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sábado, 8 de maio de 2010

NOVOS ARES NA INTERNET - APRESENTAMOS O SUL 21


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Acabou-se o mistério. Na próxima segunda-feira, 10 de maio, por volta das 21 horas, entrará “no ar” o portal Sul 21, um jornal virtual diferente de tudo o que você já viu.
Como já anotou Marco Weissheimer, do RS Urgente, “os conceitos básicos que orientarão a linha editorial e o posicionamento do Sul 21 são os seguintes: foco predominante em temas políticos (entendendo a Política aí com “P” maiúsculo); qualidade da informação; busca de rigor na análise; postura crítica frente às desigualdades; permanente busca de diálogo, pluralidade e interatividade. O Sul 21 será um veículo de comunicação baseado em novas mídias colaborativas da Internet 2.0. O foco do jornal será a discussão sobre questões relevantes para o desenvolvimento da sociedade no Século 21, especialmente política e cultura, através de um olhar crítico em relação aos significados trabalhados pela mídia tradicional. Disputará qualidade e referência política, a partir de uma abordagem com humor, inteligência e colaboração”.
Como se vê, não é pouca coisa. A propósito, o próprio Weissheimer é um dos repórteres especiais do portal. O outro é ninguém menos que Elmar Bones, em cuja ficha corrida consta ter sido um dos fundadores do antológico Coojornal.
Não pretendemos aqui estragar as surpresas. Mas podemos adiantar que o Sul 21 conseguiu formar uma invejável seleção de craques, entre jornalistas, articulistas, intelectuais, blogueiros, humoristas e profissionais da imagem. O comando estará a cargo de Vera Spolidoro, jornalista de raro tino, que também assinará uma coluna.
Aí, você já deve estar perguntando aos seus botões: “tá, mas eu também poderei colaborar?”. Poderá, sim. O endereço para correspondência está logo abaixo, no final desta postagem. “Tá, mas vai estar no Twitter, no Facebook e no Orkut?” – você continuará indagando. Sim, sim e sim, responderemos. Aliás, o Twitter do Sul 21 já está fervendo aqui.
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Saia na frente e marque o Sul 21 em seus favoritos. E anote o endereço para correspondência: redacao@sul21.com.br

sexta-feira, 7 de maio de 2010

sexta-feira, 17 de abril de 2009

QUEM VENCEU O DEBATE

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Evento realizado em Porto Alegre na noite de ontem, por iniciativa do blog Jornalismo B, reuniu cerca de 60 pessoas na livraria-café Letras & Cia. O mote “Bloguismo e jornalismo: um novo caminho ou mais do mesmo?” foi explanado por Marco Aurélio Weissheimer (do RS Urgente), Adriano Santos (da equipe do Cel3uma) e Roger Lerina (Segundo Caderno de Zero Hora).
Você poderá ler a narração "ao vivo" do certame clicando aqui. E poderá ver algumas imagens da reunião aqui. Não houve derramamento de sangue. Pelo contrário, a discussão desenvolveu-se em elevado clima de civilidade, sem altercações. Primeiro a chegar e um dos últimos a sair, este cloaqueiro manteve a incógnita acerca de sua identidade civil e teve o privilégio de testemunhar o início de uma bem-vinda aglutinação da blogosfera independente em defesa da qualidade da informação. A verdadeira campeã da noite, pois, foi a cidadania.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

GLOBO DOBRA OS JOELHOS DIANTE DE UM HUMILDE BLOG

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Por motivos de foro íntimo, estivemos "fora do ar" durante alguns dias. Pelo que estamos constatando, coisas cabeludíssimas aconteceram em nossa "ausência" e, provavelmente, diante do ritmo com que os acontecimentos se sucedem, não daremos conta de tudo, como gostaríamos. Mas, não poderíamos deixar passar batido o desdobramento de um episódio que abordamos em nossa postagem do dia 24 de janeiro. Trata-se da crítica que fizemos à reportagem absurda e irresponsável publicada pela revista Época, e que mereceu, também, chamada escandalosa no portal G1, das Organizações Globo. Parece que eles não apenas andaram visitando nosso modesto cafofo cibernético, como resolveram, logo em seguida, fazer o que deveriam ter feito antes de publicar sua funesta matéria. Veja você: este impertinente, ranheta e insignificante Cloaca News obrigou a Globo, por meio de seu portal de notícias, a fazer Jornalismo, ainda que por um meteórico momento. Rememore nossa postagem clicando aqui. Em seguida, confira o que publicou o portal G1, no último dia 10, clicando aqui. Queremos dividir este "troféu" com nossos amigos da blogosfera independente, aliados na trincheira da contra-informação.

sábado, 24 de janeiro de 2009

EXCLUSIVO: A FRAUDE JORNALÍSTICA DOS "GÊMEOS DE MENGELE"

