terça-feira, 27 de outubro de 2009

SECRETÁRIO-LOBISTA DE SERRA QUER COBRAR MENSALIDADE EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Em recente entrevista de aluguel à repórter Monica Weinberg, da revista Veja, o empresário-lobista Paulo Renato Souza - que, nas horas vagas, é também o Secretário da Educação do Estado de São Paulo - mostrou-se defensor convicto da cobrança de mensalidades nas universidades públicas brasileiras. Falando em tom professoral, enquanto meneava as taturanas que lhe servem de sobrolhos, o ex-ministro de FHC aproveitou a deixa e elogiou a si próprio pela genialidade de seu projeto que prevê aumento salarial dos professores mediante aprovação em provas de avaliação. Para você não gastar seu dinheiro comprando porcaria, leia abaixo - de graça - a íntegra da entrevista em que o tucano afirma ser "bobagem" esse negócio de universidade pública gratuita.
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Um relatório recente da OCDE mostra que o Brasil foi o país que mais aumentou o investimento na educação em proporção ao total dos gastos públicos - mas muitos se queixam de falta de dinheiro nas escolas. Estão certos?
. O maior problema no Brasil não é a falta de dinheiro, mas como esses recursos são empregados - em geral, de maneira bastante ineficaz. Daria para obter resultados infinitamente superiores apenas fazendo melhor uso das verbas já existentes. Prova disso é que, com orçamento idêntico, algumas escolas públicas oferecem ensino de ótima qualidade e outras, de péssimo nível.
. O que explica isso?
. As boas são comandadas por diretores com uma visão moderna de gestão, coisa raríssima no país. Não existe no Brasil nada como um bom curso voltado para treinar esses profissionais a liderar equipes ou cobrar resultados, o básico para qualquer um que se pretenda gestor. Quem se sai bem na função de diretor, em geral, é porque tem algo como um dom inato para a chefia. A coisa funciona no improviso.
. As avaliações sempre chamam atenção para o despreparo dos professores brasileiros. A que o senhor atribui isso?
. Às universidades que pretendem formar professores, mas passam ao largo da prática da sala de aula. No lugar de ensinarem didática, as faculdades de pedagogia optam por se dedicar a questões mais teóricas. Acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista cujo ideário predominante não passa de um marxismo de segunda ou terceira categoria. O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia marxista. É uma situação difícil de mudar. A resistência vem de universidades como USP e Unicamp, as maiores do país.
. Como isso se reflete nas escolas?
. Muitos professores propagam em sala de aula uma visão pouco objetiva e ideológica do mundo. Alguns não dominam sequer o básico das matérias e outros, ainda que saibam o necessário, ignoram as técnicas para passar o conhecimento adiante. Vê-se nas escolas, inclusive, certa apologia da ausência de métodos de ensino. Uma ideia bastante difundida no Brasil é que o professor deve ter liberdade total para construir o conhecimento junto com seus alunos. É improdutivo e irracional. Qualquer ciência pressupõe um método. No ensino superior, há também inúmeras mostras de como a ideologia pode sobrepor-se à razão.
. O senhor daria um exemplo?
. Existe um terrível preconceito nas universidades públicas contra o setor privado. Ali, qualquer contato com as empresas é visto como um ato de "venda ao sistema". Como se as instituições públicas fossem sustentadas por marcianos e não pelo dinheiro do governo, que vem justamente do sistema econômico. O resultado é que, distantes das empresas, as universidades se tornam menos produtivas e inovadoras.
. Em muitos países, as universidades públicas cobram mensalidade dos estudantes que têm condições de pagar. Seria bom também para o Brasil?
. Sem dúvida. Só que esse é um tabu antigo no país. Se você defende essa bandeira, logo o identificam como alguém que quer privatizar o sistema. Preservar a universidade gratuita virou uma questão de honra nacional. Bobagem. É preciso, de uma vez por todas, começar a enxergar as questões da educação no Brasil com mais pragmatismo e menos ideologia.
. Na semana passada, foi aprovado em São Paulo um novo plano de carreira para professores e diretores. Esse tipo de medida tem potencial para revolucionar o ensino nas redes públicas?
. Planos de carreira são essenciais para tornar essas profissões novamente atraentes, de modo que os melhores alunos saídos das universidades optem por elas. Sem isso, é difícil pensar em bom ensino. O plano de São Paulo não apenas eleva os salários, o que é um chamariz por si só, mas faz isso reconhecendo, por meio de avaliações, o mérito dos melhores profissionais. Ou seja: esforço e talento serão premiados, um estímulo que a carreira não tinha. A meritocracia consta de qualquer cartilha de gestão moderna, mas é algo ainda bem novo nas escolas brasileiras.
. Os principais adversários do projeto foram os sindicatos desses profissionais. Que lógica há nisso?
. É uma manifestação de puro corporativismo. Pela nova lei, só poderão pleitear aumento de salário aqueles professores assíduos ao trabalho - um pré-requisito mais do que razoável. É o mínimo esperar que, para alguém almejar ascender na carreira, ao menos compareça ao serviço. Apenas o sindicato não vê desse jeito. Ele encara as "faltas justificadas" como um direito adquirido. E ponto. Não quer perdê-lo. Mas repare que eu não estou dizendo que os professores ficarão sem esse direito. Só estou tentando fornecer um estímulo adicional para que eles deem suas aulas. O último levantamento que fizemos mostra que a média de ausências na rede estadual de São Paulo é altíssima: foram trinta faltas por docente apenas em 2008. Ao resistir a uma medida que premia a presença na escola, o sindicato dá mais uma mostra de como o espírito corporativista pode sobrepor-se a qualquer preocupação com o ensino propriamente dito.
