segunda-feira, 8 de abril de 2013

AZENHA SOLTA O VERBO


Luiz Carlos Azenha: “Processos contra blogs são decisões políticas com o objetivo de intimidar”

Por Rachel Duarte, no portal Sul21
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Ex-correspondente da Rede Globo em Nova York, o jornalista Luiz Carlos Azenha mantém há mais de 10 anos um dos blogs progressistas mais influentes do Brasil. Recentemente condenado, em primeira instância, a pagar R$ 30 mil ao diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, por suposta campanha difamatória na rede, Azenha anunciou o fim do Viomundo. Em entrevista ao Sul21, ele explica a atitude emocionada e diz que está batalhando para alcançar recursos para manter-se ativo na blogosfera. Contrário a ideia de receber verbas publicitárias dos governos, ele defende que esta desvinculação permite a liberdade de conteúdo crítico. “Porém, o Viomundo é um blog de esquerda, o que dificulta a conquista de patrocinadores que queiram se relacionar com o nosso conteúdo”, fala.
Desde o resultado do processo judicial, há duas semanas, o jornalista Luiz Carlos Azenha acabou movimentando uma campanha espontânea de apoiadores contrários ao monopólio da comunicação no país. Políticos e militantes utilizaram o caso para criticar a política do governo Dilma que pouco avançou para um Marco Regulatório das Comunicações. “A política do governo federal deveria estimular em todos os campos a diversidade. Porque quando você estimula o a diversidade, estimula o debate político, e encontra outros caminhos, alternativas”, afirma o jornalista.
Segundo ele, com o avanço da internet e da horizontalidade da informação na rede, as grandes empresas veem o seu modelo de negócio ameaçado. Este é o principal motivo pelo qual elas optariam pelo caminho da judicialização a fim de calar as vozes dissidentes. “Se houvesse opção em debater política, poderia ser exigido o direito de resposta.  O direito de resposta tem que existir na legislação brasileira. Isto não é regulamentado porque não é bom para a grande imprensa”, afirma.

Sul21 – Como está a tua vida agora, terá que pagar os R$ 30 mil do processo judicial ou tem possibilidade de recorrer da decisão? Vai mesmo fechar o blog Viomundo?
Luiz Carlos Azenha - Eu tomei uma atitude emocionada no final de semana em que saiu o resultado do meu processo. Não vai acabar. Vamos tentar financiar o blog de outra forma. Como não aceitamos apoio de empresas públicas, estatais ou governos, nosso nicho de patrocínio em potencial é o Google e as empresas privadas. Porém, o Viomundo é um blog de esquerda, o que dificulta a conquista de patrocinadores que queiram se relacionar com o nosso conteúdo. Criticamos todo mundo. Já criticamos os governadores Tarso Genro (RS) e Jaques Wagner (BA) em razão da greve dos professores. Já criticamos o governador Eduardo Campos (PE) por ter um monte de parentes no governo. Os leilões do petróleo do governo Dilma também. Já criticamos o governo Lula pela demissão do ex-diretor geral da Polícia Federal durante a Operação Satiagraha. Então, é muito difícil eu conseguir um patrocínio do banco Itaú, por exemplo, se eu coloco na capa do blog o Requião [o senador Roberto Requião] dizendo que o Itaú paga as viagens do Fernando Henrique para falar mal do Brasil. Mas eu não abro mão de denunciar isso. O que dificulta a nossa própria sobrevivência. Sem falar dos altos custos com advogados. Eu, um assalariado, tendo que gastar R$ 60 mil para pagar um bom advogado para me defender das denúncias que faço é outra dificuldade. Eu faço meu blog de dentro da minha casa. Eu tenho uma rede de colaboradores interessados em fazer comunicação de forma independente. Mas não temos assessoria jurídica. Eu sou pessoa física. O dinheiro do meu salário e o banner do Google é que sustentam o blog, o que não dá renda para cobrir os custos. Para avançar, temos que ter financiamento alternativo. Vamos tentar financiamento junto aos leitores. Buscar parcerias.


Sul21 – Como é passar de ex-funcionário a processado pela Rede Globo?
Luiz Carlos Azenha - Eu fui empregado deles durante muitos anos. Comecei minha carreira na Rede Globo e não faz diferença para mim. Eu poderia ter sido processado por qualquer outra emissora. Não tem ‘sensação’ em relação a isso. Ocorreram fatos e existiu uma disputa judicial porque o diretor Ali Kamel acredita que foi difamado por uma série de posts que eu fiz. Eram posts relacionados a um determinado momento político que eu, como testemunha interna da Globo, observei. Assim como há outras pessoas que trabalharam na emissora que também observaram que a Globo não teve uma cobertura imparcial nas eleições de 2006. Dentre eles Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Melo, Cecília Negrão, Carlos Dorneles e muitos outros que eu não posso citar porque continuam dentro da Globo.
Sul21 – A suposta campanha difamatória que tu fizeste contra o diretor Ali Kamel teve relação com os vídeos exibidos pelo Cloaca News? Qual foi o objeto da tua acusação?

Luiz Carlos Azenha - O que eu acredito que fiz com ele (Ali Kamel) foram críticas políticas relacionadas aquele momento político em que ele atuava, com certeza, como chefe da Globo. Embora ele tenha dito no processo judicial — pelo menos a juíza assim acreditou — que ele era submetido a um Conselho Editorial. Quem está dentro da redação da Globo sabe que as determinações eram sempre dadas por ele, seja direta ou indiretamente.

