quarta-feira, 18 de maio de 2011

NÓS ROUBEMO AS PALAVRA DE OUTRO BLOG


"Por uma vida melhor": por que abolir os conceitos de “certo” e “errado”

Por Daniela Jakubaszko*, do blog Mulheres de Fibra
.
A polêmica que se criou em torno do livro Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, adotado pelo MEC, é inútil e representa um retrocesso para a Educação.
Como lingüista e professora de português defendo ardorosamente a utilização do livro. Vou explicar, mas antes faço alguns esclarecimentos:
1. A escola é o lugar por excelência da norma culta, é lá que devemos aprender a utilizá-la, isso ninguém discute, é fato.
2. O livro NÃO está propondo que o aluno escreva “nós pega” – como estão divulgando por aí - ele está apenas constatando a existência da expressão no registro “popular”. Do ponto de vista cotidiano, a expressão é válida porque dá conta de comunicar o que se propõe. E ela é mais que comum e, sejamos sinceros, é a linguagem que o leitor dessa obra usa e entende. Será que é intenção da escola se comunicar com ele de verdade? Se for, ela tem que usar um livro que consiga fazer isso. Uma gramática cheia de exemplos eruditos e termos que o aluno não consegue nem memorizar, com certeza, não vai conseguir.
3. O que o livro está propondo é trocar as noções de “certo” e “errado” por “adequado” e “inadequado”. E isso é mais que certo. Vou explicar a seguir.
4. A questão é: como ensinar a norma culta num país de tradição oral, e no qual existe um abismo entre a língua oral e a língua escrita? Como fazer isso com jovens adultos – que já apresentam um histórico de “fracasso” em seu processo formal de educação e, muito provavelmente, na aquisição dos termos da gramática e seus significados. Se esse jovem não assimilou até o momento em que procurou o EJA (Educação de Jovens e Adultos) a “concordância de número”, como o professor vai fazê-lo usar a crase? Isso para mencionar apenas um dos tópicos mais fáceis da gramática e que a maioria das pessoas, inclusive as “mais cultas e graduadas”, algumas até mesmo com doutorado, ainda não sabem explicar quando ela é necessária.
Por que abolir os conceitos de “certo” e “errado”?
Vou mencionar apenas 3 razões, para não cansar demais o leitor, mas existem muitas outras, quem se interessar pode perguntar que eu passo a bibliografia.
1. Primeiro, por uma questão de honestidade com o aluno. A língua é viva, assim como a cultura, e não pode ser dirigida, por mais que tentem. Por isso, não existe nem “certo” nem “errado”: as regras são convenções e são alteradas de tempos em tempos por um acordo entre países falantes de uma mesma língua. O que era “errado” há alguns anos, hoje pode ser “certo”. Agora é correto escrever lingüística sem trema - o que discordo - e ideia sem acento. Assim, o que existe é o “adequado à norma culta” e o “inadequado à norma culta”. E essa norma é uma convenção, não uma lei natural e imutável. Além disso, por mais que a escola seja representante da norma culta, isto não significa que ela deva ficar “surda” diante dos demais níveis de fala. A língua portuguesa – ou qualquer língua – não pode ser reduzida à sua variante padrão. Tão pouco as aulas de português devem ficar. Afinal, se numa narrativa aparece um personagem, por exemplo, pescador e analfabeto, como o aluno deverá escrever uma fala (verossímil) para ele? Escrever de forma inverossímil é certo? Aliás, o que seria dos poetas e escritores se não fosse o registro popular da língua? Acho que Guimarães Rosa nem existiria.
Com certeza a crítica ao livro parte de setores conservadores e normativos. Eu, como lingüista e professora, não apoio a retirada dos livros porque não acho justo falar para o aluno que o jeito que ele fala é errado, até porque não é, só não está de acordo com a norma culta, o que é muito diferente. Depois que você explica isso para o aluno é que ele entende o que está fazendo naquela aula. Essa troca faz toda a diferença.
2. Segundo, porque quando você diz para um aluno sucessivas vezes que o que ele fez está “errado” você passa por cima da subjetividade dele e acaba com toda a naturalidade dessa pessoa. Daí, ela não fala “certo” e também não sabe quando fala “errado”. Assim, quando na presença de pessoas que ela julga mais letradas que ela própria, não tenha dúvida, vai ficar muda. A formação da identidade do sujeito passa obrigatoriamente pela aquisição da linguagem, viver apontando os erros é desconsiderar a experiência de vida daquela pessoa, é diminuí-la porque ela não teve estudo. E não se engane: ela pode se tornar até uma profissional mais desejada pelo mercado por usar melhor a norma culta, mas não necessariamente vai se tornar uma pessoa melhor.
3. Em terceiro, porque é urgente trocar o ponto de vista normativo pelo científico. A lingüística reconhece que a língua tem seu curso e muda conforme o uso e a cultura: já foi muito errado falar (e escrever) "você", por exemplo. A lingüística também reconhece que a língua é instrumento de poder, por isso, nada mais importante do que desmistificar a gramática normativa. Isto não significa deixá-la de lado, mas precisamos exercitar uma visão mais crítica. Esse aluno sente na pele a discriminação social devido ao seu nível de fala, nada mais natural que ele rejeite a norma culta e considere pedante a pessoa que fala segundo a norma padrão. É compreensível, ainda, que ele não entenda grande parte do que se diz em sala de aula. O que não é compreensível é o professor, ou melhor, “a Escola”, não entender a razão de isso acontecer.
Em nenhum momento foi dito que a professora e autora do livro em questão não iria corrigir ou ensinar a norma culta aos alunos, só ficou validado o registro oral. Os alunos precisam entrar em contato com o distanciamento científico. E os lingüistas não saem por aí corrigindo ninguém, eles observam, e você, leitor, bem sabe como funciona a ciência - e um aluno de pelo menos 15 anos já precisa começar a ouvir falar do pensamento científico. Além disso, é muito bom que eles percebam se o nível de fala que usam tem prestígio ou não, e o porquê.
Por que ignorar o estudo da língua oral em sala de aula? Eu fazia um trabalho nesse sentido com os meus alunos e só depois de transcrever entrevistas orais eles conseguiam ouvir a si mesmos e tomar consciência de seu registro lingüístico: “nossa como eu falo gíria! Eu nem percebia!”. Aí sim eles entendem que, com o amigo, com os pais, eles podem dizer "os peixe", mas que na prova é preciso escrever "os peixes", no seminário é preciso dizer “os peixes”, mas ele precisa estar à vontade para fazer isso. A realidade em sala de aula é que os alunos não entendem onde estão errando. Quando você explica o conceito de norma culta eles entendem. Cria-se um parâmetro e não uma tábua de salvação inatingível. É aceitando o registro desse interlocutor e apresentando mais uma possibilidade de uso da língua para ele que vai surgir o esforço para aprender. Se você insistir no “certo” e no “errado” ele vai ficar com raiva e rejeitar o novo. Quer apostar?
Ter uma boa comunicação não é sinônimo de usar bem as regras da gramática. Para ensinar os conceitos de "gramática natural" e "gramática normativa" temos de dar esses exemplos. Os conservadores se arrepiam porque eles partem do princípio que você nunca pode escrever ou falar nada errado na frente do aluno. Para mim isso é hipocrisia: o aluno tem direito de saber que o registro que ele usa em casa é diferente daquele que ele usa na rua, no estádio de futebol, na escola, no trabalho, em frente ao juiz. E tem o direito de saber que o “correto” se define por aquele que tem mais prestígio social. Essas são só as primeiras noções de sociolingüística, para quem quiser abrir a cabeça e saber. Ou será que a língua portuguesa se aprende descolada da realidade? É isso que se está tentando mudar. É tão difícil assim perceber isso?
Quando me perguntam qual é a função do professor de português na escola, eu respondo: oferecer ao aluno um grau cada vez mais elevado de consciência lingüística; oferecer instrumentos para que ele possa transitar conscientemente entre os diversos níveis de linguagem. Só depois de realizada essa operação o aluno vai conseguir escrever conforme as regras da norma culta. E falar a norma padrão com naturalidade. Ou, ainda, escolher falar conforme o ambiente em que cresceu e formou a sua subjetividade (Lula que o diga, comunica-se muito bem, sem camuflar as suas origens). É bom ficar claro que a função do professor não se reduz a "corrigir" o aluno. Isso, o google, até o word, pode fazer. Ajudar o aluno a ter consciência de seu nível de fala é outra história...
O problema não é uma pessoa dizer “nós pega”, o problema é ela não entender que esse uso não é adequado em determinados contextos, o problema é não saber dizer “nós pegamos”. Ou sequer compreender porque não pode falar “nós pega”... É, leitor, tem muito aluno que não entende porque precisa aprender uma lista de nomes difíceis que nada significam para ele e que ele não enxerga a relação direta entre uso da norma culta e como esta vai ajudá-lo a melhorar de vida.
Conheço quilos, ou toneladas, de gente formada, pós-graduada, que fala “seje” e não tem consciência de que está falando assim, e ainda critica quem fala “menas”. Ouvir a si mesmo é uma das coisas mais difíceis de fazer. E como ajudar o aluno a fazer isso?
O primeiro passo é, sem dúvida, abolir o “certo” e o “errado”. Enquanto o professor for detentor da caneta vermelha, o aluno vai tremer diante dele e nada do que ele disser vai entrar na cabeça dessa pessoa preocupada em acertar uma coisa que não entende, tem vergonha de dizer que não entende, então não pergunta, faz que entendeu, erra na prova e o resultado é ela se achar cada vez mais burra e desistir de estudar. Ufa... Puxa, ninguém estuda mais psicologia da educação? Isso é básico!
E então, leitor, o que é mais honesto com esse aluno que chega no EJA com a autoestima lá em baixo? Começar falando a língua dele e depois trazê-lo para a norma padrão ou começar de cara a humilhá-lo com uma língua que ele não entende?
É muito sério quando pessoas leigas começam a emitir, levianamente, juízos de valor sobre assuntos que não dominam. Alguns jornalistas, blogueiros e “opineiros” de plantão, por exemplo, sem conhecimento dos conceitos e técnicas de ensino em lingüística, sem a menor noção do que está acontecendo nas salas de aula desse país, começam a querer dizer para os professores o que eles têm de fazer, como eles têm de ensinar! Isto sim, é nivelar por baixo! É detonar, mais ainda, a autoridade do professor, já tão desprezada no país. Ah, e ainda fazem isso sem perceber que freqüentemente cometem erros crassos; eu estou cansada de lê-los em blogs, jornais e revistas, e ouvi-los na televisão. Não que precisem, ou usamos com eles os mesmos critérios que defendem?
E então, qual é mesmo o tipo de educação que o Brasil precisa?
.
* Daniela Jakubaszko é bacharel em lingüística e português pela FFLCH-USP, mestre e doutora pela ECA-USP. Desistiu de ser professora depois de dar aula por 15 anos e virou redatora porque não agüentava mais ouvir: "você trabalha além de dar aulas?"