- Jornais de todo o mundo fazem sensacionalismo rasteiro com tese absurda de um livro delirante . - Imprensa brasileira irresponsável embarca de gaiata na canoa furada planetária . - Só a BBC Brasil escapa do vexame internacional . - Acompanhe, tintim por tintim, os disparates dessa história estarrecedora
Desde a tarde desta sexta-feira, 23, pipocam nos sites noticiosos da imprensa corporativa manchetes parecidas com essa, da revista Época: "Nazista Josef Mengele criou “cidade dos gêmeos” no Rio Grande do Sul, diz livro" . A notícia, em suma, dá publicidade ao livro "Mengele: el Ángel de la Muerte en Sudamérica" (Mengele: O Anjo da Morte na América do Sul), lançado no ano passado pelo jornalista argentino Jorge Camarasa. Em sua obra, o autor especula, de forma absolutamente empírica, que a incomum população de gêmeos da cidade gaúcha de Cândido Godói, a 550 quilômetros de Porto Alegre, teria sido fruto de "experiências genéticas" feitas pelo médico e criminoso nazista Joseph Mengele, nos anos 60, em suas andanças pela região. No caso da revista Época, a informação é tratada como verdade histórica, embora utilize o livro como "álibi" e qualifique seu autor como "historiador", coisa que Camarasa não é, nem nunca foi. Na prática, ao divulgar essa informação sem apresentar qualquer questionamento - como seria de se esperar diante de assunto tão delicado - a revista Época acabou legitimando as barbaridades do argentino. Trataremos disso mais adiante. Nossa perplexidade foi ao cume, de verdade, quando começamos a rastrear a origem do descalabro; acabamos descobrindo que o livro ganhara manchetes em praticamente todos os países deste mundo. E, curiosamente, todos os jornais e sites estavam destacando os mesmíssimos pontos pinçados pela Época: que os gêmeos de Cândido Godói eram resultado de manipulação genética de Mengele. Se tiver paciência, clique nos links a seguir e veja com seus próprios olhos (lembrando que são fruto de busca aleatória; há algumas centenas de outros veículos repetindo a mesma coisa). The Daily Telegraph - Reino Unido
Neste momento, julgamos oportuno informar que esse não é o primeiro livro de Camarasa, nem é a primeira vez que ele levanta essa tese macabra sobre a "origem" do fenômeno gemelar de Cândido Godói. Em 1995, o autor publicara a obra "Odessa al Sur" (Odessa ao Sul), em que lançou pela primeira vez a mesma hipótese descabida, em tom de fato comprovado. De qualquer forma, tempos depois, a suspeita acabou chegando ao conhecimento de um jornalista brasileiro, que resolveu tirar a história a limpo. Após alguns meses de minuciosa apuração, consultando sumidades científicas especializadas em nascimentos gemelares e entrevistando os próprios gêmeos no distrito rural de Cândido Godói onde são mais numerosos, o repórter teve seu trabalho publicado na edição brasileira da insuspeita revista National Geographic, em junho de 2002. O texto integral da reportagem pode ser lido aqui. Cabe registrar, ainda, que a referida matéria acabou sendo plagiada meses após sua publicação pelo televisivo Globo Repórter, da Rede Globo, em um dos blocos de programa que tratava de gêmeos. A denúncia do descaramento global foi registrada pelo site do Observatório da Imprensa, como se pode ler clicando aqui. O fato é que, hoje, 24 de janeiro, graças a uma turba de jornalistas e editores inescrupulosos, o mundo todo está lendo que os gêmeos de Cândido Godói são "crias" do nazista Joseph Mengele. Daqui para a frente, a pacata cidade de 7100 habitantes, que cultiva árvores frutíferas em suas calçadas, não terá mais sossego. Graças ao estigma que lhes foi pespegado, os pouco mais de 140 pares de gêmeos daquele rincão serão assediados por equipes de TV vindas de toda a parte. Serão mostrados como se fossem aberrações. E pobres daqueles que tiverem cabelos dourados e olhos azuis! Tudo porque um jornalista argentino descobriu, em suas "pesquisas históricas", que Joseph Mengele havia "desenvolvido um método pelo qual as vacas conseguiam parir dois bezerros". E que, a partir de sua passagem por Cândido Godói, em 1963, foi registrado o nascimento de um par de gêmeos a cada cinco partos normais, quando a média mundial é de um parto de gêmeos a cada 20 normais. Então, em nome da dignidade humana, vamos esclarecer que: 1- A primeira leva de colonos alemães a instalar-se em Cândido Godói chegou à região nos anos 30, e já trazia consigo 17 pares de gêmeos. A maioria desses imigrantes provinha da região de Hunsrück, onde a taxa de nascimentos gemelares sempre foi, e ainda é, considerada alta; 2- Estudo feito pela biológa Úrsula Matte, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, constatou que parte considerável da população de gêmeos naquela localidade é monozigótica, ou seja, fruto da divisão de um único óvulo, coisa que até hoje a Ciência não é capaz de fazer. O estudo da Dra. Matte foi publicado em respeitáveis publicações acadêmicas e científicas internacionais; 3 - Imaginar que um sujeito estranho, apresentado-se à comunidade como veterinário, pudesse convencer casais a se submeter a experimentos de fertilização, nos anos 60, sendo que a maioria das mulheres dali, naquela época, sequer havia visitado um ginecologista...francamente!!! 4 - Supor que um sujeito estranho, apresentando-se como veterinário capaz de fazer uma vaca parir dois bezerros, fosse capaz de convencer alguma mulher em perfeito juízo a ingerir o conteúdo de um vidrinho (como alega Camarasa) para ter gêmeos...isso é brincadeira!!! 5- Imaginar que um foragido como Mengele pudesse monitorar seus supostos "experimentos" permancendo na região durante o período de uma gestação...isso é zombaria!!! 6 - Mengele, também conhecido como o "Anjo da Morte", andou, sim, pela região de Cândido Godói, em 1963. Hospedou-se no "bolicho" (armazém) do Sr. Sigfried Schwertner - falecido há três anos - na vizinha cidade de Cerro Largo. Apresentou-se com outro nome - Rudolf Wiess - mas não escondeu ter pertencido à SS. Na conversa que manteve com o dono do armazém/hospedaria, relatou que na localidade de Santo Cristo, onde estivera antes, reunira-se com alguns moradores e dissera que, na Alemanha, "tinha realizado experiências com inseminação artificial em gado e até com seres humanos". E ressalvou que os presentes se indignaram, justificando que isto era contra a natureza e a religião não permitia tal coisa. Execramos absolutamente todos os jornais, revistas e portais de internet que estão tratando os delírios do autor argentino como fonte fidedigna. Abominamos cada um dos editores que, diante de uma "denúncia" dessa envergadura, não se dignaram a avaliar seu teor de razoabilidade e confiabilidade. E tiramos nosso chapéu apenas para a BBC Brasil que, ao dar a notícia da existência do tal livro, fez um contraponto com a opinião do geneticista Sérgio Danilo Pena, professor titular de Bioquímica da Universidade Federal de Minas Gerais -UFMG - , que qualificou a tese levantada pelo livro como "patética". Patético mesmo, em nossa humilde opinião, é esse jornalismo sem-vergonha, de manchetes irresponsáveis, que não apura; que prefere botar tudo entre aspas e que agora, diante da estupidez publicada , vai botar a "culpa" "no livro".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