Sul21 – Além de ti, outros ex-funcionários da Globo, como Rodrigo Vianna e o Marco Aurélio Mello também foram processados pela emissora.
Luiz Carlos Azenha - Foram cinco processos ao mesmo tempo. Além de mim, foram processados o Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello, Luis Nassif e o Cloaca News. O Paulo Henrique Amorim também foi processado, mas creio que por outro motivo. Em todos os processos são citados o episódio da homonímia entre ele e um ator pornô, que de fato existe porque há um filme onde é creditado o nome Ali Kamel. Este vídeo foi divulgado pelo Cloaca News, que é um blog satírico. A partir de então, passamos a fazer piada com o fato adotando o termo ‘pornojornalismo’. Existe até um livro que fala em ‘pornopolítica’, nós adotamos o ‘pornojornalimo’ de gozação, que é uma das características da blogosfera. O Ali Kamel é uma figura importante dentro da Globo. Não podemos dizer que ele não tem importância e por isso nós o estávamos perseguindo. Quem é o meu blog, o Viomundo, para perseguir um homem que tem um poder avassalador? Embora na sentença ele (Ali Kamel) alegue que não seja o diretor da organização de todas as associadas, é óbvio que uma pessoa com relação direta com os patrões de uma grande empresa tem pelo menos poder de influência. Dentro do quadro da Globo, a minha relação com Ali Kamel foi uma relação de poder. Especialmente na editoria de política. Tanto que, quando eu fui cobrir uma denúncia contra caixa 2 envolvendo o PT, em Brasília, todas as decisões partiam dele (Ali Kamel) e eram repassadas a mim por uma mulher. Era uma preposta dele que eu não vou dizer o nome. Eu sei, por ter visto de dentro, que todas as questões políticas eram definidas por ele dentro da redação. Os advogados dele também alegaram que eu fui demitido da Globo e que por esta razão eu teria um acerto de contas para fazer com ele. É mentira. Eu pedi rescisão do contrato antecipada em um ano, abrindo mão de um dinheiro enorme que teria direito, em razão das ações que estavam sendo tomadas ao longo de 2006. Eu considero que houve assédio moral contra a minha pessoa quando um preposto do Ali Kamel me procurou na redação com rádio na mão para que eu assinasse um abaixo-assinado para cobertura da Globo nas eleições de 2006. Isso é assédio moral. É o mesmo que o Palácio do Planalto fazer um abaixo-assinado para que os ministros apoiem a Dilma. Quem irá assinar contra? Eu não assinei o abaixo-assinado. Eu não achei a cobertura das eleições de 2006 imparcial e disse isso ao preposto, que hoje ocupa um cargo importante. Aliás, todos os que assinaram o abaixo-assinado subiram de cargo. Meu argumento foi o comentário do Arnaldo Jabor sobre o Lula ser parecido com o ditador da Coreia do Norte (Kim Jong-il). Eu não considero que o comentarista de uma emissora, quando faz uma comparação destas, sem fazer um comentário sobre qualquer outro adversário equivalente, está sendo imparcial. Ele (preposto de Ali Kamel) disse que não contava considerar este exemplo porque ‘o Arnaldo Jabor é o nosso clown’. Eu acho que vale. As pessoas que estão em casa estão recebendo a informação igual. Embora eu não tenha participado de reuniões como meus ex-colegas da Globo de São Paulo que reclamaram diretamente sobre a parcialidade da emissora, há muitos testemunhos disso. Eu acabei sendo escalado a fazer uma reportagem que seria de ‘reparação’ a este quadro de imparcialidade que estava sendo cobrado internamente. Seria uma matéria para esclarecer uma denúncia atribuída ao governo Lula sobre esquema envolvendo ambulâncias. O que se descobriu mais tarde é que esta máfia foi herdada do governo Fernando Henrique Cardoso. Eu dizia no final da matéria que 70% das ambulâncias distribuídas irregularmente foram distribuídas ainda durante o governo FHC, quando José Serra era ministro da Saúde. Foi uma matéria realizada com o esforço conjunto de colegas e fartos recursos e nunca foi ao ar.
Sul21 – Existem fortes especulações de críticos à Rede Globo, especialmente na blogosfera, de que há uma intimidação sistemática para calar determinadas pessoas contrárias a esta orientação política dentro da emissora.
Luiz Carlos Azenha - Eu entrei na Globo em 1980 quando ocorriam as greves do ABC. A Globo optava em não cobrir estas greves, inclusive nós éramos cobrados quando estávamos nas ruas. Existia uma orientação interna para não cobrir as Diretas também, mas existia uma redação composta por muitas pessoas de esquerda. Isso oxigenava um pouco a emissora. A diferença entre esta Globo dos anos 80 e a Globo de 2006, especialmente a do episódio do Mensalão (Ação Penal 470) para frente, é que houve uma centralização no aquário de um comando ideológico que não havia no passado. E digo que isso não acontece comigo na Record, por exemplo. Eu escrevo e coloco no ar. Pode até causar certa repercussão depois da veiculação. Um grupo de profissionais revisa o conteúdo, mas nunca altera nada. Na Globo, o texto ia e voltava totalmente diferente. Às vezes eu não sabia nem quem tinha mexido. O controle ideológico passou a ser exercido, em minha opinião, de forma muito maior na Globo de São Paulo. Quando eu vim para SP, em 2006, cobri a minha primeira eleição presidencial. Eu acompanhava o candidato Geraldo Alckmin. Eu vi as coisas acontecerem bem de perto. O Rodrigo Mello e o Marco Aurélio saíram de lá enxotados. A violência com que eles lidaram com os profissionais eu não tinha visto em emissora nenhuma.
Sul21 – A blogosfera está crescendo e se consolidando. Existe uma tímida redistribuição das verbas estatais que também contribui para isso. Como tu avalias o conteúdo que é produzido pelos blogs?
Luiz Carlos Azenha - Hoje, a blogosfera tem muito de reprodução de conteúdo alheio. Não concordo em você pegar um artigo da Folha de São Paulo, e aí eu acho que a Folha tem razão de falar que não quer que reproduzam o conteúdo dela, e apenas reproduzir como uma crítica. A Folha de SP, assim como outros grandes veículos, também gasta pra produzir o conteúdo. Eu acho que é uma coisa do passado ficar pegando conteúdo dos outros e dizendo que fez determinada crítica com o conteúdo alheio. Creio que chegou o momento em que os blogueiros têm que produzir seu próprio conteúdo. É o que nós (Viomundo) estamos tentando fazer, apesar de não termos dinheiro. Eu penso que temos que fazer uso da colaboração espontânea de conteúdo na rede. Colaboradores e articulistas nos enviam determinado conteúdo, cientes de que têm no nosso blog um espaço para influenciar a opinião pública também. Temos como dar retorno para eles. Enquanto isso, batalhamos para conseguir uma fonte alternativa de recursos.
Sul21 – O senhor concorda com a ideia de um fundo de financiamento dos custos para a mídia independente?
Luiz Carlos Azenha – Isso surgiu no 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Seria um fundo para defender blogueiros do Brasil inteiro. Os processados e os ameaçados de assassinato. Porque o campo de disputa com a grande imprensa é desigual. E eles nos puxam para dentro do campo jurídico, que é onde somos vulneráveis. É óbvio que o Ali Kamel não quer discutir política comigo. Se ele discutir ele perde porque sabe que eu vi as coisas acontecendo dentro da emissora, eu tenho testemunhas. Ele não quer fazer disso em uma discussão política. Eu tenho os artigos que ele escreveu levantando dúvidas sobre o Bolsa Família, que hoje é um sucesso universal. Na discussão política ele foi derrotado completamente. Então ele leva para o campo da discussão judicial, onde ele é uma pessoa privada, mas conta com o apoio da maior emissora da América Latina. E esta judicialização não acontece só comigo. É um fenômeno que está se propagando contra os formadores de opinião da rede. É a Globo, os prefeitos e políticos em geral que vão para este campo. Tivemos um blogueiro que foi assassinado em São Luís do Maranhão. Existem situações em que você é, por não ter dinheiro, sufocado na justiça. Diante da diferença de poder econômico, o poderoso arrasta você pra dentro do campo em que ele tem vantagem. A judicialização é uma decisão política que tem como objetivo sufocar vozes dissidentes, os processos contra os blogs são decisões políticas com o objetivo de intimidá-los. Se a intenção fosse debater política, poderia ser exigido o direito de resposta. O direito de resposta tem que existir na legislação brasileira. Isto não é regulamentado porque não é bom para a grande imprensa. Assim, ela faz o que bem entende e passa o rodo em cima de qualquer um. Como fizeram como Genoino [José] que não teve direito de resposta em um programa de televisão (CQC). Como não é lei, não precisam dar o direito de resposta. Quem tem grande vantagem financeira arrasta a disputa política para processos judiciais e para asfixiar a blogosfera. Este é o processo que está em curso no Brasil.
Sul21 – Qual a sua opinião sobre a importância do Marco Regulatório das Comunicações na democratização da mídia?