. O movimento sindical passa ao largo da preocupação com o bom ensino?
. É exatamente isso. Está claro que os sindicatos estão focados cada vez mais no próprio umbigo e menos nas questões relativas à educação. Entendo, evidentemente, que lutem pelos interesses da categoria, propósito de qualquer organização do gênero. Mas a qualidade do ensino, que é de responsabilidade social deles, deveria vir em primeiro lugar. Em 1984, quando fui secretário da Educação em São Paulo pela primeira vez, já se via essa forte tendência nos sindicatos. Em reuniões com os professores, palavras como aluno ou ensino jamais eram mencionadas por eles. Apenas se discutiam ali os interesses da categoria. E esse problema só piora.
. O que causa a piora?
. O movimento sindical politizou-se a um ponto tal que não se acham mais nele pessoas realmente interessadas em educação. Estas debandaram. Hoje, os sindicatos estão tomados por partidos radicais de esquerda sem nenhuma relevância para a sociedade. Para essas agremiações insignificantes, o sindicalismo serve apenas como um palanque, capaz de lhes dar uma visibilidade que jamais teriam de outra maneira. É aí que tais partidos aparecem e fazem circular seu ideário atrasado e contraproducente para o ensino. Repare que esses sindicalistas são poucos - e estão longe de expressar a opinião da maioria. Mas têm voz.
. Com a nova lei fica determinado que, para pular de nível na carreira, o professor seja submetido a uma prova. Por que os sindicatos rejeitaram a ideia?
. É lamentável que um grupo de professores critique a existência de uma prova. Veja o absurdo. Eles alegam que um exame os obrigaria a estudar mais e que não têm tempo para isso. A crítica expressa também uma resistência à avaliação, que até hoje se vê arraigada em certos setores da sociedade brasileira.
. Nisso o Brasil destoa de outros países?
. Em culturas mais individualistas e competitivas, como a anglo-saxã, as aferições do nível dos professores e do próprio ensino não são apenas bem-aceitas como têm ajudado a melhorar as escolas, na medida em que fornecem um diagnóstico dos problemas. Os professores brasileiros que agora resistem a passar pela avaliação certamente não estão atentos a isso. Sua maior preocupação é lutar por direitos iguais para todos - velha bandeira que ignora qualquer noção de meritocracia. Por isso, eles se posicionaram contra uma regra do projeto que limita o número de promoções por ano: não mais do que 20% dos profissionais poderão subir de nível. É um teto razoá-vel: evita um rombo no orçamento e, ao mesmo tempo, promove uma bem-vinda competição. Demandará mais empenho e estudo dos professores - o que não lhes fará mal.
. No campo salarial, premiar o mérito significa romper com o conceito da isonomia de ganhos para todos os funcionários. Esse não é um valor que deveria ser preservado?
. Não. Já é consenso entre especialistas do mundo todo que aumentos concedidos a uma categoria inteira, desprezando as diferenças de desempenho entre os profissionais, não têm impacto relevante no ensino. O que faz diferença, isso sim, é conseguir premiar os que se saem melhor em sala de aula. A isonomia é uma bandeira velha.
. Há experiências no Brasil com a concessão de bônus aos melhores professores. Isso funciona?
. Sem dúvida. Quando há um sistema feito para reconhecer e premiar os talentos individuais, a eficácia das políticas públicas para a educação aumenta. Coisa de quinze anos atrás, o Brasil estava a anos-luz disso. Não havia informação sobre nada - nem mesmo se sabia o número de escolas no país. O dado variava entre 190 000 e 230 000 colégios, dependendo da fonte. Hoje, já dá até para comparar o ensino de Capão Redondo, na periferia de São Paulo, com o das escolas da Finlândia. Desse modo, é possível traçar metas bem concretas para a educação e cobrar por elas - alicerces para uma boa gestão em qualquer setor.
. Já se formou um consenso no Brasil de que esse é o caminho acertado?
. Acho que sim. Nos primeiros anos de governo Lula, os petistas chegaram a pôr em xeque a ideia de que a qualidade do ensino precisa ser aferida com base em dados objetivos. Foi um retrocesso. Mas hoje o MEC norteia suas políticas com base em avaliações, metas e cobrança de resultados. Diria que eles chegam até a exagerar na dose, divulgando rankings que, como ministro, eu mesmo preferia não trazer a público. É o caso do Enem.
. O Enem não é um bom indicador da qualidade do ensino em escolas públicas e particulares?
. O problema é que, como só faz o exame quem quer, ele não necessariamente traduz a qualidade de ensino na escola como um todo. E se apenas os bons alunos de determinado colégio se submeterem à prova? O retrato sairá distorcido. Grosso modo, o Enem até espelha bem a realidade. Mas, como a amostra de alunos de cada escola é aleatória, há espaço para que se cometam injustiças. Em tese, qualquer colégio particular que se sentisse prejudicado pelo ranking poderia processar o MEC. De modo geral, porém, sou absolutamente favorável a que se lance luz sobre os resultados. O monitoramento deve ser constante.
. No começo do ano, flagraram-se em material que seria distribuído às escolas pela Secretaria Estadual da Educação erros crassos, tais como a inclusão de dois Paraguais num mapa da América do Sul. Faltou fiscalização por parte do governo?
. Sem dúvida. Ainda que o material não seja produzido pela secretaria, é de responsabilidade dela que não passem erros. Não há o que argumentar aí. Depois do episódio, os cuidados foram redobrados. Cada livro é revisado de três a quatro vezes. Apostila com erro é um desserviço à educação - e desperdício de dinheiro público.