SERRA MANDA, MARKUN OBEDECE: NASSIF É DECAPITADO NA TV TUCANA DA BARRA FUNDA

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O jornalista, compositor, bandolinista, pesquisador de choro e cronista Luis Nassif, 58 anos, anunciou nesta terça-feira sua defenestração da TV Cultura, de São Paulo. Em nota discreta, postada em seu premiado blog, ele escreveu: "Acabo de ser comunicado pelo Gabriel Priolli da não renovação do meu contrato com a TV Cultura. Paulo Markun transferiu a incumbência para o Priolli. No último prêmio Comunique-se foram três os jornalistas da Cultura indicados para a categoria TV: Heródoto Barbeiro, Markun e eu. Nenhuma surpresa para quem conhece o Markun". Autor, entre outras coisas, dos livros "O Jornalismo dos Anos 90" e "Os Cabeças-de-Planilha", o poços-caldense Nassif escreveu, também, o maior libelo contra o Jornalismo de Esgoto de que se tem notícia no Brasil, denunciando as práticas e os métodos da revista Veja (clique aqui para ler "O caso de Veja"). Comenta-se no bas-fond da Imprensa Corporativa que a próxima cabeça a rolar naquela várzea será a do atual ombudsman da emissora, Ernesto Rodrigues, que anda muito saliente.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

AS IMAGENS DE GAZA QUE OS JORNAIS NÃO MOSTRAM

Com a colaboração de nossa leitora Jaquelina, tomamos conhecimento do Gaza Talk, um site criado como uma ferramenta de resistência, com o objetivo de mostrar ao mundo o massacre que vem acontecendo em Gaza. Para ir direto lá, clique aqui.
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Abaixo, retratos do genocídio. São 265 fotos. Para acelerar a exibição, pressione + no canto inferior esquerdo da telinha de exibição.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

GOVERNO LULA: CULPADO POR TER CÃO E CULPADO POR NÃO TER CÃO

Atormentada por delírios ciclotímicos, a cada dia mais acentuados, imprensa golpista maltrata a verdade, atira em todas as direções e afoga-se em seus próprios dejetos
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Na última segunda-feira, a imprensalona fez coro para divulgar o press release da Associação Comercial de S.Paulo - valhacouto de demo-pefelentos: a estrela dos noticiários foi um tal "impostômetro", acusando o rompimento da "astronômica" cifra de um trilhão de reais arrecadados em tributos, em 2008. A "culpa", nesse caso, foi da voracidade dos governos, principalmente o federal, alvo das "reportagens" de encomenda. Fizeram gráficos, animações e o escambau para execrar o governo Lula, mas nada de contextualizar e relacionar o aumento da arrecadação com o crescimento da atividade econômica. No dia seguinte, como se a véspera não tivesse existido, a "grande notícia" foi justamente o anúncio oficial da "queda" da arrecadação federal. Veja o título da Folha: "Crise pesa e arrecadação cai 16,7% em novembro, segundo Receita". Note-se que a "crise" pesou na queda, mas o crescimento econômico não pesou na subida. Ainda assim, o texto não consegue disfarçar sua antinomia: "No ano, o crescimento acumulado na arrecadação recuou de 10,33% até outubro para 9,16% até novembro. Mesmo assim, o valor dos impostos e tributos atingiu o valor recorde de R$ 633,4 bilhões". O mesmo tratamento foi dado ao tema pelo G1, o portal da Globo, e pelo Estadão. Os textos, a propósito, são idênticos. A máfia midiática, definitivamente, entrou em surto de psicose maníaco-depressiva. O Cloaca News está chorando de rir.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

PERIODISMO DE MIERDA

Imprensa golpista boliviana leva chavascada de Evo Morales
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Depois de receber críticas de associações voltadas ao jornalismo que consideram que ele humilhou um jornalista durante um ato público, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que em seu país “não somente há liberdade” de expressão, mas também “libertinagem para que a imprensa ofenda a todos”. "Se não houvesse liberdade de expressão, não haveria a seguinte manchete: 'Evo negociou sinal verde com os contrabandistas'", disse ele em discurso. Segundo Morales, ele só tentou se defender quando obrigou, na última terça-feira, um repórter do jornal La Prensa a não sair do seu lado para entregar documentos que supostamente desmentem a notícia de que negociou com contrabandistas dois meses antes de estourar um escândalo na região de Pando, quando a Polícia deteve 33 caminhões que pretendiam passar ao Brasil. O jornalista, que não foi o autor da reportagem, ouviu de Morales que se não se aproximasse significaria que tinha mentido na matéria. Associações de imprensa, veículos de comunicação e opositores consideraram o ato uma humilhação. "Se esse periódico, 'La Prensa', comprovar que Evo negociou, apresente-me os documentos, terei a moral para desculpar-me, se não apresentar nenhum documento (...) o periódico deve se desculpar com Evo Morales, com o Governo e com o povo boliviano", disse o presidente.
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Sifu, muchachos!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