* *Ah, eu tenho uma dúvida: até quando eu posso usar o trema? Até 2012?

69 comentários:

Anônimo disse...

Magistral artigo da professora Daniela!

JORGE LOEFFLER .'. disse...

Endosso integralmente.
Assisti,não lembro se nesta segunda ou ontem, pela manhã audiência pública sobre esportes ocorrida na AL com a presenç ade incontáveis Prefeitos e Vices. O que ouvi me chocou, mas é nossa realidade, gostemos ou não.

ruy garcia disse...

Caro Senhor Cloaca,
Há, igualmente, outro caroço embaixo desse angu: o lobby, contra o livro adotado, das editoras que foram reprovadas pela avaliação do livro didático realizada pelo MEC.
Tenho a leve suspeita de que são, digamos assim, vinculadas à Editora Abril.
Taí uma boa tarefa para o investigador digital-mor da blogosfera "suja": Stanley Burburinho.

Anônimo disse...

Uma professora como a Daniela é que nos faz falta, pena o professor ser tratado como lixo nesse país.




Helder

Richard Jakubaszko disse...

Seo Cloaca: clap, clap, clap!!! Sou suspeito pra dizer qualquer coisa, he, he, he...

Niveo Campos e Souza disse...

Professora Daniela,

A senhora, com seus comentários, dignifica a língua portuguesa, o nosso Brasil e os seres humanos.

Niveo Campos e Souza

Anônimo disse...