35 comentários:

Juliana Teixeira disse...

"Acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista cujo ideário predominante não passa de um marxismo de segunda ou terceira categoria. O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia marxista."

Ah tá, então quer dizer que o que fazemos até as 23h na USP é desperdício de dinheiro público? Bom professor não tem que ter uma boa formação teórica, e sim tem que papagaiar o que as apostilazinhas do Governo mandam?

Que NOJO desse homem, que NOJO desse governo, que NOJO dos meus conterrâneos que INSISTEM em eleger essa corja.

Juliana Teixeira disse...

"Em culturas mais individualistas e competitivas, como a anglo-saxã, as aferições do nível dos professores e do próprio ensino não são apenas bem-aceitas como têm ajudado a melhorar as escolas..."

Me fala que essa entrevista é fake, por favor. Não tô me aguentando de raiva...

Anônimo disse...

Sei lá viu - abstraindo o autor - algumas coisas que ele fala fazem sentido.

"Planos de carreira são essenciais para tornar essas profissões novamente atraentes, de modo que os melhores alunos saídos das universidades optem por elas. Sem isso, é difícil pensar em bom ensino."

Atrair universitários para a carreira de professor parece uma boa idéia, não?

"Pela nova lei, só poderão pleitear aumento de salário aqueles professores assíduos ao trabalho - um pré-requisito mais do que razoável. É o mínimo esperar que, para alguém almejar ascender na carreira, ao menos compareça ao serviço."