Luiz Carlos Azenha – Neste debate tem um ponto central que distorce o discurso sobre os blogueiros. A grande mídia sempre diz que “o governo está comprando os blogueiros”. Bom, eu não tenho assunto com o governo. Eles se apegam a exemplos de blogueiros mais bem-sucedidos e que estão vendendo espaço comercial, o que é absolutamente legítimo. Entre eles o Luis Nassif e o Paulo Henrique Amorim. Mas o que está acontecendo é que estão percebendo o valor da internet. O jornal escrito é uma coisa estática que não permite a interatividade. A blogosfera responde. E os artigos postados na blogosfera, na rede, não são de publicação única, como os jornais. Eles perduram e podem ressurgir em um link tempo mais tarde. Ou seja, o produto da blogosfera é contínuo. Isso tem muito mais valor do que o produto estático do jornal, que vai servir para embrulhar o peixe depois. Existe uma diferença comercial muito importante que está sendo percebida pelos governos, pela iniciativa privada e isto gera uma ameaça muito grande para o modelo de negócios da imprensa tradicional. Por isso atacam a questão dos financiamentos dos blogs, quando na verdade esses poucos grupos são os que concentram grande parte das verbas publicitárias. Esse debate foi erguido para tentar comprometer a blogosfera. Nós enfrentamos e contrapomos: “querem falar de números, então traz os números para compararmos quantos bilhões o governo federal gasta com quem na comunicação”. Os números reais gastos em publicidade pelo governo federal, na verdade gastos com dinheiro público, significam 80% de investimentos nos grandes grupos de comunicação. Este é outro debate que não interessa para a grande imprensa. Portanto, eles estão sendo atacados no modelo de negócios, no desconforto da revelação da verdade sobre as verbas publicitárias e no questionamento da opinião pública com o novo modelo de comunicação, com o qual eles não estão acostumados. Esses barões da mídia do Brasil, donos dos grandes meios, não estão acostumados a ser questionados. No modelo antigo de jornalismo se reproduzia conteúdo e ninguém rebatia. Eles decidiam se reproduziriam uma carta de resposta ou não. Com o surgimento da blogosfera ficou diferente. Tudo que se escreve pode ser questionado. Se eu disser uma besteira no meu blog, eu sou bombardeado imediatamente. É um modelo de relacionamento com o próprio leitor.
Sul21 – As grandes empresas de comunicação sabem ocupar a internet? O que pensas sobre a convivência entre blogueiros e grande imprensa?
Luiz Carlos Azenha - Elas veem o poder da internet, mas não sabem fazer a internet. O que acontece na lógica das grandes empresas, mesmo as de esquerda, é que elas pensam que vão passar para o digital o que está escrito e para o papel que tudo que está no mundo virtual. Ninguém entende nada. A internet é outra coisa. A blogosfera, especificamente, é outra lógica. É bom lembrar que nós ainda estamos no mundo dominado pela televisão. Todas as ações midiáticas importantes hoje são dominadas pela televisão. As pessoas assistem muitas horas de televisão por dia e estão acostumadas com o discurso de televisão, em que a emoção sobrepõe à razão no Brasil. Na blogosfera também se preserva um pouco esta relação emotiva. Não que você se emocione com o leitor, mas no sentido da aproximação com ele. Você divide muita coisa do seu dia e compartilha coisas pessoais nas redes sociais (Facebook, Twitter). Você recebe críticas, dicas de viagens, troca experiências e informações. A interação da blogosfera permite que você desenvolva com o seu leitor uma relação de ser seguidor. Ninguém é autônomo. São pessoas com grande autonomia intelectual, mas que desenvolvem entre elas um campo de entendimento, isso é a blogosfera. Essa lógica não está na cabeça dos patrões, porque é uma lógica horizontal. A lógica deles é hierarquizada e vertical. Na blogosfera, você não vale pelo seu sobrenome, ninguém se interessa muito por quem você é, mas pelo que você diz. As pessoas são julgadas na internet pela qualidade das suas argumentações. Não importa se você é Roberto Marinho ou Ali Kamel. Se o argumento é fraco, o cara é detonado. Pode ser o dono do blog, quem quer que seja. Isso é outra coisa que as grandes empresas também não perceberam. Na verdade, não é apenas não perceber, elas não podem sobreviver sem a linha vertical. As empresas de mídia cresceram muito e se associaram a outros negócios. A verticalização e o controle ideológico são muito necessários para preservar estes outros negócios. Por exemplo, a Globo faz parte da associação do agronegócio. Ela tem negócios de alguma forma relacionados com o agronegócio. E o mundo neoliberal tem grandes interesses econômicos. As grandes empresas de comunicação deixaram de ser a mídia apenas no sentido de fazer a mediação entre as pessoas. E esse modelo vertical de controle hierarquizado é o que permite ter o chamado pensamento único. Ele é necessário dentro da redação. Não pode haver distensão. Eu diria que a margem pra distensão foi diminuída muito. Porque se eu tenho controle ideológico, a mensagem tem que ser muito parecida. Essa é a lógica, por isso que existe um confronto ideológico tão forte quando se fala de blogosfera e de grandes empresas.
Sul21 – A questão do acesso à internet ainda é um desafio no Brasil. Até que ponto a blogosfera alcança a opinião pública?
Luiz Carlos Azenha – Creio que tem um bom alcance. As pessoas enviam conteúdo de graça para postagem no meu blog, por exemplo, creio que por imaginarem que terá repercussão. Mais do que a Folha de S. Paulo, que é um jornal estático. A internet anda por meio das redes sociais. Um bom conteúdo no meu blog chega a 15 mil compartilhamentos. Se você for considerar que cada compartilhamento significa que uma pessoa dividiu com um grupo de amigos, você pode colocar que pelo menos 100 mil pessoas estarão sabendo daquela informação. Nem que seja metade disso, uns 50 mil, já será muito mais que um artigo em jornal. Na internet é muito mais compartilhado e isso determina a audiência.
Sul21 – A expectativa era de que um governo de esquerda pudesse avançar para um Marco Regulatório. Segundo o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Cesar Alvarez, o governo não discutirá isso antes das eleições de 2014. Tu tens uma opinião sobre o motivo pelo qual o PT não enfrenta este tema?
Luiz Carlos Azenha - Eu creio que existe uma disputa interna no governo. Mas eu estou dando uma opinião. Não tenho amigos no governo ou um deputado de bolso. Pela minha leitura política há uma divergência forte dentro do governo em relação a isso. Acho que existe uma confusão criada deliberadamente pela grande mídia. O debate no Brasil, em minha opinião, é o que a maioria dos militantes nessa área defende que é ampliar a diversidade cultural prevista na Constituição Federal. Para isso, tem que ter um órgão de comunicação local que anuncie as atrações regionais. O que temos é serviço de mídias regionais com divulgação para pouco alcance e com grande dificuldade e a Globo, e outras emissoras maiores, ditando que todo domingo tem que assistir Domingão do Faustão. Ou seja, há uma centralização da comunicação e da cultura nos principais centros do país e sempre dentro dos monopólios da comunicação. A política do governo federal deveria estimular em todos os campos a diversidade. Porque quando você estimula o a diversidade, estimula o debate político, e encontra outros caminhos, alternativas. Acontece que o neoliberalismo não admite alternativas, especialmente em um momento como esse, de crise. Ele precisa de acumulação de capital a qualquer custo, precisa de consenso. Qual consenso permite a acumulação de capital na Europa, por exemplo, no momento em que eles estão tirando os direitos judiciais das pessoas para permitir que se salvem os grandes bancos? É um consenso forçado, principalmente pela mídia. Não é por acaso que os grandes portais hoje divulgam notícias de senso comum ou sobre o BBB (Big Brother Brasil). Você não discute os assuntos essenciais. Os assuntos essenciais, que dizem respeito à vida, às pessoas e ao país, não são discutidos. Para essa mídia não interessa discutir, interessa o BBB, o cabelo da Fátima Bernardes, que a Ana Paula Padrão saiu da Record porque brigou, ou seja, fofoca. E aí você tem fofoca de tudo, a cobertura política é cobertura de fofoca. “Será que a Dilma brigou com o Lula?”, isso não interessa. O que interessa é a política. Creio que não houve os avanços necessários (Marco Regulatório) porque, de certa forma, o PT foi contaminado por essa política do neoliberalismo também. O movimento neoliberal avançou sobre parte significativa do PT, que quer preservar seu poder político. Estão mais preocupados com o resultado da eleição do que com a política pública. O Brasil sempre foi um país assim, um país da chamada modernização conservadora, em que existe certo consenso entre elites. Então eu penso que agora, nesse momento específico, embora haja uma disputa política que aparece na mídia, existe certo consenso de que o modelo de comunicação do jeito que está, está bom. Mas… na hora da eleição correm para a blogosfera. Acabou a eleição, correm para a Globo. Isso é assim há muito tempo.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