Já lecionei em classes de EJA. É exatamente como a professora comentou. Ou o professor entende os alunos e se acumplicia com eles para convencê-los de que há outra maneira de falar e escrever, sem desmerecer o conhecimento deles, ou vai perder seu tempo e o dos alunos.
Excelente o artigo!

Raul.

Ana Lima disse...

A melhor coisa que li nos últimos tempos!!! Em sala de aula de EJA já vi^muito do que descreveu. E mais do que nuca é preciso dizer, a língua é viva.... não vamos matá-la.

Cé S. disse...

O Cloaqueiro tem o poder de trazer pra nós as melhores coisas da net. Palmas!

Zeza disse...

Sr. Cloaca, eu pergunto: Quem é linguista pode cometer erros em textos como este que o senhor publicou? Os erros no texto são seus ou da autora?

Abraço!!

Cloaca News disse...

Zeza: à exceção do título e da foto, o texto desta postagem foi transposto sem qualquer intervenção deste Cloaca News.

Zeza disse...

Pois é... Eu tenho dificuldade de aceitar erros de português em textos de pessoas que conhecem a norma culta. Principalmente no uso dos porquês. Professor de português, para mim, tem de saber falar e escrever corretamente. Talvez eu esteja errada.

mulheres de fibra disse...

Olá Seo Cloaca,

sinto-me muito honrada com esse "roubo". Obrigada pelo apoio!
Abraços,
Daniela.

NITX disse...

Só pessoal da Zé pode dar agá?
C k h 100 c h chá.....
Ainda aprendo a falar o lunfardo.

César Bento disse...

Excelente artigo. Também comentei o fato, porém, sem a mesma profundidade.
http://bit.ly/jkEfuT

Júlio disse...

Segundo o prof. Marcos Bagno, em outro excelente texto, após comentar matéria sobre o assunto no Jornal das Dez da GloboNews, o sr. Carlos Monforte sai-se com essa: “Como é que fica então as concordâncias?”.

Para ler o artigo:
http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=745

Reg disse...

Tudo de ruim que acontece no Brasil vem de São Paulo.
Essa feçora é de São Paulo, com o livro que ensina errado português; no que se configura mais uma herança maldita dos tucanos dos infernos, já que se ensina assim há mais de 15 anos o português.
Falta de transparência nas políticas públicas de ensino, é nisto que deu a adoção do livro da feçora paulista.
Ensino errado de geografia e mapas errados, pornografia em livros escolares e agora esta feçora aposentada com o livro/lixo; estas barbaridades só podiam ter saído de São Paulo e de ong paulista.
Paulistas foram treinados a conviver, sem reclamar, com as barbaridades do governo tucano e, deve ser por isto, que votam em tucanos e aceitam alagamentos, desmoronamentos, incêndios em favelas, uma polícia que parece treinada pela Al Quaeda de tão ruim, como se vê nos noticiários de tevês. Paulistas da avenida paulista que discriminam pobres, ao proibirem construção de estação de metrô; numa das maiores discriminações a pobres que se tem notícia.
E, como foram treinados a se acharem melhores que o resto do Brasil, os únicos que trabalham; votam nos tucanos para continuarem a serem sacaneados, mesmo vivenciando toda a bandalheira no dia a dia da cidade.
Isto é que é ter antolhos, diferentemente do resto do Brasil.
Estamos fartos da paulistada sacana a querer destruir a única coisa que faz um ser humano crescer: o conhecimento.
Querem fazer no Brasil, o que tucanos fazem com o povo em São Paulo, emburrecê-los, a fim de ganhar votos.
Ah! O povo fala errado, então ensinemos a todos falar errado, é o cacete, discriminação não.
Nivelar por baixo é não.
Quem aceita educação nivelada por baixo é paulista, carioca duvido muito, e é provável que façamos manifestação contra a distribuição deste maldito livro da feçora paulista, aqui no Rio.
Não queremos cidadãos de primeira e de segunda classe. Os de primeira aprendem corretamente o português; os de segunda, adeptos do livro da feçora paulista.
Abaixo a discriminação e preconceito, educação de qualidade é para todos.
Sou Lula, sou Dilma, mas ensino errado é não.
Doa a quem doer, queremos transparência e investigação, sobretudo nesta ong paulista.

Heitor Rodrigues disse...

Professora Daniela, obrigado pelo texto esclarecedor. Maravilhoso!
Valeu, Sr. Cloaca!
Quanto ao comentarista aí de cima, que se assina Reg, leia o texto de novo, quantas vezes forem necessárias, até entendê-lo.

Heitor Rodrigues disse...

Professora Daniela, obrigado pelo texto esclarecedor. Maravilhoso!
Valeu, Sr. Cloaca!
Quanto ao comentarista aí de cima, que se assina Reg, leia o texto de novo, quantas vezes forem necessárias, até entendê-lo.

lapanagio disse...

Sem lero-lero: se um livro didático não ensina o conteúdo em sua estrutura formal, devemos abolir o livro ou a escola. Não há sentido em ensino que não ensina, simplesmente. Claro que a língua evolui, mas certas formas gramaticais devem ficar restritas a seu ambiente ou seu gueto. Ninguém deve ser ridicularizado por falar errado, mas deve ser instruído a falar da maneira mais corrtea possível. Nóis tem qui tomá cuidadu, sinão nóis vai ficá numa cituação dificir, pois o brasir caressi di mãu di obra calificada. Livro didático não deve ser experimento acadêmico. Certas discussões sobre preconceito linguístico ou o diabo que o valha precisam ser colocados em âmbito acadêmico superior, não em ensino fundamental.

Reg disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Reg disse...

A bandeira, o hino e o idioma são símbolos nacionais e junto de seu povo, formam a identidade de uma nação.
E devem ser disseminados ao redor do mundo.
O filólogo, gramático e professor catedrático das universidades UFF/RJ e UERJ/RJ, voltou de uma viagem à China e disse que chineses aprendem o português em um mês.
Americanos, franceses estudam português e nossa cultura, nas universidades deles.
Aquarela do Brasil, cantada por eslovenos em homenagem ao Brasil - Perpetuum Jazzile BR6.
Woody Allen citou Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, como um dos melhores livros que ele já leu.
Português,o 4º idioma mais falado no mundo.
E vem a feçora paulista dos infernos, querer DETERMINAR, que se ensine o português errado nas escolas públicas.
Quanto a você não ter entendido o que escrevi, só lamento e pode ser que você tenha sido aluno da feçora paulista.
Tenho como premissa não compactuar, tampouco justificar erros tão somente por virem de partido político, que ajudei, com meu voto, a eleger a presidente da república.
Investigação já,doa a quem doer.