"[...]foram trinta faltas por docente apenas em 2008"

Repara que essas trinta faltas são uma média. Isto é, tem professor que falta pouco cobrindo malandro que falta mais de 30 dias por ano. Coibir esse tipo de comportamento parece bem sensato.

trombeta disse...

Esse senhor quando ministro da educação autorizou e trabalhou muito para a abertura indiscriminada de "faculdades de direito", era tanto advogado ruim e analfabeto que a OAB foi obrigada a criar uma prova de admissão ao exercício profissional.

Como, corretamente, diz o sr. Cloaca, trata-se de um lobbista facilitador dos interesses privados no setor da educação, seu único compromisso.

Leandro Bierhals disse...

"enquanto meneava as taturanas que lhe servem de sobrolhos": valeu o post só por essa pérola. Brincadeira. O post vale pela pela afiada do seu Cloaca.

andre i souza disse...

Como são matreiros esses tucanos, e conhecendo o traçado desses senhores inclusive o lobista em pauta, temos que entender o seguinte: Só os 'ricos' pagaram mensalidades em escolas públicas, os pobres não, porém, também não as poderão freqüentar. É esperar pra ver. Ou melhor, trabalhemos para que esses tipos sejam defenestrados de qualquer poder.

Mamita Phia disse...

"enquanto meneava as taturanas que lhe servem de sobrolhos"

Agora morri de vez. Esta mensagem está sendo psicografada.

Anônimo disse...

Desculpe, mas quanto a essa questão de cobrança de mensalidades nas universidades públicas, receio que o secretário-lobista tenha razão. O estudante pobre (da escola pública) acaba no universidade privada e, pior, acaba pagando duas vezes. Paga para que ele mesmo possa estudar e paga também, via impostos, para que um mauricinho possa cursar uma universidade pública. Então por que não cobrar mensalidades, com valores de mercado, nas universidades públicas??? Ora, as vagas na universidade pública não dão para todos. Então aqueles que dela desfrutam que paguem. No Brasil não se consegue vincular nem 50% das vagas na universidade pública para alunos oriundos das escolas públicas. A cobrança pelo menos empurraria a conta para quem de fato dela se serve. Não sou tucano, mas neste ponto estou de acordo.

Papito disse...

Caro Anônimo das 20:21h: você "não é tucano", mas é.

Murciélago Viejo disse...

Caro amigo, tenho aqui uma certa donzela em ataque novamente. Cada vez que melhora um pouco, muito custosamente, aliás, ela volta sorrateiramente para ter outros em acréscimo, piorando consideravelmente seu quadro apneico.
Será desligada em segundos a caixa de força central na tentativa de salvar-lhe a pobre alminha.
Destarte, ela manda avisar que o churrasquinho alpino será servido ainda esta noite.

Romanzeira disse...

Meu Deus, os anos passam, passam e essas malditas idéias (racinalidade, eficácia, e etc...) continuam mais vivas que nunca na vóz de seus ideologos. Pensei estar lendo alguns dos livros do Roberto Campos ou discursos do Simonsen, editados há mais de trinta anos atras.
"Visão ideológica"?! Oras, tudo nesse mundo é ideologia inclusive o que esse cuzão está falando!
Já to de saco cheio de ficarem dizendo que o problema da educação é a formação dos professores. O problema da educação está fora da escola, esta na própria sociedade, no caos em que se vive hoje em dia!
Sindicatos são orgãos voltados para a organização política do trabalhador no sentido de exigir seus direitos e lutar por melhores condições de trabalho, a função social do professor é para ser discutida também no sindicato mas não unicamente. Mas essa é a extratégia, esvaziar a discussão política dentro dos sindicatos.
Partidos de esquerda não tem relevancia na sociedade? Bem, baseado em quê ele diz isso?
Aliás, o conteudo das respostas são de achismo absurdo! Baseado em que ele diz que os partidos de esquerda não tem relevancia? Baseado em que ele diz que na faculdade de educção se discute política? E se isso é verdade? A faculdade é o espaço para se pensar a sociedade e não escolão técnico. A formação do educador e do pesquisador deve essencialmente passar pela reflexão sobre a sociedade o que ensejará sempre discussões políticas. Gostaria de saber em que facul e curso superior o borrabotas se formou, ou será que ele comprou o diploma?!!!!

Anônimo disse...