REUNIÃO EM SÃO PAULO LANÇA PRONTO-SOCORRO PARA BLOGUEIROS


Por Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual

Em reunião no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé na noite de ontem (2), em São Paulo, blogueiros e representantes de diversos veículos da mídia alternativa decidiram criar o que chamaram de "pronto-socorro" dos blogueiros – um fundo para auxiliar aqueles em dificuldades com a Justiça. Em um segundo momento, a ideia é prestar também assistência jurídica.
A iniciativa é uma reação à sentença da juíza Juliana Benevides de Araújo, da 43ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que, em 19 de março, condenou o jornalista Luiz Carlos Azenha, do blog Viomundo, a indenizar o então diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, em R$ 30 mil por danos morais. Kamel é agora diretor geral de Jornalismo e Esporte da TV Globo.
“Eu antecipo que no meu caso não vou acessar esse fundo, porque não preciso e há blogueiros muito mais ameaçados do que eu”, disse Azenha à RBA. “É importante porque é um fundo que vai ser criado num momento em que há uma tendência à judicialização cada vez maior na disputa com a blogosfera.” Os blogueiros Paulo Henrique Amorim e Rodrigo Vianna, entre outros, participaram das discussões.
Azenha disse também que a questão que envolve a judicialização não se resume à ameaça da Globo, na qual ele trabalhou. “A gente representa uma ameaça não só à Globo. Às vezes o blogueiro é uma ameaça para o prefeito de uma cidade, que tenta por exemplo dar um tiro nele”, afirmou.
No debate, Azenha propôs que se levantassem alguns casos exemplares e “dramáticos” de perseguição a blogueiros e se dispôs a voluntariamente entrevistá-los. “A proposta é ir atrás de alguns casos de blogueiros efetivamente perseguidos, que não sofram apenas a violência jurídica, mas física também, que estão no Brasil inteiro.”
O jornalista, que chegou a anunciar o fim do Viomundo na sexta-feira (29), voltou atrás. “O blog vai continuar com uma tentativa de financiamento por meio da chamada ‘vaquinha’, tentando fazer com que os próprios leitores financiem a produção do blog. A tentativa de sobrevivência vai ser em cima disso, já que eu não aceito propaganda pública, estatal ou de governo e dificilmente, com o blog que tenho, consigo na iniciativa privada”, disse Azenha.

Estratégias e iniciativas

O também jornalista Altamiro Borges, presidente do Barão de Itararé, propôs “de imediato” um manifesto em defesa da liberdade de expressão e da blogosfera, com assinaturas de intelectuais, artistas, parlamentares e prefeitos.
A jornalista Maria Inês Nassif disse ser preciso estabelecer estratégias de convencimento que influenciem também um público mais específico do que os internautas de modo geral, como os operadores do Direito. “Há um cerco, pois como não ganharam nas urnas eles agora mobilizam as estruturas. Temos de convencer também quem produz decisão. Cometemos o mesmo erro em 1964. Está na hora de pôr na cabeça que a luta por hegemonia está em todo lugar”, afirmou.
Entre as iniciativas consideradas importantes na reunião, e que continuarão a ser objeto de debates, está, também, estabelecer estratégias para pressionar o Executivo e o Legislativo a regulamentar os artigos 220 a 223 da Constituição, que garantem a liberdade de informação e a promoção da cultura nacional e regional e vedam monopólios ou oligopólios de rádio e TV.
As verbas publicitárias serão também objeto de iniciativas, reivindicações e pressão. Atualmente, apenas dez veículos de comunicação concentram 70% do montante da verba pública federal distribuída para mais de 3 mil veículos de comunicação no país, segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo, de dezembro de 2012, baseado em dados da Secretaria de Comunicação Social (Secom), vinculada à Presidência da República.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

GLOBO ENVIA PEDIDO DE DESCULPAS POR PERSEGUIÇÃO A BLOGUEIROS




Uma curiosa carta, entregue em mãos por um motoboy subcontratado pelo Grupo RBS, foi recebida por este Cloaca News nas primeiras horas da manhã de hoje. O envelope, de tamanho ofício, lacrado no verso com cera vermelha, ostentava o timbre da Rede Globo, com seu indefectível logotipo.
Hesitante, julgando tratar-se de nova notificação extrajudicial, este blogueiro pensou até mesmo em pedir a opinião de sua douta banca de jurisconsultos antes de desvendar o conteúdo da intrigante missiva. Por fim, a curiosidade venceu o medo, e metemos a ponta da faca em uma fresta do papel, preservando o lacre.
O texto, em fonte Times, surpreendeu logo no cabeçalho, tal a formalidade protocolar. Leia a íntegra da epístola global.

Ilmo. Sr. Cloaca
Rua xxxxxx, nº xxxxx
Porto Alegre - RS
E.M.