Júlio disse...

Tem gente aqui que é analfabeto funcional. Nem adianta explicar que não vai entender. Talvez desenhando...

Eu só queria que me mostrassem um trecho, só um trechinho, do bendito e tão falado livro que afirme que o ensino das variantes populares (ou "português errado", como quiserem) deva ser adotado nas escolas, porque eu não vi isso em lugar nenhum. Vai ver que o analfabeto funcional sou eu.

Grilo D disse...

Reg e lapanagio: talvez esta informação tenha se perdido no longo texto, mas esclareço aqui.
O livro não ensina a falar errado, como muitos acreditam. Apenas reconhece que há uma língua informal sendo falada por aí (o que é correto) e ensina em que situações ela pode ser usada (o que é correto). E também apresenta a norma culta.
Então cuidado: suas críticas estão baseadas na premissa de que o livro ensina errado, e isto não procede.
Abraços,
Grilo D

Anônimo disse...

Reg, estou com vc. Esse lado de cá da Africa onde purgamos nossa existência é um país absurdo. Estou propenso seriamente a acreditar que o Brasil não existe. Por que coisas assim só acontecem aqui? Esse livro, que não passa mesmo de material inofensivo, visto que a educação nacional é deficiária demais para que os alunos possam ser prejudicados por suas políticas deletérias, zumbizados que estão esses alunos, esse livro só pode existir por aqui mesmo. Um livro sem propósito e desrespeitoso, mas como para cada coisa abominável no Brasil acha-se um catedrático intelequitual para teorizar em cima dizendo que é bom e revolucionário, a autora do post quer nos passar a normatização da burrice.

Mas o mais estranho, e que ninguém disse ao sr Cloaca é: a partir de agora, cloaquinha, vc não vai poder mais curtir com os erros de portugues dos jornais. Defendendo uma causa dessas, não vai poder mais.

HÁ BRAÇOS!

Reg disse...

Grilo,
não está perdida não, continuam se defendendo na mídia por causa da feçora que ensina errado português.
Querem defender o indefensável.
Conhecemos Evanildo Bechara, Rocha Lima, Celso Cunha, Mattoso Câmara Júnior pelos trabalhos em prol da educação brasileira; ela é uma ilustre desconhecida, a fim de sacanear os estudantes brasileiros.
Desde quando uma feçora de ong paulista autoriza analfabeto a falar errado, bem como seus filhos?
Analfabeto fala errado mesmo, com ou sem autorização da feçora paulista.
Ela não determina nada.
Esta conclusão da feçora é uma ilação, porque nunca vi atribuir preconceito a livro que ensina o português formal.
Meu pai, inteligente, articulado, mas inculto, falava QUESTÃ, mas se orgulhava de ter filhos universitários e que falavam QUESTÃO.
Usar artifício de preconceito a quem não conhece a norma culta da língua, é apenas tentativa para legitimar o ganho com o livro, contendo ensino errado de gramática nas escolas públicas.
Ou será por que esta unidade lingüística teve como um dos responsáveis os meios de comunicação e, por isto, tem que ser contestada?
Um luxo, que nem mesmo Itália, Portugal, Espanha, China, porquanto cheios de dialetos, conseguiram.
Querer tirar esta conquista de brasileiros falarem a mesma língua, apesar desta imensidão de país, é irresponsável, elitista, discriminatório e uma tremenda de uma babaquice desta ong da feçora paulista.
Estou indignada e espero que o MPF investigue esta ong dos infernos, que lucrou 700 mil do governo por este lixo de livro.
Que tal esta feçora de ong paulista, depois de altos estudos patrocinados pelo governo, DETERMINAR que o inglês seja a língua oficial do Brasil, com a justificativa de que THE serve para singular e plural. O plural já estaria resolvido, né feçora?
Morro de pena da presidenta Dilma, porque aturar estes mequetrefes, não deve ser fácil.
Com gente desse calibre, nem é preciso ter inimigos.

P Pereira disse...

Weden:
"...o livro não defende supremacia alguma da modalidade oral sobre a escrita, visto que nenhum linguista defende supremacia, no que se refere às modalidades da língua; o livro não contém erros gramaticais (o que vem sendo repetido à exaustão), apenas cita frases com 'erros'; os autores não 'admitem' a troca dos conceitos de 'certo e errado' por 'adequado ou inadequado' (como se tivessem inovando neste aspecto)."
(...)
Tem gente que "não leu a obra, não conhece a seriedade do trabalho da ONG, não sabe nada sobre os autores e parece não ter compreendido como se dá o processo de escolhas de livros didáticos no PNLD. A gramática correta do seu texto serve apenas para alimentar uma condenação a priori. De que adianta?"

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-guerra-suja-no-mercado-de-livros-didaticos#more

NITX disse...

Gostaria de um esclarecimento. Golfar ou gorfar não é a mesma coisa que vomitar?
Viva a prosódia e a ortoépia, viva o esclarecimento ilustre..... viva o Juó Bananere :b

NITX disse...

De Juó para o povo:

Inzisti una tradiçó morale braziliana chi é priciso adisgobri. Vamos apricurá.

Remindo disse...

O português correto

Poucas pessoas falam e escrevem um português correto aqui no estado do Rio Grosso do Sul. Para sermos entendidos por nós mesmos temos que saber um pouco de português moderno, português arcaico, latim, guarani, espanhol, alemão e italiano, fora a linguagem chula que usamos contra os desafetos. E esta mistureba é o que escrevemos e falamos por aqui. Mas bastou o MEC lançar um livro valorizando o ensino do linguajar do povão, que toda nossa grossura se levantou em defesa da pureza da língua. Ninguém escreve ou fala este português e, se o governo cobrasse uma taxa por erro na fala e escrita, estaríamos na miséria, menos os mais ricos que contratariam porta-vozes e escribas para escaparem a dureza da lei.

