piada. Processou Marco Aurélio Mello por uma obra de ficção. E a mim por atribuir a ele poder que não tem. Porém, como ex-profissionais que atuamos nos bastidores da TV Globo, nas coberturas mais importantes, subordinados diretamente a ele, sabemos muito bem o que ele fez no verão passado.
Foi apenas por acaso, assim, à toa, que pedi a rescisão antecipada de meu contrato com a TV Globo, onde ganhava salário de executivo, com mais de um ano de antecipação. Não queria associar meu nome à falta de poder do Ali Kamel.
Em minha opinião, o texto definitivo sobre as represálias da Globo contra blogueiros, que se deram todas depois das eleições de 2010, foi escrito por Miguel do Rosário, aqui, quando da condenação de Rodrigo Vianna. Um trecho:
É inacreditável que o diretor de jornalismo da empresa que comete todo o tipo de abuso contra a democracia, contra a dignidade humana, a empresa que se empenha dia e noite para denegrir a imagem do Brasil, aqui e no exterior, cujos métodos de jornalismo fazem os crimes de Ruport Murdoch parecerem estrepolias de uma criança mimada, pretenda processar um blogueiro por causa de um chiste!
PS do Viomundo: Obrigado a todos os que manifestaram solidariedade. É o que nos dá força. A sentença abre uma possibilidade jurídica interessante: queremos a ata do Conselho Editorial da Globo que decidiu pela cobertura da bolinha de papel, por exemplo!
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Máfia Midiática
quarta-feira, 20 de março de 2013
ENCONTRAMOS A EXPLICAÇÃO PARA OS ERROS GROTESCOS NAS REDAÇÕES DO ENEM
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O Brasil assistiu, estarrecido, à ribombante revelação de O Globo, publicada na edição de 18/3, de que alguns estudantes receberam a nota máxima na prova de redação do Enem, mesmo depois de cometer erros grosseiros de português. Como sói acontecer quando se trata de usar qualquer motivo para esculhambar qualquer governo do PT, a imprensa golpista "repercutiu" imediatamente o furo do jornalão carioca. Portais noticiosos e edições digitais dos principais veículos dos conglomerados mafiomidiáticos esbaldaram-se com as besteiras dos adolescentes, pinçadas com esmero de algumas redações. Que governo incompetente é esse, que confere nota 1.000 a tamanha ignorância? - era o que estava nas entrelinhas, ou no subtexto, dos editoriais indignados.
Pois, este Cloaca News, perplexo com tamanha afronta à língua-mater, resolveu investigar o problema em sua origem. Após apurar que boa parte das escolas - públicas e privadas - adotou a prática de indicar textos "jornalísticos" como referência aos estudantes, descobrimos que estavam ali as fontes inspiradoras da juventude. Constatamos ainda que, não por acaso, o governo tucano paulista comprou milhares de assinaturas de algumas porcarias impressas para “instruir” os alunos da rede pública.
A sequência de imagens a seguir é parte de nosso singelo acervo, colecionado ao longo dos últimos quatro anos, dedicado à contribuição da gloriosa "grande imprensa" brasileira à formação intelectual e moral de nossos jovens.
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| G1 obteve nota máxima em estupidez |
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| Rosane de Oliveira, de Zero Hora: Hors Concours do Troféu Muar de Gramática Normativa |
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| Revista Veja: jornalismo indecente |
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| RBS: na vanguarda da ignorância |
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| Folha: não dá pra não rir |
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| Analfabetismo em dose cavalar |
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| Zero Hora cria serviço de submarinos em Porto Alegre |
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| ZH: burrice gritante |
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| Ainda bem que não computaram as transmissíveis... |
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| Texto de ZH. Alguma dúvida? |
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Curioso mesmo é que, ao reproduzir a reporcagem do Jornal Nacional sobre as bobagens das redações do último Enem, o portal G1, das Organizações Globo, demonstrou que se trata, na verdade, de uma feroz batalha entre os rotos e os descosidos...
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| Clique aqui para conferir na fonte |
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Se quiser ver tudo o que já publicamos com o marcador "Analfabetismo", clique aqui.
PS - Não se convenceu ainda? Experimente este acepipe aqui, do Zé do Armarinho. Ou este outro aqui, do Café & Aspirinas.
PS - Não se convenceu ainda? Experimente este acepipe aqui, do Zé do Armarinho. Ou este outro aqui, do Café & Aspirinas.
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quarta-feira, 6 de março de 2013
DONOS DA RBS INSTALAM CANTEIRO DE OBRAS EM TERRENO PÚBLICO
Um terreno pertencente ao DMAE - Departamento Municipal de Águas e Esgotos - localizado na Rua Marcílio Dias, 368, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, foi entregue, de mão beijada, pela Prefeitura, para que a Maiojama (empreiteira dos donos da RBS) instalasse ali parte do canteiro das obras do edifício-garagem que está sendo construído do outro lado da rua. O terreno, que é propriedade do povo porto-alegrense, foi todo ocupado por contêineres da construtora, além de ter sido transformado em estacionamento "exclusivo" dos funcionários graduados do empreendimento privado.
Diferentemente da privatização do espaço aéreo da Av. Praia de Belas, que foi negociado em "37 mudas" (não se sabe de quê), não há informação de que o prefeito José Fortunati tenha "exigido" algo da Famiglia Sirotsky como "compensação" pela invasão da propriedade pública.
Para quem não sabe, o nome Maiojama é a sonora mistura dos nomes de MAurício; IOne, mulher de Maurício; JAyme; e MArlene, mulher de Jayme, todos Sirotsky, donos do Grupo RBS - conglomerado mafiomidiático que opera 20 emissoras de televisão (afiliadas à Rede Globo), 21 emissoras de rádio e oito jornais diários em dois estados brasileiros (RS e SC).
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