CONHEÇA O PROJETO QUE REVOGA A LEI DE IMPRENSA

Data venia, o Cloaca News apresenta abaixo o texto integral do Projeto de Lei que a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) apresentou à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A idéia é sepultar a Lei nº 5250, de 1967, assinada pelo ditador da ocasião, Humberto de Alencar Castelo Branco.
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PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 382, DE 2008 Dispõe sobre a liberdade de expressão e dá outras providências.
. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. 1º Todos são livres para expressar, por qualquer meio de comunicação e assegurado o sigilo de fonte, quaisquer informações, idéias, pensamentos, críticas e opiniões, sem espécie alguma de censura prévia no âmbito administrativo, respondendo, todavia, o autor e o órgão de divulgação pelos excessos ou abusos disso decorrentes, vedado o anonimato. Art. 2º Em caso de condenação judicial ao pagamento de indenização por danos civis em decorrência de abuso da liberdade de expressão, a sentença que reconhecer o dolo na veiculação da matéria publicada poderá, ante as circunstâncias do caso, até decuplicar o valor da indenização, independentemente de pedido nesse sentido. Parágrafo único. Em qualquer hipótese de procedência de ação por abuso da liberdade de expressão, a respectiva sentença deverá ser divulgada, às expensas do ofensor, no mesmo veículo de comunicação em que ocorreu o agravo, pelo triplo de vezes da sua ocorrência, podendo o valor da indenização ser liquidado e executado nos próprios autos. Art. 3º A reprodução de material obtido com autorização judicial, mas em segredo de justiça, constitui abuso do direito de informar, sujeitando-se o infrator aos acréscimos em decorrência da existência de dolo, a que se refere o caput do art. 2º, bem como às despesas de publicação da respectiva sentença, no mesmo veículo de comunicação em que se cometeu a ilegalidade, pelo décuplo de vezes de sua ocorrência, podendo o valor da indenização ser liquidado e executado nos próprios autos. Parágrafo único. No caso de veiculação de material obtido sem autorização judicial, os valores da condenação por danos civis serão multiplicados, obrigatoriamente, por cinqüenta, e a sentença publicada por cinqüenta vezes a ocorrência da ilegalidade, às expensas do infrator, podendo o valor correspondente ser liquidado e executado nos próprios autos. Art. 4º O segredo de justiça imposto aos autos de processo de qualquer natureza não poderá durar mais que dez anos do trânsito em julgado da respectiva decisão. Art. 5º Os crimes contra a honra praticados no âmbito da imprensa processam-se nos termos do Capítulo III da Lei 9.099, de 26 de setembro de 1995, só respondendo o agente pelo crime de calúnia. Art. 6º Na hipótese dos crimes de injúria e de difamação cometidos no âmbito da imprensa, os agentes só respondem criminalmente caso fique demonstrado que a informação veiculada não atende, a critério fundamentado do juiz, ao interesse público. Art. 7º A ação de direito de resposta por abuso do exercício da liberdade de expressão deve ser processada e julgada em juízo cível da localidade onde foi veiculada a matéria, do local de sua repercussão, ou no foro do domicilio do autor. Art. 8º Fica revogada a Lei nº 5.250, de 9 de fevereiro de 1967.
JUSTIFICAÇÃO A recente decisão do Supremo Tribunal Federal que suspendeu a eficácia de uma série de disposições da Lei de Imprensa (Lei nº 5.250/67) trouxe à tona o debate em torno da aplicação do preceito constitucional da liberdade de expressão e pensamento. O autêntico Estado de Direito pressupõe que a liberdade de expressão e pensamento não pode sofrer limitações de ordem política, sob qualquer forma de censura prévia, estando em plena consonância com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, o qual, ainda que por liminar, suspendeu a aplicação de uma série de artigos da Lei 5.250/67, de que trata a ação de Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 130/D.F., proposta pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), por intermédio do eminente e sempre combativo Deputado Federal Miro Teixeira. Dentre os vários méritos que tem a referida ação, destaca-se a tentativa de aprimorar o ordenamento jurídico, como de igual forma se faz através da proposição que se encaminha. Por outro lado, a maior atividade fiscalizadora, investigatória e punitiva desenvolvida pelo Estado-juiz nos últimos tempos não pode afastar, em absoluto, garantias constitucionais fincadas, por exemplo, nos princípios da inocência, do contraditório regular e substancial e da individuação/dosimetria da pena. Mas também não pode servir de obstáculo ao exercício de um direito elevado à garantia fundamental, que é a liberdade de trânsito da informação e expressão do pensamento, qualquer que seja seu matiz ideológico, ou sua forma de manifestação, inadmitida a censura prévia. Deve ser civil e criminalmente