Nesta
Servimo-nos da presente para, sinceramente, expressar o nosso mais profundo pedido de desculpas pelo assédio judicial que nossa corporação empreendeu contra V.Sa. nos últimos meses. Aliás, esta nossa prática - ou tática - foi adotada, também, contra outros blogueiros, cidadãos comuns que, como V.Sa., apenas exercem o constitucional e sacrossanto direito à liberdade de manifestação do pensamento.
Um breve exame de consciência, todavia, nos fez enxergar quão  injusta e cruel tem sido nossa conduta. E, também, nos mostrou o despropósito de ingressar com ações dos mais variados tipos - cíveis e criminais -, na Justiça do Rio de Janeiro, considerando que os réus, todos assalariados, encontram-se a centenas de quilômetros daquele foro, e que a desproporção de nossa pujança econômica e poder de lobby sobre setores da Magistratura salta aos olhos de qualquer um.
Nossa Organização prima pela observância irrestrita da pluralidade de opiniões e dos valores mais sagrados da democracia, fato inconteste que V.Sa. pode aferir diariamente em nossa programação, sobretudo a jornalística. Diante deste singelo dogma que nos guia, resta-nos externar nossas escusas pela inconveniência. 

Ex corde,

Irmãos Marinho
Rio de Janeiro, 1º de abril de 2013

sexta-feira, 29 de março de 2013

PARA VINGAR SUA HONRA, CAPATAZ DA COSA NOSTRA MIDIÁTICA QUER ARRANCAR 30 MIL DINHEIROS DE BLOGUEIRO SUJO


Este humilde tugúrio digital vem a público manifestar irrestrita solidariedade ao colega de trincheira Luiz Carlos Azenha. Como se sabe, a vingança é um prato que se come frio, e nosso estoque de gelo seco já é considerável. Aguente firme, bravo Azenha! Eles ganharam o primeiro assalto, mas a luta mal teve início. Por enquanto, deixe que eles comemorem essa vitória de Pirro.
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Justiça conclui que Ali Kamel não manda na Globo
por Luiz Carlos Azenha, do Viomundo

Ali Kamel, o nem todo poderoso diretor da Central Globo de Jornalismo, venceu mais uma.
Fui condenado a pagar a ele a indenização de 30 mil reais por uma suposta “campanha difamatória”. O poderosíssimo Viomundo difamou uma das maiores empresas de comunicação do mundo!  Cabe recurso e, obviamente, o dr. Cesar Kloury vai recorrer.
Kamel bate um recorde: 4 vitórias em 4 ações na primeira instância da Justiça carioca. Alguém tem dúvida sobre o resultado dos processos que ele também move contra Luís Nassif e o sr. Cloaca? Nem o Barcelona tem esse aproveitamento!
O fulcro da decisão judicial é de que ele teria sido citado em 28 postagens do Viomundo, que existe desde 2004. Só a versão mais recente do site tem 8.140 post publicados. Ou seja, Ali Kamel foi mencionado em 0,0034% dos posts aqui publicados, na suposta “campanha difamatória”.
Em um trecho da sentença, segundo o Portal Imprensa, a magistrada afirma que eu “teria elaborado uma série de criticas contra matérias publicadas pelos diversos veículos de comunicação vinculados às Organizações Globo, atribuindo-lhe [Nota do Viomundo: Ao Kamel] a responsabilidade pelo conteúdo editorial”.
Para a juíza, segundo o Consultor Jurídico, a vinculação de Ali Kamel com a linha editorial dos meios de comunicação da Globo é uma “falsa afirmação” (grifo meu), já que ele está subordinado a superiores hierárquicos e a empresa possui um Conselho Editorial composto pelos editores dos diversos veículos do grupo, incluindo Kamel.
Em outras palavras, descobriram que o Ali Kamel não manda na Globo, apenas psicografa as ordens do dr. Roberto.  A recente ascensão dele ao cargo de diretor da Central Globo de Jornalismo foi apenas uma coincidência.
Ex e atuais funcionários da Globo: sobre o poder de Kamel, é tudo imaginação da parte de vocês!
Ali Kamel processou Rodrigo Vianna por causa de uma piada. Processou Marco Aurélio Mello por uma obra de ficção. E a mim por atribuir a ele poder que não tem. Porém, como ex-profissionais que atuamos nos bastidores da TV Globo, nas coberturas mais importantes, subordinados diretamente a ele, sabemos muito bem o que ele fez no verão passado.
Foi apenas por acaso, assim, à toa, que pedi a rescisão antecipada de meu contrato com a TV Globo, onde ganhava salário de executivo, com mais de um ano de antecipação. Não queria associar meu nome à falta de poder do Ali Kamel.
Em minha opinião, o texto definitivo sobre as represálias da Globo contra blogueiros, que se deram todas depois das eleições de 2010, foi escrito por Miguel do Rosário, aqui, quando da condenação de Rodrigo Vianna. Um trecho:
É inacreditável que o diretor de jornalismo da empresa que comete todo o tipo de abuso contra a democracia, contra a dignidade humana, a empresa que se empenha dia e noite para denegrir a imagem do Brasil, aqui e no exterior, cujos métodos de jornalismo fazem os crimes de Ruport Murdoch parecerem estrepolias de uma criança mimada, pretenda processar um blogueiro por causa de um chiste!

PS do Viomundo: Obrigado a todos os que manifestaram solidariedade. É o que nos dá força. A sentença abre uma possibilidade jurídica interessante: queremos a ata do Conselho Editorial da Globo que decidiu pela cobertura da bolinha de papel, por exemplo!
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quarta-feira, 20 de março de 2013

ENCONTRAMOS A EXPLICAÇÃO PARA OS ERROS GROTESCOS NAS REDAÇÕES DO ENEM

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O Brasil assistiu, estarrecido, à ribombante revelação de O Globo, publicada na edição de 18/3, de que alguns estudantes receberam a nota máxima na prova de redação do Enem, mesmo depois de cometer erros grosseiros de português. Como sói acontecer quando se trata de usar qualquer motivo para esculhambar qualquer governo do PT, a imprensa golpista "repercutiu" imediatamente o furo do jornalão carioca. Portais noticiosos e edições digitais dos principais veículos dos conglomerados mafiomidiáticos esbaldaram-se com as besteiras dos adolescentes, pinçadas com esmero de algumas redações. Que governo incompetente é esse, que confere nota 1.000 a tamanha ignorância? - era o que estava nas entrelinhas, ou no subtexto, dos editoriais indignados.

Pois, este Cloaca News, perplexo com tamanha afronta à língua-mater, resolveu investigar o problema em sua origem.  Após apurar que boa parte das escolas - públicas e privadas - adotou a prática de indicar textos "jornalísticos" como referência aos estudantes, descobrimos que estavam ali as fontes inspiradoras da juventude. Constatamos ainda que, não por acaso, o governo tucano paulista comprou milhares de assinaturas de algumas porcarias impressas para “instruir” os alunos da rede pública.

A sequência de imagens a seguir é parte de nosso singelo acervo, colecionado ao longo dos últimos quatro anos, dedicado à contribuição da gloriosa "grande imprensa" brasileira à formação intelectual e moral de nossos jovens. 
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G1 obteve nota máxima em estupidez
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Rosane de Oliveira, de Zero Hora: Hors Concours
do Troféu Muar de Gramática Normativa
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Revista Veja: jornalismo indecente
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RBS: na vanguarda da ignorância
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Folha: não dá pra não rir
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Analfabetismo em dose cavalar
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Zero Hora cria serviço de submarinos em Porto Alegre
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ZH: burrice gritante
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Ainda bem que não computaram as transmissíveis...
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Texto de ZH. Alguma dúvida?
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Curioso mesmo é que, ao reproduzir a reporcagem do Jornal Nacional sobre as bobagens das redações do último Enem, o portal G1, das Organizações Globo, demonstrou que se trata, na verdade, de uma feroz batalha entre os rotos e os descosidos...
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Clique aqui para conferir na fonte





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Se quiser ver tudo o que já publicamos com o marcador "Analfabetismo", clique aqui.