Sobre o uso do português correto conheço a história de dois primos que brigaram por que um falava vergamota e o outro bergamota, cada um mais cheio da razão que o outro. A briga ficou tão feia, que o patrono da família contratou um lingüista para tirar a dúvida, nordestino e professor emérito pela Universidade do Ceará. Ao pegar a fruta foi logo afirmando que nem um dos dois tinha razão, ela era uma simpática e apetitosa mexerica. Para quem quiser saber mais, o nome da fruta em português correto é tangerina e seu nome científico é Citrus Reticulata, existindo diversas variedades atualmente. E pasmem o maior produtor da nossa vergamota é a China com mais da metade da produção mundial.
Tangerina em chinês é 橘子.

Anônimo disse...

Vou considerar três coisas iniciais:
1) Se todo o povo do Império Romano FALASSE nas ruas, nas feiras, em casa, o Latim como Cícero ESCREVIA, não teríamos Francês, Espanhol, Português e Italiano, pra citar esses exemplos de idiomas neolatinos. Como dizia meu ex-professor de Grego, o grande Henrique Murachco, Espanhol é o Latim "mal falado" na Espanha, o Português em Portugal, e por aí vai;
2) A Gramática, em seus primórdios, veio APÓS a existência viva e orgânica da língua, e não o contrário;
3) Vejo a TV Câmara e a TV Senado quase todo dia e não assisti a nenhum Ruy Barbosa discursando ultimamente. Mesmo o Sen. Cristovam Buarque, que arriscou criticar essa "abertura de pernas" da quinhentona donzela Flor do Lácio nas escolas, não falou muito melhor que alguns jogadores de futebol entrevistados no fim de uma partida.

Bem... o que considero mais importante no aprendizado de uma língua é sem dúvida uma coisa que você frisou bem: a possibilidade do falante de discernir e transitar pelos diversos níveis de linguagem. É isso que permite ao sujeito a capacidade de viajar nas aventuras narradas por Camões n'Os Lusíadas ao mesmo tempo que acha graça no cordel "A chegada de Lampião no inferno".

Reg disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Reg disse...

É, mas a queda do Império Romano ocorreu justamente pela cultura dos gregos.
Os soldados romanos serviam 30 anos nas cidades tomadas e esta proximidade com a cultura, ideias dos gregos, contribuiu para a queda do império romano, já que os soldados construíram famílias e seus filhos estudaram com os escravos gregos, mudando seu modo de pensar; enfim assimilaram a literatura grega, depois greco-romana.
Na máxima, quem aprende, quer mais.
Médicos, matemáticos, engenheiros, filósofos transformados em escravos fizeram uma revolução cultural.
A força bruta perdeu para a cultura.
Cultura greco-romana que permeia toda a sociedade/cultura ocidental até hoje, seja em matemática, religião, filosofia, medicina, astronomia, psicologia, flora, fauna, direito, teatro, república, voto e tudo o mais que se possa imaginar; tem um ensinamento grego.
Não há, em toda a história da humanidade um evento transformador desta envergadura.
O conhecimento é que transforma o ser humano, a sociedade.
O Brasil é conhecido no exterior pela sua música, esportes, pela beleza e afabilidade de sua gente, sua cultura herdada dos africanos, alemães, judeus, portugueses e tantos outros e, curiosamente tão badalado agora, que escrevem no estrangeiro o Brasil com S, não mais com Z.
Todos querem conhecer o gigante do sul, menos os brasileiros de insistem em práticas ultrapassadas ao atribuir preconceito, a quem quer uma sociedade mais justa, mais igualitária e com oportunidades iguais para todos; para que juntos contruamos uma grande nação sem privilégios.
Um país precisa de homens e livros e não de feçora que ensina português errado e promove discriminação àqueles que precisam de educação.
MPF na ong dela.

Lucas Araújo disse...

Quem é a favor de uma norma massacrante como única via da aprendizagem, certamente nunca ouviu Demônios da Garoa, nem entendeu que este país foi melhor presidido por um "analfabeto" com invejável formação política do que pela linguagem culta da falida elite nacional.

Reg disse...

O presidente Lula foi muito humilhado durante toda a sua vida, porque não teve oportunidade de adquirir conhecimento formal.
Não houve um dia sequer na presidência da república, que não tenha sido humilhado pela mírdia, na alegada falta de estudos.
Mas, muito inteligente e de caráter, deu a volta por cima e hoje é conhecido mundialmente como o cara; porque foi quem transformou o Brasil neste gigante das américas e do mundo.
Sempre mereceu todo o nosso respeito, mas não pudemos evitar o preconceito contra ele, sobretudo na mírdia brasileira.
Muitas vezes o vimos chorar magoado, com o preconceito manifestado diariamente por ele não ter estudado e sou solidária ao seu sofrimento.
Ele representou o que chamam de "o trigo no milharal", como muitos que aí estão perdidos neste Brasil imenso e, é por eles que reprovamos o livro que ensina português errado dessa feçora paulista.
Num dos últimos programas soletrando, o ganhador foi um menino, do Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do Brasil. Menino que só começou a estudar com 8 anos e porque o bolsa-família obrigava sua mãe a levá-lo à escola. Impressionante a rapidez com que soletrava, apesar do atraso escolar e disputar o prêmio com meninos e meninas, que estudavam em escolas públicas conceituadas.
Também um trigo no milharal.
É por eles que reprovamos este livro mardito da feçora paulista.
MPF na ong dela.

P Pereira disse...

Sr. Cloaca, vou continuar acessando seu blog,como sempre faço; a caixa de comentários só vou abrir se me avisarem a ausência da pessoa que a monopolizou.

Reg disse...

Nem Paulo Coelho ganha tanto dinheiro numa edição de livro, como essa feçora paulista.
Deve ser por isto que ex-bbb nesta última edição, disseram que criariam uma ong para ganhar dinheiro.
Com tanta universidade no Brasil, a ganhadora foi uma ong, cujo diferencial é ensinar errado português nas escolas públicas.
Essa feçora jamais daria aula em escola particular, sequer adotariam esse livro lixo.
Duvideodó.
Necas de pitibiriba.
Vê se pai pagaria colégio caro para carai para seu filho estudar errado o português, é ruim, hein!
Dinheiro público é dinheiro de imposto e exigimos destinação para educação exemplar para nossos jovens.
MPF na ong dela.
A ong dela é cheia de marra, acha pouco os 7% da destinação de recursos na educação.
É mermo?
5 milhões para a editora, 700 mil para a feçora.
É pouco?

Anônimo disse...