Estudei em Universidade Federal (UFSM)e o marxismo era uma das vertentes teóricas de alguns professores. Tínhamos céticos, liberais, anarquistas. Também tinha um pessoal de certo partido afim do supracitado ex-alguma coisa que se envolveu com algumas fundações e tal.... Vai ver que querem fazer que nem 'o caso das carteiras', desviar o dinheiro dos diplomas...

Anônimo disse...

Concordo em parte com ele, seria bom cobra de quem pode, mais sei como ia acaba esta historia...

Então prefiro que continue assim.

Anônimo disse...

É, o ideal é todos ganharem igual mesmo. Os professores que gostam de ensinar, que buscam novas maneiras de passar o conhecimento para o aluno ganhando igual ao sujeito que nem tá aí.
Quer dizer que avaliar os professores é coisa de capitalista malvado, agora?

E Marx... por favor, acho que o Brasil é o único lugar do mundo no qual ainda se aprende Marx nas faculdades de Economia!!! Acho que nem em Cuba se vê mais isso. Mais-valia??? Barbaridade!!!

Anônimo disse...

"Só os 'ricos' pagaram mensalidades em escolas públicas, os pobres não, porém, também não as poderão freqüentar."

Hahaha. E os pobres frequentam universidade pública, por acaso??? Ah, agora tem cota, né? É uma maravilha, o sujeito estuda em colégio público e faz um Universitário da vida, tem mais chance que o pobre que não tem dinheiro pra pagar cursinho. Ou pior: o filho do coronel do exército que estuda no Colégio Militar tem direito à cota, pq estudou em colégio público. Maravilha! Agora os pobres estudarão na UFRGS hahaha.

Quanto à Marx, talvez ele tenha sua importância para a Filosofia. Mas o Brasil é único lugar do mundo no qual os alunos de Economia são obrigados a calcular taxa de mais-valia. Vai ver todos estão errados, e nós estamos certos, né?

Anônimo disse...

É engraçado, como é que um analfabeto funcional vem dizer que Marx não é atual, abre um livro e cala a boca, ou pelo menos abre um jornal e descobre que o neo-liberalismo se foi, hoje até a GM americana é estatal. O Reino Unido e outros países estatizaram vários bancos quebrados, nada mais atual do que Marx.

Rodrigo Ferrari disse...

Sinceramente, essa entrevista é uma prova viva do péssimo nível do ensino superior no Brasil. O(a) fulano(a) que redigiu essa matéria na certa deve ser formado(a) em jornalismo. Para fazer uma entrevista capenga como essa, até a Carla Perez se sairia melhor. Esse lixo não pode ser chamado de jornalismo. Foi, sim, "levantação de bola" para que o empresário da educação Paulo Renato pudesse destilar todas as asneiras possíveis contra o PT e o movimento sindical. Se é para fazer assim, seria melhor que os jornalistas lambe-botas iniciassem tais entrevistas com uma pergunta mais autêntica, do tipo "De onde o senhor tira tanta sabedoria?" ou "Como o senhor faz para ser tão bom?".

OPINA disse...

É por isso que a USP não está mais entre as 200 melhores do mundo. Há uns anões aqui dizendo que Max não é atual: ainda bem que ainda existe gente inteligente e estuda a questão da formação da riqueza a partir da escravização da classe trabalhadora. Discurso antigo? Talvez devêssemos hoje perguntar ao trabalhador americano o que ele acha do fato de pagar impostos para o governo deles dar dinheiro aos ricos.
Aqui aparece cada uma, de dar dó. Pessoal, por favor estudem antes o Marxismo para não falar besteiras. A título de curiosidade, vejam os livros sobre economia hoje vendidos na Alemanha. Eles estão certos e nós também.

Anônimo disse...

Romanzeira, permita-me fazer minhas suas certeiras palavras, sobretudo a perfeita adjetivação do indigitado lobista-empresário Paulo Renato, qual seja "cuzão"!!! Melhor definição, impossível!!!

Marxista sim, e daí? disse...