responsabilizado, claro, todo aquele que cometer excesso ou abuso, assim entendido toda e qualquer forma de transgressão aos preceitos de ordem legal ou moral; mesmo porque não existe exercício absoluto de direitos. Nessa toada, percebe-se que o projeto de lei ora proposto tenta simplificar relações que, segundo eminentes juristas, sequer deveriam ser reguladas por lei. Todavia, não nos parece seja essa a tradição legislativa existente no Brasil, haja vista que se encontram no nosso ordenamento jurídico grande quantidade de leis, algumas das quais “pegam”, outras nem tanto. Preocupamo-nos, ao elaborarmos a presente matéria, em distinguir bem a situação em que o dano é considerado pela perspectiva da conduta e dos interesses que porventura possam ocorrer pela malversação de tão fundamental e importante liberdade, de forma que estamos propondo que a responsabilidade civil continue a ser subjetiva nesses casos, a despeito da evolução legislativa que se tem observado ultimamente, fazendo-se supor que tal medida iria de encontro aos avanços e a algumas conquistas fundadas na responsabilidade sem culpa. Entretanto, pensamos não ser este o caso, em se tratando de liberdade de imprensa. Não se discute – e quanto a isso não parece haver dissensão – a respeito do fundamental papel que a imprensa livre exerce no controle da democracia. Referimo-nos ao jornalista que, naquele momento, ante a um fato (de qualquer natureza), se veja no dilema de decidir entre o dever de informar (respaldado pela liberdade de expressão, que, no nosso entender, é mais dos cidadãos que propriamente das empresas de comunicação) e a preservação da integridade imaterial (moral e de imagem) de quem quer que seja. Nesses casos, deve o profissional da comunicação saber dosar a necessidade de apuração e corroboração da informação, mesmo que seja tentando, minimamente, ouvir “o outro lado”, à vista, sempre, da supremacia do interesse público, que, repetimos, parte da regra que tem de ser veiculada toda e qualquer informação de interesse da coletividade. Nada além, a propósito, do que já se faz nas redações dos grandes jornais deste País, como também do que já consta de seus respectivos manuais. Queremos dizer que defendemos uma imprensa livre, mas também responsável. Não correspondendo a notícia à verdade e ao interesse público, e causando dano a particular, deverá ser atribuída uma indenização a quem reclamar perante o Judiciário. Por culpa, nos moldes já hoje praticados. A inovação fica por conta do dolo e da má-fé, apuráveis segundo o livre convencimento motivado do magistrado, por ocasião da prolação da sentença e ante as provas constantes dos autos. Portanto, a intenção do caput do art. 2º deste projeto é criar mecanismo de peso e contrapeso a uma garantia de informação que, por óbvio, não é absoluta, nem nos regimes mais fundamentalistas. Havendo dolo ou fundada má-fé, constatados, naturalmente, a partir de prova colhida em instrução processual, a malversação desse fundamental direito de expressão deve merecer severa reprimenda, capaz de inibir práticas desse jaez. Desse modo, propomos que o valor da sentença possa ser até decuplicado, a critério do juiz da causa, independentemente de pedido. Em caso de divulgação de material, reprodução total ou parcial de elementos de prova obtidos com autorização judicial, em processo que tramitou ou tramita em segredo de justiça, a violação do sigilo constitui infração gravíssima. Daí a razão de a condenação dever ser, necessariamente – ou seja, independentemente de critério avaliativo e tão só pela natureza do caso – multiplicado por dez, como também por dez vezes deverá ser publicada a sentença em razão de cada agravo, já considerada aqui a avaliação do juiz em até decuplicar o valor inicialmente formulado. Outrossim, é natural que, na hipótese mais grave ainda de veiculação de material obtido sem autorização judicial, os valores em referência aumentem para cinqüenta vezes. O mesmo se diga da publicação integral da decisão judicial (de qualquer esfera) – já salientando que permanece hígido o direito constitucional de resposta (art. 5º, V, CF) – só que, aqui, a quantidade (três vezes) já é apontada como determinada por lei, ao invés de se submeter ao critério do juiz. A mesma justificativa para aumento dos valores da condenação para o caso de divulgação de material em segredo de justiça ou obtido sem autorização judicial serve para explicar as hipóteses de majoração das vezes de publicação da sentença. As despesas, por óbvio, correm à conta do ofensor e do órgão responsável pela veiculação. No âmbito criminal, somente a hipótese da calúnia deverá ser objeto de persecução criminal, não podendo o jornalista trabalhar com o receio de que um deslize, especialmente com base na culpa (imprudência, negligência ou imperícia), possa lhe trazer sanções criminais. Por tais razões, esperamos contar com o apoio dos ilustres pares para a aprovação dessa matéria. Sala das Sessões, Senadora SERYS SLHESSARENKO