Reg, nós, os que defendemos esse ponto de vista, não estamos fazendo um "elogio da ignorância". Eu acho que você continua atropelando o fato de não se estará ensinando que falar "nóis vai" é certo. Será apresentado, SIM, ao aluno que essa forma, segundo os padrões normativos da gramática, está em desacordo. E ele só saberá disso, e como funciona na gramática, aprendendo-a. Viu? Ele precisa necessariamente aprender gramática pra saber em quais ambientes lingüísticos transitará e como transitará. É por isso que Seu Cloaca tira onda com o lixo do Zero Hora quando eles erram e continuará a tirar porque, para esta ocasião da escrita, sobretudo jornalística/informativa, cobra-se o padrão gramatical. Quem errar aí, errou mesmo. E vai aqui um jabá pra Seu Cloaca: ele escreve muitíssimo bem, usa uns termos oitocentistas, do arco-da-velha, que só se acham nos livros de Euclides da Cunha. E eu, quando encontrar amigos, vizinhos, etc., certamente não falarei com eles do jeito gramaticalmente correto (alguém revise, por favor) como escrevi aqui. Vou deixar pra você aqui um poema de Zé da Luz, poeta paraibano, conterrâneo meu:

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse
de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse
te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse
pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse
e as virgi toda fugisse

Felipe Oliveira disse...

Excelente texto da professora Daniela!
Parabéns Seo Cloaca!

Reg disse...

Aplaudo o Cloaca ao mostrar os erros gramaticais da mírdia, porque durante muitos anos o presidente Lula foi ofendido por ela, justamente por não ter aprendido concordância nominal, verbal, conjugação de verbos, gênero, número e pessoa e outros vacilos.
Quanto a feçora determinar que analfabeto continue a falar errado é muita pretensão dela e absolutamente desnecessário, porquanto realidade falar errado.
Licença poética é permitido.
Sou solidária à professora Amanda Gurgel, que no youtube denuncia os R%930,00 recebidos, por desperdício de dinheiro público e falta de compromisso com a educação.
Parabéns professora pela sua lição Amanda Gurgel - http://rsurgente.opsblog.org/

Edgar disse...

Você vai, ocê fica, cê num volta nunca mais

Francesco Andrade disse...

OLa, "Reg", me parece que vc não leu o artigo,...esta tirando conclusões apenas encima do que ouviu. Um priemeiro lugar, vc deveria limpar a sua mente "domesticada" pela política de esquerda e achando que todo mundo aqui em São Paulo vota nos tucanos. Em segundo, vc não conhece São Paulo, pois, se conhecesse não estaria dizendo a asneira que disse, que os "paulistas da avenida paulista" estão proibindo de construir metrô. A Avenida Paulista fica bem longe de Higienópolis, o bairro cotado para esta obra. Terceiro, nem tudo que existe de "ruim vem de São Paulo", mas sim, de Brasília, onde está o poder central, onde tudo é manipulado pelos mensalões da vida, que enriqueceram o seu ministro Palocci, onde seu Zé Dirceu, foi apeado do governo junto com mais um monte de pilantras, e tudo com a "Benção" de seu admirado Líder Máximo, que só não "estudou" porque não quis, porque tempo e dinheiro ele teve, mas preferiu o caminho mais fácil...carreira que ele iniciou na Ford, cortando um dedo fora, para ser indenizado...que cara legal!...deixou até o governo para a Dilma,...com um tremendo déficit (gastança para comprar todo mundo) e agora está tendo que rebolar para controlar a inflação de bilhões de dólares que o grande chefe deixou. Ele, está mais para "trapalhão"...que para o "cara"...que agora ficou mais claro...Obama queria dizer que ele era o palhaço...e esta idéia vendida pelo PT de que ele é super competente, só compra que é otário.
Mas, voltando ao livro, ele tem a chancela do MEC, então, não se trata de uma bobagem, já foi explicado que não defende o ensino do falar errado, mas, sim, conscientiza as pessoas para o fato de que nossa língua é mutante. Pena que vc com sua militância de quinta, ainda não tenha percebido e insiste em destilar sua ignorância aqui.

Djijo disse...

Isso de "certo" e "errado" acho que é oportuno discutir pois já deve ter chegado o momento de se lidar com moralismos ideológicos, principalmente os vindos de religiões. Eu já estou analisando isso faz alguns anos. Também sempre fui crítico quando se usa indistintamente as expressões "pode" e "deve", como se fossem coisas iguais. O "deve" está restrito a todas as regras feitas pelo homem. O "pode" está dentro das regras naturais, dadas pela natureza.
Assim quando dizem "você não pode atravessar no sinal vermelho" é equivocado pois é só seguir adiante, com atenção para ver se não há risco de acidentes e a determinação "não pode" é invalidada pela ação. E por aí vai.

ProfeGélson disse...

Este vídeo também é importante:

http://youtu.be/yFkt0O7lceA


(DEPOIMENTO DA PROFESSORA AMANDA GURGEL)

Grafiki disse...

Vc está certíssima Daniela. O lance é o seguinte, como bem disse, o jovem, adulto ou velho que quer estudar ou voltar a estudar depara-se com o monstro da língua culta e volta pra casa. Então a jogada é esta: deixar os pobres fora da escola, longe do saber.

Panambi disse...

O que não admito é dizerem que a Globo está sendo imparcial neste caso. Ela sempre dá espaço para o contraditório, ou seja, apresenta os dois lados:
- O interno e o de dentro;
- O vermelho e o encarnado;
- O cego e o sem visão;
- O careca e o sem cabelo;
- O saci-pererê e o perneta;
- Os que não gostam do Haddad e o que querem o Haddad....fora do MEC.
Rede Globo: jornalismo isento e imparcial.

Anônimo disse...

respeitosamente discordo integralmente do texto...

Reg disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Reg disse...

A permanência do ministro no governo é decisão política, o texto é sobre educação.
Aliás, depois do churrascão da gente diferenciada, como ficou definido o local da estação do metrô de São Paulo?
Continua bem longe da gente diferenciada?
Pena que está frio aqui no Rio, senão pegar um metrô e iria a praia junto da gente diferenciada.

Anônimo disse...

A atual celeuma está sendo fomentada pelas editoras, Abril e Globo, que foram jogadas ao léu pelo Ministério da Educação.

Anônimo disse...

procure o erro:

http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Geral&newsID=a3317144.xml

Jair disse...