Com o perdão da contradição, PELAMORDEDEUS, quanta ignorância, não só do lobista-empresário-secretário, mas de alguns comentaristas a respeito do sujeito que "só" criou a teoria do materialismo histórico, entre outras coisinhas miúdas que revolucionaram o pensamento filosófico acidental.
De onde é que esta gente tirou a tese de que apenas no Brasil se estuda Marx? Cruz credo (outra contradição, desta feita no estilo de Michel Pêcheux, a propósito, marxista), isso já não é nem ignorância; é obscurantismo no melhor estilo medieval.
Fala aí, gente liberal, quem é que é atual? Adam Smith? A turma da Universidade de Chicago que construiu toda a teoria (?) sobre a qual deitaram e rolaram os deuses do mercado financeiro?
Sobre o papo furado de Paulo Renato a respeito de ideologia, putz grilo, sem comentários... ou melhor, um comentário: só mentecaptos (Willian bonner, por exemplo, compartilha a tese do lobista-empresário-secretário) acreditam na possibilidade de neutralidade ideológica. É o fim da picada!!!

NaMariaNews disse...

"As boas são comandadas por diretores com uma visão moderna de gestão, coisa raríssima no país. Não existe no Brasil nada como um bom curso voltado para treinar esses profissionais a liderar equipes ou cobrar resultados, o básico para qualquer um que se pretenda gestor. Quem se sai bem na função de diretor, em geral, é porque tem algo como um dom inato para a chefia. A coisa funciona no improviso."- disse o Secretário.

Mas eu pergunto: Uai, e então os caríssimos "cursos" contratados pela vossa Secretaria, à certa empresa controversa e poderosa como sempre, para o tal projeto Escolas de Gestão, não adiantaram de nada? Os diretores não aprenderam com a tal empresa a ter 'visão moderna de gestão'?
Sei.

Anônimo disse...

Marxista sim e daí das 10:14, além dos mentecaptos, os mal intencionados também acreditam em cientificismos e neutralidades e numa vida sem ideologia (exceto a ideologia deles, que é "técnica").
Devem crer também em Santa Klaus, Dia das Bruxas e outras ciências eurodescendentes...

Anônimo disse...

Keynes explica muito mais a crise atual do que Marx. Ninguém recorreu a Marx para explicar a crise financeira pela qual passamos, e sim a Keynes e pós-keynesianos.
Marx pode ter sua importância para a filosofia, mas para a economia, acabou.
Os mesmos trabalhadores que pagam impostos nos EUA são os donos da GM e de outras milhares de empresas. Hoje qualquer um pode ter parte de uma empresa, basta comprar ações no mercado acionário. E onde está a aposentadoria dos trabalhadores americanos? Em ações, oras. Não é à toa que eles perderam grande parte de suas riquezas com a crise e a queda na bolsa.
Marx acabou para a economia. Reconheçam.

Benê Teixeira disse...

NaMaria, é a velha cartilha neoliberal... "tempos modernos" (que Chaplin me perdoe). É gestão daqui, gestão dali, sempre com a muleta, digo, apoio de alguma consultoria. Eles chegam, mapeiam processos, criam indicadores, planos de ação... tudo bem explicadinho numa apresentação ppt. Depois vão embora, levando uma bolada, e tudo fica na mesma. Vão-se os anéis, ficam os dedos (pisoteados) dos otários que tiveram que trabalhar para os "consultores". Isso acontece aos montes em multinacionais, paradigma de "jestão" que esses indivíduos querem levar para os organismos públicos.
Abs
Benê Teixeira

Anônimo disse...

A questão não é ser estatal ou não. Acho que isso nem se discute. O Brasil precisa das universidades públicas. A questão é: é justo um cidadão pagar duas vezes para estudar? Pagar para ele próprio estudar e também pagar para um terceiro também estudar??? Ora, nós sabemos que as coisas custam dinheiro. Nada é de graça. Sempre alguém tem de pagar a conta. Então por que aquele que usa o serviço não deve pagar por ele??? Pelo amor de Deus, todos que estão na universidade pública podem pagar. Pois então que paguem. Isto é como os pedágios. Muitos reclamam deles, mas não dizem que quem paga são aqueles que usam a estrada. O cidadão que não tem carro, que anda a pé ou de bicicleta não paga pedágio. Acho isso muito justo. Quem for usar a estrada que pague pelo serviço. E acreditem, por incrível que parece, eu sou comunista.

Lucas disse...