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

ANÚNCIO FÚNEBRE : OS JORNALISTAS ESTÃO ENTERRANDO O JORNALISMO!

Da lavra de Geneton Moraes Neto .
Começa a chover. Não me ocorre outra idéia para me proteger do aguaceiro: paro na banca para comprar um jornal. Em época de "crise econômica", eis um belo investimento, com retorno imediato: além de me brindar com notícias interessantes, o jornal, quando dobrado e erguido sobre a cabeça, cumpre garbosamente a função de guarda-chuva. O jornal é de São Paulo. Poderia - perfeitamente - ser do Rio de Janeiro ou de qualquer outro estado brasileiro. Eu disse "notícias interessantes"? Em nome da verdade, retiro o que disse. Pelo seguinte: não sou nenhum fanático por informação, não passo quatorze horas por dia conectado, não sou desses jornalistas que, à falta do que fazer na vida, acham que não existe nada sob o sol além do jornalismo. Em suma: considero-me apenas um consumidor mediano de notícias. Ainda assim, eu já sabia de noventa e cinco por cento do que aquele jornal tentava me dizer na primeira página. O que o jornal me dizia, nos títulos ? Que o São Paulo "abre cinco pontos sobre o Grêmio". Que novidade! Qualquer criança de dois anos que tivesse passado diante de um aparelho de TV na véspera já sabia. Nem preciso falar da Internet. "Chuvas em Santa Catarina matam 20". Que novidade! "Obama divulga nomes de cargos-chave". Que novidade! "EUA podem injetar até US$ 100 bi no Citigroup". Que novidade! Não é exagero: eu já tinha recebido todas essas informações na véspera. Tive a tentação de voltar à banca, para pedir meus dois reais e cinquenta de volta. Mas, não: resolvi dar um crédito de confiança ao jornal. Quem sabe, como guarda-chuva ele teria uma atuação melhor. Teve. De tudo o que estava nos títulos da primeira página do jornal, só uma informação era "novidade" para mim: "Brasil será o único país do mundo que não eliminou hanseníase". Conclusão: o jornal estava me oferecendo pouco, muito pouco, pouquíssimo. Tenho certeza absoluta de que milhares de leitores, quando abrem os jornais de manhã, são invadidos pela mesmíssimo sentimento: em nome de São Gutemberg, para quem estes jornalistas acham que estão escrevendo ? Em que planeta os editores de primeira página vivem? Por acaso eles pensam que os leitores são marcianos recém-desembarcados no planeta? Ninguém avisou a esses jornalistas que a TV e os milhões de sites de notícias já divulgaram, desde a véspera, as mesmíssimas informações que eles agora repetem feito papagaios no nobilíssimo espaço da primeira página? Os autores dessas obras-primas (primeiras páginas que não trazem uma única novidade para o leitor médio!) são, com certeza, jornalistas que temem pelo futuro do jornal impresso. É triste dizer, mas eles estão cobertos de razão: feitos desse jeito, os jornais impressos estão, sim, caminhando celeremente para o mausoléu. Não resistirão. Os coveiros da imprensa estão trabalhando freneticamente: são aqueles profissionais que aplicam cem por cento de suas energias para conceber produtos burocráticos, óbvios, chatos, soporíferos e repetitivos. Em suma: os jornalistas estão matando o jornalismo. Quem já passou quinze segundos numa redação é perfeitamente capaz de identificar os coveiros do jornalismo: são burocratas entediados e pretensiosos que vivem erguendo barreiras para impedir que histórias interessantes cheguem ao conhecimento do público. Ou então queimam neurônios tentando descobrir qual é a maneira menos atraente, mais fria e mais burocrática de transmitir ao público algo que, na essência, pode ser espetacular e surpreendente: a Grande Marcha dos Fatos. Qualquer criança desdentada sabe que não existe nada tão fácil na profissão quanto "derrubar" uma matéria. Há sempre um idiota de plantão para dizer : "ah, não, o jornal X já deu uma nota sobre esse assunto"; "ah, não, o jornal Y publicou há trinta anos algo parecido" e assim por diante. O resultado desse exercício de trucidamento jornalístico é o que se vê: uma imprensa chata, chata, chata, chata. É raríssimo aparecer um salvador de pátria que pergunte: por que jogar notícias no lixo, oh paspalhos? Por que é que vocês não procuram uma maneira interessante e original de contar - e oferecer ao publico - uma história? Haverá sempre uma saída! A regra vale para jornal impresso, revista, rádio, TV, internet, o escambau. Mas, não. Contam-se nos dedos da mão de um mutilado de guerra os jornalistas que devotam o melhor de suas energias para fazer um jornalismo vívido e interessante. Já os burocratas e assassinos, numerosíssimos, continuam golpeando o Jornalismo aos poucos. Vão matá-lo, cedo ou tarde, é claro. Não há organismo que resista à repetição dos botes dos abutres (um dia, quando estiver prostrado à beira de um pedaço de mar verde da porção nordeste do Brasil, farei - de memória - uma lista dos crimes que já vi serem cometidos, impunemente, nas redações. Se tiver paciência para juntar sujeito e predicado, prometo que farei um post. Almas ingênuas podem acreditar que absurdos não acontecem com frequência nos zoológicos jornalísticos. Mas, em verdade, vos digo: acontecem, diariamente. O pior, o trágico, o cômico, o indefensável é que os assassinos do Jornalismo são gratificados com férias, décimo-terceiro, plano de saúde, aposentadoria, seguro de vida e vale-alimentação. Detalhe: lá no fundo, devem achar que ganham pouco....Quá-quá-quá). Um detalhe inacreditável: em qualquer roda de conversa numa redação, em qualquer congresso (zzzzzzzzzzz) de Jornalismo, é possível ouvir que há saídas simplíssimas. Bastaria tomar - por exemplo - providências estritamente "técnicas": em vez de repetir papagaiamente(*) nos títulos aquilo que a TV e a internet já cansaram de divulgar, por que é que os jornais não destacam na primeira página a informação inédita, o ângulo pouco explorado, o detalhe capaz de prender a atenção do coitado do leitor na banca? Pode parecer o óbvio dos óbvios, mas nenhum jornal faz. Qualquer lesma semi-alfabetizada sabe, mas nenhum jornal faz. Se fizessem este esforço, os jornais poderiam, quem sabe, atiçar a curiosidade do leitor indefeso que entra numa banca em busca de uma leitura atraente. Coitado. Não encontrará. É mais fácil encontrar um neurônio em atividade no cérebro de Gretchen. Fiz um teste que poderia ser aplicado a qualquer estagiário de jornalismo: tentar achar, no exemplar que tenho em mãos, informações que rendam títulos menos burocráticos e mais atraentes do que os que o jornal trouxe na primeira página. Em quinze segundos, pude constatar que havia,sim, no texto das matérias, informações mais interessantes do que as que foram destacadas nos títulos óbvios. Um exemplo, entre tantos: a chamada do futebol na primeira página dizia "São Paulo abre 5 pontos sobre o Grêmio". Por que não algo como "TREINADOR PROÍBE COMEMORAÇÃO ANTECIPADA NO SÃO PAULO" ou "JOGADORES DO SÃO PAULO PROBIDOS DE IR A PROGRAMAS DE TV"? A matéria sobre as enchentes dizia que, depois do maior temporal dos últimos dez anos, Santa Catarina enfrentava racionamento de água potável - um duplo castigo. E assim por diante. Daria para fazer dez chamadas diferentes. Mas.....o jornal repete na manchete o que a TV já tinha dito. Quanto ao futebol: com toda certeza, as informações que ficaram escondidas no texto eram mais atraentes do que a mera contagem de pontos que o jornal estampou no título da primeira página! Afinal, cem por cento dos torcedores do São Paulo já sabiam, desde a véspera, que o time disparara na liderança. Não é exagero dizer: cem por cento sabiam. Mas, a não ser os fanáticos por resenhas esportivas, poucos sabiam que o treinador tinha proibido os jogadores de participarem de programas de TV, para evitar comemorações antecipadas. Por que, então, esconder o detalhe mais interessante? É o que os editores fazem: tratam de sepultar a informação mais atraente em algum parágrafo remoto, lá dentro do jornal. Depois, querem que o leitor saia da banca satisfeito por ter pago para ler o que já sabia.... Estão loucos. Resumo da ópera: os assassinos do Jornalismo, comprovadamente, são os jornalistas. É uma gentalha pretensiosa porque acha que pode decidir, impunemente, o que é que o leitor deve saber. Coitados. O que os abutres fazem, na maior parte do tempo, em todas as redações, sem exceção, é simplesmente tornar chata e burocrática uma profissão que, em tese, tinha tudo para ser vibrante e atraente. Mas nem tudo há de se perder. Os jornais podem, perfeitamente, ser usados como guarda-chuva. Fiz o teste. O resultado foi bom: cheguei tecnicamente enxuto ao destino.
(*)Papagaiamente: neologismo que acabo de criar, iluminado por uma inspiração animalesca.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O Jornal Nacional e as "ordens superiores"