A direitona braba deveria botar seus linguistas para argumentarem, em lugar de depender de verdadeiros jumentos intelectuais, como são os ativistas do PIG. Ou será que já não há mais linguistas reacionários? Seria bom demais para ser verdade. Acontece que nem os linguistas que se identificam politicamente com a podridão tucanalhesca teriam coragem de ir abertamente contra uma visão que até eles mesmos (independentemente de sua aversão ao povo) reconhecem ser cientificamente correta. É por isso que as críticas ficaram por conta dos agentes mais bestializados de nossa direita. Assim, os linguistas reacionários adeptos da tucanalhada sempre poderão esgrimir a desculpa: “Eu não tenho nada a ver com essa polêmica”. Seria muito importante que nossa direitona pusesse em campo seu time de elite sobre esta questão. Cadê os linguistas do partido de FHC, do partido do verme Bob Freire? Entrem já em campo para tentar socorrer as antas que até agora têm levantado sua bandeira nesta empreitada.

Luis disse...

Daniela, você é demais!!!

Adriano M disse...

Educação é distintivo de classe. Conhecimento é poder. A flexibilização também chegou à escola (à escola pública, claro). Com ela os conteúdos clássicos perderam a importância e cederam lugar ao respeito à identidade do aluno. Identidade que deve estar bem definida, na forma de falar e de escrever, na forma de agir, no alcance dos sonhos, nos horizontes, nas pretensões, de modo a não deixar dúvida de sua origem e de seu lugar na sociedade. O conhecimento clássico, a norma culta, esses ficam restritos a quem os valoriza e, portanto, não abrem mão deles. Tudo uma questão de identidade. Assim, fica obsoleta a pergunta: "Você sabe com quem você está falando?". Está na cara, na identidade.

Ary disse...

Artigo longo e pertinente. Em relação ao trema, o mesmo permanecerá, mesmo após 2012, apenas para uma palavra: Lingüiça.Justificativa: "Em cima" da lingüiça, trema!

NITX disse...

Aproveitando a deixa do Ary pergunto aos doutos dos alfarrábios e aos enciclopédicos de plantão: lingüísta é um enchedor de lingüiça? E no caso do linguista ser um enchedor de lingüiça, como nominá-lo?

Anônimo disse...

E eu pergunto aos puristas: como ensinar Jorge Amado, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, José Lins do Rego, Adonias Filho ... partindo do purismo gramatical? Apaga tudo? Tá tudo errado? O falar popular, fonte maior de todos os idiomas, deve ser considerado inferior? É ruim ... kkkk

DesProf.PEIXOTO disse...

Desculpe-me por usar este espaço para pedir seu apoio. Peço porque reconheço vossa importância. Passei a seguir seu Blog e pretendo interagir com ele, mas preciso que faça o mesmo por mim. Sou novo nesse universo, sem seu apoio fica difícil minha caminhada. Peço que, então, siga o Blog do DesProf.Peixoto_http://moisespeixoto.blogspot.com
Muito obrigado!

Anônimo disse...

Por falar em concordância, não é "o EJA", mas sim "a EJA", posto que o artigo concorda com o substantivo, que nesse caso é feminino: a Educação.

Roberto Hobold disse...

A globo vai entrrevistar essa professora, e também pedirá desculpas por divulgar informação errada. Depois é só esperar o papai noel.

VLADIMIR LACERDA disse...

Naturalmente esta gramática maraviolhosa será adotada nas escolas públicas.Duvido que alguma escola particular a adote.Posr que? Por que a escola pública é o lugar onde toda porcaria vira experiência.Assim se garante que os filhos dos pobres fiquem aonde sempre estiveram o os abastados dominem.Se é tão bom por que então os concursos não usam a norma vulgar?é igual a kit gay será entregue nas instituições públicas e só.Será que é por que na elite não existe homofobia?

Richard Jakubaszko disse...

Muita gente comentou aqui e alhures, blogosfera afora, sobre o artigo da Daniela e sobre o livro em pauta. E muita gente escreveu besteira, conceitualmente, sem saber do que fala, sem ter lido o livro. Muita gente escreveu erraticamente, em desacordo com a norma culta. Criticaram o escrever (e falar) errado, sem perceber que escrevem errado.
Desconhecem que, para distribuir o livro, o MEC possui comissões técnicas de notáveis, professores e especialistas, sem vínculos políticos ou empregatícios, que analisam, avaliam e aprovam as obras editadas para a aquisição pelo MEC e sua distribuição entre determinadas áreas específicas (no caso o EJA) e de escolas. A mídia encarregou-se de politizar a polêmica, chegando a pedir a cabeça do ministro.
A nota da ONG Ação Educativa, que está publicada como comentário na sequência, esclarece, na minha opinião, de forma adequada, o imbróglio que se formou.
O livro em pauta não é para ser distribuído em toda a rede de escolas públicas, muito menos em escolas privadas.
Ô raça de gente mal informada que tem opinião distorcida sobre tudo!

Richard Jakubaszko disse...

Acessem o capítulo do livro na íntegra (não são links, o interessado deve copiar o link e colar no browser para chegar lá, o sistema de comentários do Google não permite a publicação de links, lamento):
http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/V6Cap1.pdf

Imprensa: Acesse aqui um kit de informações sobre o caso.
http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/ESCLARECIMENTOS_AE.pdf

Richard Jakubaszko disse...

AÇÃO EDUCATIVA - NOTA PÚBLICA
Livro para adultos não ensina erros.
Uma frase retirada da obra Por uma vida melhor, cuja responsabilidade pedagógica é da Ação Educativa, vem gerando enorme repercussão na mídia. A obra é destinada à Educação de Jovens e Adultos, modalidade que, pela primeira vez neste ano, teve a oportunidade de receber livros do Programa Nacional do Livro Didático. Por meio dele, o Ministério da Educação promove a avaliação de dezenas de obras apresentadas por editoras, submete-as à
avaliação de especialistas e depois oferece as aprovadas para que secretarias de educação e professores façam suas escolhas.

O trecho que gerou tantas polêmicas faz parte do capítulo "Escrever é diferente de falar". No tópico denominado "concordância entre palavras", os autores discutem a existência de variedades do português falado que admitem que substantivo e adjetivo não sejam flexionados para concordar com um artigo no plural. Na mesma página, os autores completam a explanação: "na norma culta, o verbo concorda, ao mesmo tempo, em número (singular - plural)
e em pessoa (1ª -2ª - 3ª) com o ser envolvido na ação que ele indica".