PS - Não se convenceu ainda? Experimente este acepipe aqui, do Zé do Armarinho. Ou este outro aqui, do Café & Aspirinas.

quarta-feira, 6 de março de 2013

DONOS DA RBS INSTALAM CANTEIRO DE OBRAS EM TERRENO PÚBLICO


Um terreno pertencente ao DMAE - Departamento Municipal de Águas e Esgotos - localizado na Rua Marcílio Dias, 368, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, foi entregue, de mão beijada, pela Prefeitura, para que a Maiojama (empreiteira dos donos da RBS) instalasse ali parte do canteiro das obras do edifício-garagem que está sendo construído do outro lado da rua. O terreno, que é propriedade do povo porto-alegrense, foi todo ocupado por contêineres da construtora, além de ter sido transformado em estacionamento "exclusivo" dos funcionários graduados do empreendimento privado. 
Diferentemente da privatização do espaço aéreo da Av. Praia de Belas, que foi negociado em "37 mudas" (não se sabe de quê), não há informação de que o prefeito José Fortunati tenha "exigido" algo da Famiglia Sirotsky como "compensação" pela invasão da propriedade pública.
Para quem não sabe, o nome Maiojama é a sonora mistura dos nomes de MAurício; IOne, mulher de Maurício; JAyme; e MArlene, mulher de Jayme, todos Sirotsky, donos do Grupo RBS - conglomerado mafiomidiático que opera 20 emissoras de televisão (afiliadas à Rede Globo), 21 emissoras de rádio e oito jornais diários em dois estados brasileiros (RS e SC).

sexta-feira, 1 de março de 2013

TABLOIDE DA RBS ABAFA EPIDEMIA DE DENGUE EM PORTO ALEGRE PARA BLINDAR PREFEITO


Ilustração: Depto. de Ontomologia da RBS


Diferentemente da postura adotada nos primeiros meses de 2008, quando entrou de cabeça na campanha criminosa desencadeada por uma colunista cheirosa da Folha de S.Paulo, o tabloide Zero Hora está empenhado, agora, em transformar o surto de dengue que assola a capital gaúcha em notícia de rodapé, como se fosse coisa de menor importância.
  
A despeito da divulgação do alarmante índice de infestação do mosquito transmissor em Porto Alegre (4,6%), apontado pelo Levantamento de Índice Rápido de Aedes Aegypti  -  que supera em 300% o aceitável pelo Ministério da Saúde (1%) - , a gazetinha da RBS destinou à notícia um miserável espaço no cantinho da página 46, sem direito, sequer, a uma chamadinha na capa. Repare bem: esconderam a informação na seção "Região Metropolitana", como se Porto Alegre fosse uma cidadezinha pertencente à Grande Cachoerinha...
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Explica-se.  Em 2008, o mosquito era federal, e a responsabilidade era do governo de Luís Inácio Lula da Silva. Valia tudo, inclusive provocar pânico na população, com manchetes escandalosas e infográficos amedrontadores.

Agora, em 2013, o inseto está na jurisdição do município, e o prefeito da cidade chama-se José Fortunati, amiguinho e parceiro do conglomerado mafiomidiático da Famiglia Sirotsky.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

PREFEITURA DE PORTO ALEGRE PRIVATIZA ESPAÇO AÉREO PARA BENEFICIAR DONOS DO GRUPO RBS - OBRA FERIU OPERÁRIO E DESTRUIU REDE ELÉTRICA

O mundo maravilhoso dos Sirotsky


Vida real: sai de baixo!

Não bastasse a entrega do Paço Municipal e do Largo Glênio Peres - dois ícones da paisagem porto-alegrense - ao controle de uma multinacional de refrigerantes, a Prefeitura de Porto Alegre, sob o comando de José Fortunati (e de seu antecessor José Fogaça), deu, de mão beijada, o comando do espaço aéreo da capital gaúcha para uma das empresas dos mesmos proprietários do Grupo RBS, no caso, a Maiojama Empreendimentos Imobiliários, braço de concreto do conglomerado da Famiglia Sirotsky (cujo capo é réu na Justiça Federal, acusado pelo MP de crime contra o Sistema Financeiro Nacional). Para quem não sabe, o nome Maiojama é a sonora mistura dos nomes de MAurício; IOne, mulher de Maurício; JAyme; e MArlene, mulher de Jayme, todos Sirotsky.

Desde o dia 4 de novembro de 2012, quem passa pela Avenida Praia de Belas, na altura do shopping center homônimo, fica estarrecido com a horrenda e ameaçadora passarela suspensa sobre a via, ligando o 3º piso do tradicional centro comercial ao 6º pavimento de um prédio-garagem que está em construção na margem direita da avenida, no sentido bairro-centro. A instalação cruza sobre a cabeça dos transeuntes a 14,40 metros de altura, em uma extensão de 62 metros. Na verdade, o edifício-garagem (uma aberração arquitetônica com 10 andares) é parte de um complexo "empresarial" que abrigará escritórios e vagas para 1800 carros. Trata-se de mais um empreendimento da Maiojama, que gaba-se por aí de seu portento, "a maior passarela metálica com vão livre da região Sul do Brasil". 

Como sói acontecer em intervenções urbanas de tamanha magnitude, o poder municipal "exigiu" uma contrapartida dos empreendedores: em troca do espaço público - a parte aérea da Avenida Praia de Belas -, a Prefeitura de Porto Alegre cobrou dos construtores, à guisa de "medida compensatória" para a cidade, o "plantio de 37 mudas", sabe-se lá de quê. Verdadeira exorbitância, convenhamos.
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Placa na obra: tudo nos conformes

Não contente, contudo, em adonar-se do céu porto-alegrense, a empreiteira arrogou-se, também, o direito de decidir quem pode e quem não pode transitar pela quadra que vai da Rua Marcílio Dias à Rua Múcio Teixeira, no bairro Menino Deus, território da obra. Durante os três meses em que dois gigantescos guindastes içavam as pesadíssimas peças de concreto pré-moldado, para montar o lego macabro dos Sirotsky, peões eram escalados para bloquear o tráfego naquela via, transtornando a vida de moradores do bairro e de motoristas em geral. 
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Proibido atrapalhar a obra dos patrões do Lasier Martins


Ninguém pode passar. Nem a Prefeitura, para coletar o lixo

A prerrogativa legal de fiscalizar, orientar e controlar o trânsito nas ruas da capital gaúcha é da EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), uma autarquia municipal. No entanto, os "azuizinhos", como são chamados os agentes da EPTC, jamais deram as caras por ali. Exceto na tarde desta terça-feira, 26.