Notícia lida de boca cheia pelo William Hommer, em bloco intermediário do Jornal Nacional desta quarta-feira, informou que Tereza Grossi, ex-diretora de Fiscalização do Banco Central - sob a gestão do economista pilantra Chico Lopes - foi absolvida da acusação de peculato pelo Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro. Na decisão da Corte, os desembargadores alegaram que ela "apenas obedeceu a ordens superiores". Curiosamente, o marido de Fátima não informou de onde partiram as "ordens superiores". E - oh! que surpresa! - não disse palavra sobre a que governo a ré servia na ocasião do crime. Para coroar a emissão de seu dejeto, o arrebatado âncora do telejornal mais assistido do país deixou de dizer que a tal sentença não é definitiva, visto que caberá recurso ao Superior Tribunal de Justiça. Como dizia o inglês G. K. Chesterton: " o jornalismo consiste basicamente em dizer 'Lord Jones morreu' para pessoas que nunca souberam que Lord Jones estava vivo".

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Não é só aqui

Para não abrir o bico, jornalistas exigem dinheiro
Despacho da agência Reuters informa que o governo chinês investiga "jornalistas" – alguns profissionais, outros não – que teriam pedido dinheiro ao proprietário de uma mina de carvão para não publicarem informações sobre um acidente que matou uma pessoa. Segundo o diário Beijing News, a mina não comunicou a morte ao governo local, na província de Shanxi, quando o episódio aconteceu, em setembro. O proprietário acabou sendo multado em US$ 1.170. As minas de carvão na China são as mais perigosas do mundo; apenas no ano passado, quase quatro mil pessoas morreram em acidentes. Esquemas envolvendo jornalistas e pessoas que se passam por repórteres para pedir dinheiro a fim de não divulgar estes incidentes são comuns naquele país. Em outubro, foram presos quatro homens que tentavam extorquir dinheiro de um funcionário do governo local, ameaçando escrever informações sobre o abuso do uso de energia pelo governo. Em janeiro, um repórter de um jornal de Pequim foi morto a pancadas durante uma investigação sobre uma mina de carvão não licenciada em Shanxi. Ele não tinha credencial de imprensa e estaria subornando os proprietários da mina.
Nós, que não estamos acostumados a essas coisas, estranhamos muito, não é?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Manchetes antológicas