Afirmam também: "a norma culta existe tanto na linguagem escrita como na oral, ou seja, quando escrevemos um bilhete a um amigo, podemos ser informais, porém, quando escrevemos um requerimento, por exemplo, devemos ser formais, utilizando a norma culta".

Pode-se constatar, portanto, que os autores não estão se furtando a ensinar a norma culta, apenas indicam que existem outras variedades diferentes dessa. A abordagem é adequada, pois diversos especialistas em ensino de língua, assim como as orientações oficiais para a área, afirmam que tomar consciência da variante linguística que se usa e entender como a sociedade valoriza desigualmente as diferentes variantes pode ajudar na apropriação
da norma culta. Uma escola democrática deve ensinar as regras gramaticais a todos os alunos sem menosprezar a cultura em que estão inseridos e sem destituir a língua que falam de sua gramática, ainda que esta não esteja
codificada por escrito nem seja socialmente prestigiada. Defendemos a abordagem da obra por considerar que cabe à escola ensinar regras, mas sua função mais nobre é disseminar conhecimentos científicos e senso crítico,
para que as pessoas possam saber por que e quando usá-las.

O debate público é fundamental para promover a qualidade e equidade na educação. É preciso, entretanto, tomar cuidado com a divulgação de
matérias com intuitos políticos pouco educativos e afirmações desrespeitosas em
relação aos educadores. A Ação Educativa está disposta a promover um debate qualificado que possa efetivamente resultar em democratização da educação e da cultura. Vale lembrar que polêmicas como essa ocupam a imprensa desde
que o Modernismo brasileiro em 1922 incorporou a linguagem popular à literatura. Felizmente, desde então, o país mudou bastante. Muitas pessoas têm consciência de que não se deve discriminar ninguém pela forma como fala
ou pelo lugar de onde veio. Tais mudanças são possíveis, sem dúvida, porque cada vez mais brasileiros podem ir à escola tanto para aprender regras como para desenvolver o senso crítico.

Acesse o capítulo do livro na íntegra

maria angélica disse...

Dani, concordo plenamente contigo, adorei teu texto... Vários professores e alunos de Eja me perguntaram sobre tal polêmica e eu estava por fora. Mas eu já imaginava que se tratava disso, inclusive utilizo um livro didático que aborda registros orais em canções, em cordel, e sempre bati na tecla das questões de oralidade e do perigo da discriminação. Sabe que até os próprios alunos são preconceituosos entre eles e insisto que ali ninguém fala certo ou errado e que devemos respeitar os diferentes falares... O que me angustia são os doutores, ilustrados, (até colegas professores suuuuuper conservadores) perpetuando essa visão normativa que castra a beleza e a riqueza da língua. É um alento ler teu texto, tão esclarecedor e lúcido. Muito legal! Beijos e saudades....

Reg disse...

É aquela história, este livro tem como autores "estudiosos do tema variação linguística", portanto fizeram um livro pautado naquilo que eles são especialistas, linguística.
Está explicada a abordagem do livro e, correta a máxima que diz que cada um tem um olhar sobre um assunto, estudo, objeto, sei lá, a partir de suas experiências; neste caso o livro.
Mas o livro é para alunos de escolas públicas que devem aprender o português formal, e não estudos dos professores de variação linguística.
Impor sua visão linguística para estudo de português a alunos de escola pública é que não dá.
Muito elitista o livro, ao contrário do que possa parecer.
Um livro, que deveria ser simples, objetivo, direto, dada a precariedade da educação no Brasil.

Jair disse...

Depois de ler o capítulo mencionado do citado livro, cheguei a conclusão de que trata-se não apenas de um bom livro, mas de um livro essencial para o trabalho com os alunos da EJA. É um livro feito para os que acreditam que dominar um idioma e suas normas não é igual a ser repetidor de regras. Para levar o aluno ao domínio da norma culta, parte-se da língua real falada pela maioria deles. Só quem quer que o povo humilde continue sendo espoliado pelas "zelites" é que tem motivos para estar contra (e muito) a adoção deste livro. Só aqueles que desconhecem completamente as bases da linguística se manifestam contra. Nem os linguistas adeptos da direita e filiados a PSDB ou PPS têm coragem de participar desta campanha contra o livro. Eles são de direita, mas não têm como negar a correção da visão que pauta o citado livro. Espero que toda esta polêmica iniciada pelos setores cavernários de nossa sociedade sirva para fazer que professores, alunos e o povo em geral entendam que língua é algo vivo, em constante mutação, e que não existe certo ou errado definitivo. Como o livro bem menciona: é preciso saber como usar adequadamente as diferentes variações linguísticas. Ou seja, ensinar a norma culta, como faz o livro, transmitindo simultaneamente a compreensão de que a importância de aprendê-la não se deve a razões de "certo" ou "errado", e sim por motivos sociais. O curioso é notar que, por toda a blogosfera, os maiores adversários do citado livro são os que menos têm conhecimento de nossa língua, inclusive da norma culta à qual eles juram fidelidade.

Martins Andrade. disse...

Havia escrito um artigo sobre o tema, que somado com o da professora Daneilla deu mais qualidade ao que pensei.

Infelizmente o espaço aqui éinsuficiente para o texto.

Para lê-lo é só copiar esse endereço e colar no google de busca;
http://martinsandrade.wordpress.com/2011/05/21/o-coice-da-midia/

Leiam e deixem seus comentários.

Anônimo disse...

"Verrrrdees mareees bravioos de minha terrrra natal(lll), onde canta a jandaia nas frondes da carrrnaúba. Verrdes mares que brilhai como líquida esmeralda aos rrrraios do sol(LLL) nascente".... Isso era a minha professora de Português, no Paraná, dona Emerenciana. Sisuda, bonita, elegante. Professora. Nunca sorria para os alunos. Ensinava-nos a empostar a voz para ler os Salmos. Acho que era presbiteriana. Enquanto um aluno não conseguisse ler corretamente o poema acima, ela não passava de lição. Aprendemos o cult do mais culto. Se serviu para a minha vida prática. Não sei. É bom saber os dois estilos. Diversifica o saber. Não ocupa espaço. Que venha.