A quase-tragédia que ZERO HORA abafou

Eram pouco mais de 14h30 desta terça-feira quando uma enorme grua, com cerca de 25 metros de "altura", entornou sobre a Rua Marcílio Dias, arrebentando a cerca de ferro do Tribunal Regional do Trabalho e derrubando um poste, carregando consigo toda a fiação elétrica e telefônica. O equipamento estava sendo utilizado na obra do edifício-garagem da Maiojama/RBS e, ao tombar, feriu gravemente o trabalhador que o operava. Além disso, todo o bairro ficou sem energia elétrica, telefone, internet e TV a cabo. 
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Operário caiu sobre as grades do TRT

Ah, vira, virou!

Faltou luz? A culpa é do Tarso!  


Ao noticiar o acidente em sua edição online, o tabloide Zero Hora superou-se em matéria de desfaçatez, omitindo que o fato ocorrera em uma obra da Maiojama (vamos relevar a ignorância dos redatores, que revelaram desconhecer a diferença entre um guindaste e uma grua). Como se fosse pouco, a gazetinha digital dos Sirotsky, tratou logo de transferir para a CEEE (Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica) o ônus pela falta de luz. 
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Maiojama? Não conheço!


















Não é a primeira vez que o conglomerado mafiomidiático dos Sirotsky faz lucrativos negócios com o grupo político que ocupa a Prefeitura de Porto Alegre. Em setembro de 2007, o prefeito José Fogaça, que tempos depois abdicou para a posse de Fortunati, entregou, de graça, as instalações da Usina do Gasômetro (edifício símbolo da cidade) para uma "exposição comemorativa" dos 50 anos do Grupo RBS. Durante quase três meses, os cidadãos de Porto Alegre foram privados de seu mais importante centro cultural, ocupado que fora pela festinha de aniversário dos Al Capones da Notícia

Agora, com o tétrico monstrengo de aço atravessado na Av. Praia de Belas, a população de Porto Alegre é vítima de mais um vergonhoso esbulho. O pior é que, se cair - e não temos qualquer garantia de que o trambolho é seguro - , já sabemos qual será a manchete de Zero Hora: "Com parafusos frouxos, passarela desaba sobre avenida - Petista foi visto no local com uma chave de fenda na mão."

domingo, 24 de fevereiro de 2013

EX-AJUDANTE DE IBRAHIM SUED LEVA UMA BIABA DE TARSO GENRO

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.“O alto comissário do Golbery não toma jeito”

por Tarso Genro, in RS Urgente

Como Elio Gaspari foi do velho Partidão e depois se tornou confidente do General Golbery, fazendo, a partir daí, uma carreira de jornalista mordaz e corregedor de todos os hábitos do país, ele se dá o direito de não só inventar tolices nas suas colunas, como também enganar os mais desavisados.

Defende as suas teses principalmente a partir da falsificação da posição dos seus adversários de opinião. Para defendê-las, Elio sempre desqualifica os seus adversários com textos de estilo ferino, que não raro beiram a difamação. Os que se sentem agredidos raramente se defendem, não só porque ele não publica as respostas na sua coluna, mas porque talvez temam despertar nele uma ira ainda maior, que também não abre espaços para o contraditório.

Já fui alvo algumas vezes das suas distorções e falsificações, mas sobre este tema da reforma política preciso responder formalmente, porque se trata de um assunto extremamente relevante para o aperfeiçoamento democrático do país, sobre o qual existem divergências elevadas, tanto dentro da esquerda como da direita democrática.

A estratégia usada por Elio Gaspari para promover suas crônicas foi muito comum na época da ditadura, quando o SNI – através de articulistas cooptados – recheava de informações manipuladas a grande imprensa, sobre a “subversão” e as “badernas estudantis”. O regime tentava, desta forma, tanto manter o controle da opinião pública, como dividir a oposição legal e a clandestina, num cenário em que povo já estava cansado do regime. Elio Gaspari parece que se contaminou com este vício e combinou-o com uma arrogância olímpica: desqualifica todo mundo, não respeita ninguém, o que pode significar uma volúpia de desrespeito a si mesmo, ensejada pela sua trajetória como jornalista com idéias muito próximas de um ceticismo anarco-direitista.

Vários dirigentes políticos, tanto da oposição como da situação – da direita e da esquerda – que não estão satisfeitos com o sistema político atual, debatem uma saída: uma reforma política para melhorar a democracia no país. Todos sabemos que não existe um sistema ideal e perfeito, mas que é possível uma melhora no sistema atual, que pode tornar mais decente a representação e os próprios partidos. Este debate para melhorar a democracia e dar maior coerência ao sistema de representação tem despertado a santa ira de Elio Gaspari, que dispara para todos os lados, mas nunca diz realmente qual é a sua posição sobre o assunto.

No seu artigo “O comissariado não toma jeito”, no qual sou citado nominalmente como defensor de fisiologismos, ele atinge o auge na deformação das opiniões de pessoas que ele não concorda. Vincula, inclusive de maneira sórdida estas opiniões a dirigentes políticos condenados na ação penal 470, para aproveitar a onda midiática que recorre diariamente a estas condenações, não só para desmoralizar a política e os partidos, mas para tentar recuperar os desastrados anos do projeto neoliberal no país, nos quais, como todos sabemos, não ocorreu nenhuma corrupção ou fisiologismo.

As deformações de Elio são explícitas quando ele examina dois pontos importantes da reforma política: o “voto em lista fechada” e o “financiamento público” das campanhas eleitorais. Sobre o voto em lista “fechada” ele argumenta, em resumo, que a “escolha deixa de ser do eleitor”, que vota numa lista preparada pelo Partido, que captura o seu direito de escolha.

Pergunto: será que Elio não sabe que a escolha na “lista aberta” (sistema atual), é feita, também, a partir de uma relação de nomes que é organizada pelos Partidos? E mais: será que Elio não sabe que a diferença entre um e outro sistema é que, no atual, o voto vai para a “fundo” de votos da legenda e acaba premiando qualquer um dos mais votados da lista, sem o mínimo nexo com a vontade do eleitor? Repito, qualquer um da lista, sem que o eleitor possa saber quem ele está ajudando eleger!

Na lista fechada é exatamente o contrário. O eleitor sabe em quem ele está votando. E sabe da “ordem de preferência”, que o seu voto vai chancelar, a partir do número de votos que o Partido vai amealhar nas eleições. O eleitor faz, então, previamente, uma opção partidária – inclusive a partir da qualidade da própria lista que os Partidos apresentaram – e fica sabendo, não só quem compõe a lista do seu partido, mas também a ordem dos nomes que vão ter a preferência do seu voto.

Na lista aberta, ao invés de crescer o poder político dos partidos – que Elio parece desprezar do alto da sua superioridade golberyana – o que aumenta é o poder eleitoral pessoal de candidatos que, neste sistema de lista aberta, carreiam os votos dos eleitores para qualquer desconhecido. Por mais respeito humano que se tenha por figuras folclóricas que ajudam eleger pessoas com meia dúzia de votos, não se pode dizer que a sua influência pessoal possa ser melhor que a influência das comunidades partidárias, por mais defeitos que elas tenham.

A tegiversação sobre o financiamento público das campanhas não é ridícula, porque é simplesmente uma falcatrua argumentativa. Elio diz que este tipo de financiamento não acabará com o “caixa 2” e que tal procedimento vai levar a conta para o povo, que ele chama gentilmente de “patuléia”. Vejamos se estes argumentos são sérios.