Um teólogo francês, após exaustivas pesquisas, descobriu que Santa Terezinha teve três filhos. A descoberta, absolutamente, não comprometia o prestígio da santa, já que nada mais santo para uma mulher que ser mãe. Mas como constava no seu processo de canonização que ela era virgem, foi nomeada uma comissão no Vaticano para rever o processo. A notícia era só essa. Todos os jornais a publicaram discretamente, como convinha a uma notícia de caráter religioso, numa página interna. Todos não. O Luta Democrática, antigo jornal carioca especializado em assuntos policiais, estava sem manchete naquele dia. E quem pagou o pato foi a pobre Santa Terezinha. Na primeira página, em letras garrafais, ao lado de uma foto da santa, saiu a seguinte manchete: “PASSAVA POR VIRGEM”. Uma questão de estilo. O Estado de S. Paulo, por exemplo, a despeito de seu atual estágio de dejetório, sempre foi o máximo em discrição. Seu leitor habitual sempre soube que não é o título que o atrairá para a notícia, tal o esforço que o jornal faz (ou fazia) para limpar o sensacionalismo de qualquer notícia. Por exemplo: quando morreu o cantor Francisco Alves, o Brasil inteiro parou. Todas as emissoras de rádio modificaram sua programação normal para transmitir as músicas do cantor. Os jornais deram a notícia do acidente que o matou em manchete de primeira página. Mas O Estado de S.Paulo manteve sua discrição e deu a notícia com o seguinte título: “ACIDENTE NA VIA DUTRA”. Conclusão: leitor do Estadão que não se interessa por acidentes de trânsito não sabe até hoje que Francisco Alves morreu. Se para o diário dos quatrocentões da Marginal Tietê o título não é tão importante assim, para quase todos os jornais ele é quase fundamental. Tanto que, pelos idos de 1940, o extinto vespertino A Noite, do Rio de Janeiro, dava um prêmio de cem mil réis ao redator que fizesse a melhor machete da semana. Orestes Barbosa, o compositor de Chão de Estrelas, era redator de A Noite e ganhou o prêmio numa semana em que deu o seguinte título para a notícia de uma mulher que havia castrado o marido porque este a traía diariamente: “CORTOU O MAL PELA RAIZ”. Adultério e castração sempre foram excelentes assuntos para manchetes de jornais policiais. O inesquecível Notícias Populares, de São Paulo, e O Dia e Luta Democrática, do Rio de Janeiro, adoravam um bom adultério e cada um explorava-o à sua maneira. Quando não era encontrada uma frase apenas para vender o assunto à primeira vista, o jornal colocava outra frase, antes ou depois do título. Assim, para um caso de adultério, O Dia publicou: “Pensou que era dor de dente mas a verdade era outra... O GEMIDO ERA IMORAL”. Nesta, o clímax vinha na manchete propriamente dita, mas nesta outra, também de O Dia, vinha na frase subseqüente: “QUASE FOI CASTRADO A DENTE ...Se não dou meu pulinho para trás, nunca mais...” (a notícia era de um camarada que foi atacado por um cachorro quando este entrava numa casa). Uma boa técnica de manchete de jornais policiais é a do duplo sentido. O Luta, só pelo duplo sentido, levou para manchete a simples notícia de uma jovem fora internada em um pronto-socorro intoxicada por um hot dog: “CACHORRO FEZ MAL À MOÇA”. O Dia foi um pouco mais sutil na manchete publicada no dia seguinte ao que o cantor Sérgio Ricardo atirou seu violão sobre a platéia da TV Record, de São Paulo, num de seus festivais de música popular: “VIOLADA NO AUDITÓRIO”. Há quem despreze esse tipo de jornalismo. Mas só quem o faz sabe que ele exige um grande esforço criativo, pois as notícias diárias são praticamente as mesmas, só mudam os nomes: assassinatos, acidentes de trânsito, suicídios etc. Apostamos com o leitor: um jornal qualquer, de grande circulação, publicará os seguintes títulos às vésperas de Finados: “FLORES SERÃO TABELADAS” ou FLORES NÃO SERÃO TABELADAS”. E mais uma reportagem sobre o preço dos enterros, com um título considerado na hora como um grande achado: “O PREÇO DO ENTERRO PELA HORA DA MORTE”. É preciso que, anualmente, o secretário de redação dê uma olhada na coleção de jornais dos anos anteriores, para não repetir os titulos. Mas, sem exagerar, para não acontecer o que aconteceu com a Folha de S. Paulo, que certa vez deu o seguinte título para uma matéria sobre o preço dos enterros: “JÁ NÃO VALE A PENA MORRER”. Como se um dia já tivesse valido a pena... O título é importante, inclusive, numa crítica de cinema, teatro, literatura etc. Por exemplo: há muitos anos, quando José Mauro de Vasconcelos lançou um livro, bastou ler o título da crítica, feita pelo Jornal da Tarde, para saber que o crítico não tinha gostado nem um bocadinho do livro: “JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS ANDOU ESCREVENDO OUTRA VEZ”. Os anos da chamada Guerra Fria indicavam um confronto iminente entre Estados Unidos e União Soviética. Os comunistas brasileiros faziam tudo para prejudicar o prestígio ianque no Brasil. É verdade que exageravam de vez em quando, como na prisão do engraxate Zé Bodinho, em Fortaleza, acusado de vender o jornal comunista O Democrata. Eis a manchete publicada no dia seguinte ao da prisão: “TRUMMAN MANDA ESPANCAR ZÉ BODINHO” (naturalmente, entre um problema e outro relacionado com a Guerra da Coréia, o presidente Harry Trumman reuniu seus principais assessores para tratar do caso Zé Bodinho, o seu terrível inimigo do Ceará). Mas não é só polícia e política que dão títulos interessantes. Há um de esporte, feito por Armando Nogueira, para uma matéria sobre o jogador Ademir da Guia, no início de sua carreira: “ADEMIR DA GUIA: NOME, SOBRENOME E FUTEBOL DE CRAQUE” (para quem não sabe, Ademir – do Vasco – foi o artilheiro da Copa de 50, e Da Guia era o Domingos, pai de Ademir, do Palmeiras). Há uma enorme variedade de assuntos para títulos. Até a Botânica poderia ter contribuído para uma manchete, se fosse aceita a sugestão de José Ramos Tinhorão, num dia em que o antigo DIÁRIO CARIOCA estava sem assunto para manchete. Tinhorão descobriu um telegrama informando que cientistas russos, após demoradas pesquisas, conseguiram que um planta florescesse em plena neve, no Círculo Ártico. A manchete sugerida por Tinhorão, infelizmente, foi recusada: “NASCE UMA FLOR NO POLO NORTE”.

Análise bacteriana

Nem precisa de microscópio

A olho nu, percebe-se facilmente que o Jornalismo de Esgoto dispensa enorme apreço aos seus coliformes favoritos.