Primeiro: ninguém tem a ilusão de acabar com o “caixa 2”, que acompanhará as campanhas, enquanto tivermos eleições. O que devemos e podemos buscar é um sistema que possa diminuí-la, substancialmente, através – por exemplo – de um controle “on line”, de todos os gastos das campanhas, num sistema financiado por recursos conhecidos e previamente distribuídos aos partidos.

Este sistema certamente diminuirá a dependência dos partidos em relação aos empresários e permitirá um controle mais detalhado dos gastos, pois cada partido terá um valor previamente arbitrado, para ser fiscalizado à medida que os recursos forem sendo gastos. Reduzir, portanto, a força do poder econômico sobre as eleições, este é o objetivo central do financiamento público.

Quanto à transferência das despesas para o povo, qualquer aluno do General Golbery – digo aqui da modesta situação de fisiológico que me foi imputada – sabe que as contribuições dadas pelas empresas aos partidos e aos políticos, são “custos” de funcionamento de uma empresa, que integram o preço dos seus produtos e serviços, que são comprados pelo consumidor comum ou pelo Estado.

Quem paga por tudo, sempre, é o povo que trabalha e compra e o Estado que encomenda, compra e paga. O defensor da patuléia, portanto, não está defendendo nem a “viúva” metafórica nem o Estado concreto. Está, sim, defendendo a atual influência do poder econômico sobre os processos eleitorais, de uma forma aparentemente moralista, mas concretamente interessada: acha que o sistema assim está bem. Uma forma de fisiologismo altamente disfarçado. O alto comissário do Golbery não toma jeito.

CLOACABOY EXCLUSIVO! TIRAMOS A ROUPA DA RAPUNZEL DO CARIBE

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by Durango
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CADA UM TEM A BLOGUEIRA CUBANA QUE MERECE

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Norelys no BlogProgRS, em mesa mediada por Carla Kunze (Café & Aspirinas)
CLIQUE PARA AMPLIAR
Foto: Cris Rodrigues

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Enquanto nossa imprensa golpista e pestilenta regozija-se com a tourneé internacional da Rapunzel do Caribe, a blogosfera suja comemora a primazia de ter trazido uma blogueira cubana ao Brasil antes de qualquer um. Aconteceu nos dias 27, 28 e 29 de maio de 2011, no 1º Encontro de Blogueir@s e Tuiteir@s do Rio Grande do Sul (BlogProgRS), realizado na Câmara Municipal de Porto Alegre. 
Convidada de honra do evento, Norelys Morales Aguilera, titular do blog IslaMía, veio diretamente de Havana, sem escolta policial, contar suas experiências e falar do ativismo digital n'A Ilha dos comedores de criancinhas. Para conferir as terríveis privações a que Norelys é submetida diariamente, visite também El Blog de Norelys, integrante da rede Blogueros y Corresponsales de la Revolución

O titular deste Cloaca News orgulha-se de ter integrado a comissão organizadora do 1º BlogProgRS e de ter protagonizado a cerimônia de abertura do evento. E, com a alma jubilosa, reproduz, abaixo, postagem de Roni Chira, do blog O que será que me dá.
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Yoani Sánchez, a onça de papel
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Depois do derretimento da teoria da globalização e da consolidação de vários governos de centro-esquerda, as oposições sul-americanas e suas mídias (sempre à tira-colo) buscam causas e personagens para manterem-se minimamente palpáveis no cenário. Nem que seja com um figurino ultrapassado…

Yoani Sánchez faz parte deste script. O objetivo central da “turnê” mundial desta ativista anti-castrista vai muito além da “luta pela liberdade” na ilha onde nasceu. É um ataque preventivo do PiG sul-americano contra os movimentos que exigem mais democracia e pluralidade nas comunicações que, aos poucos, vão adquirindo consistência em vários países do nosso continente.

Não queria escrever sobre Yoani Sánchez – essa mulher que a “Imprensa Cachoeira” e as redes sociais evidenciam exageradamente (como planejado por sua trupe, aliás…). Mas é inevitável. Em cartaz há uma semana na mídia, não dá pra não falar.

Desde que surgiu, ecoada por aí, na mídia, Sánchez tenta se encaixar na “programação”. O  problema é que o tempo passa e ela continua sendo uma sucata enferrujada, sobra da guerra fria. Só compra quem nutre o velho ódio tolo a Cuba e vê comedores de criancinhas nos governos de centro-esquerda da América sdo Sul.

Yoani é tão patriota quanto uma mosca. Ainda mocinha, vislumbrou um mercado potencial (se opor ao governo cubano), vendeu seu peixe e se deu bem. Financeiramente, é claro. O resto é folclore: mártir, perseguida por Fidel, blogueira de sucesso, milhões de fãs e seguidores no Twitter, tudo fraudado. É uma onça de papel.

De onde vêm os recursos que a “estrela” do PiG usa para viagens, hospedagens, transporte, alimentação, etc?

Yoani ganha muita grana da SIP (Sociedade Inter-americana de Imprensa – que é a máfia que reúne os donos dos meios de comunicação do nosso continente – além de organizações de ultra-direita espalhadas por vários países do mundo, inclusive no Brasil (Millenium) e escreve alguns artigos para as publicações mais reacionárias do planeta como o El País – aquele jornal que publicou foto falsa de Hugo Chaves como se estivesse com o pé na cova. A cubana inda tem dois guarda-costas: CIA e FBI. (Muito antes de Obama sonhar em ser presidente…)

A “VIP” foi fotografada, gravada, filmada e impressa. Vai servir como bandeira, embora já meio desbotada, da causa da libertinagem de imprensa. Mas não engana muita gente. Me faz lembrar daqueles coitados, popstars de terceira categoria, que vez por outra aparecem em pequenas turnês no Brasil para levantar um troco – já que em seus países não faturam nada. No caso de Yoani, além de financeiro, o troco é político. Sempre contra seu país.

Durante um evento em Feira de Santana, foi-lhe oferecida uma chance de conquistar um bocadinho de credibilidade: Que assinasse um manifesto contra os 50 ANOS de bloqueio econômico dos EUA a Cuba e libertação de 5 conterrâneos seus, presos nos EUA. Previsível e patriota fajuta que é, recusou-se a assinar!

Enquanto Yoani Sánchez e o PiG continuam agarrados ao cadáver da guerra fria, Cuba segue pioneira: acaba de patentear uma vacina contra o câncer de pulmão. Fico pensando… Se essa ilha minúscula, com uma população 100% alfabetizada, sem miséria, com uma das melhores taxas de mortalidade infantil de todo o continente, com a qualidade indiscutível do esporte, da saúde e da educação, promovesse eleições diretas também para presidente, onde certamente a direita seria fragorosamente derrotada, Yoani ficaria satisfeita? Ou teríamos aquele sorriso amarelo de quem perdeu todos os “clientes” que financiavam suas mordomias?

Deixo uma sugestão para a popstar de araque, elevada a “mártir” pela nossa imprensa: por que não continua a greve de não cortar o cabelão enquanto o bisneto de Fulgêncio Batista não for eleito vereador em Havana? Seria engraçado ver como arrastaria a longa cabeleira branca pelo chão antes de virar o pó da história ao qual esta condenada a ser…
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