Caro anonimo, você está errado, todos que andam de bicicleta, ou andão a pé, também pagão pedágio. Como assim? Simples. Tudo que você compra as empresas transportam por caminhões etc. os camnhões pagão pedágio e a empresa repassa o pedágio no preço do produto. Você paga pedágio.
Qual seria o critério para se pagar uma faculdade pública? Renda fixa? avaliação de patrimonio? Considerando que a maioria dos estudantes "ricos" não trablhão, e muitas vezes morão sozinhos, seria julgado o que nessa contabilidade? o patrimonio de seus pais? Vejo isso criando um chaos em que: O pobre não entra, o rico não paga e os de "classe média"( e os raros pobres que entrarem) pagão. Como vejo que educação é direito de todos que deve ser garantido pelo estado independente de classe social, sou contra.(Isso nem de longe solucionaria o problema de ingresso em universidades públicas)...
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Com relação ao plano de carreiras em relação aos professores. Do jeito que está, está péssimo, só agravaria mais o problema profissional, uma vez que óbrigaria universidades simplismente a lançar conteúdo atrás de conteúdo, sem se preucupar em ensinar didatica, ética etc. O dever do professor é preparar o aluno para vida, e nãosimplismente jogar conteúdo. A avaliação de professores só leva enconta o domínio do conteúdo, e deixa de lado o que é mais importante: sua ética, seus posicionamentos sobre a sociedade e a vida.
Desse esquema um professor recém formado em uma faculdade xulé (como aquelas de direito que se aplicam somente em preparar os alunos para o exame da OAB) terá muito mais chances de ganahr maiores salários, e ter prioridade na escolha de Aulas, mesmo que, por exemplo, tenha opnião favoravel a discrimanção racial, ou ditaduras baseadas em chacinas.
Outro ponto que devemos considerar: A maioria das pessoas acha que exclusivamente os professores e a diretoria são culpados pelo baixo aproveitamento dos alunos na aula, e simplismente ignoram todos os outros fatores como:
-Local onde a escola está localizada.
-Verba remetidas a mesma.
-Involvimento soceidade escola.
-Padrão dos alunos que as frequentam (neste item está incluso, des de nivel socio economico do aluno, até seu ambiente familiar).

É impossivel comparar escolas cercadas por cortiços do centro de SP, mais próximas a locais miseraveis etc com uma escola pública que fica entre bairros de classe média/média alta. O motivo é óbvio: Ambientes extremamente diferentes.
Esses planos não levão em conta nenhum destes fatores o que fatidicamente resultará em:
-Agravmento da evasão de professores de bom nível de escolas localizadas em lugares mais pobres. Pelo simples fato de que etra muito menos chance de ascender na carreira.
-A escola perderá seu papel social. Não buscara mais se envolver em projetos que ajudem da qual faz parte.
-O aluno será recompensado pela sua capacidade de memorizar, e não por sua criatividade, e a capacidade de ligar conceitos a vida. (se isso acontece pouco, acontecerá cada vez menos)

Como pode ver tudo leva ao um sucateamento massiço das escolas localizadas em locais mais pobres afinal, a maioria de seus professores serão mal remuneradas, com a capacidades profissioanais abaixo do nivel considerado médio. Nessa mesma linha, essas escolas terão menos atenção governamental receberão menos verbas, e os alunos que realmente precisam de ensino de qualidade,não o terão.

Para concluir: As politicas do governo de SP, estão apenas usando professores como bode espiatorio para os vários problemas da educação no estado, cujo professores ruins, são apenas mais um. Não a um trabalho, nem um planejamento sério que vise realmente revolucionar a educação, mas apenas tapar buracos.

Desculpem se falei de mais e com muitos erros de português, mas fiquei indignado e já são 2 da manhã tenho que durmir.

Lucas disse...

correção:

-A escola perderá seu papel social. Não buscara mais se envolver em projetos que ajudem a sociedade da qual faz parte.

ALMO disse...

E esse cidadão já foi ministro da educação..

Ridículo. É por isso que a educação de São Paulo estrá "tão boa"..

A hora dele vai chegar....

Andre I souza disse...

Cloaca, só mais um pitaco. Como seria o pré-requisito para ser 'rico' no Brasil a partir do histórico dos IDEOLOGICAMENTE assemelhados ao grande lobista? Fácil, a partir da declaração de IR, ou melhor, baseando-se no fato de que pobres serão somente os isentos de IR, e, aí, ficaria bem simples, porque FHC já demonstrou tamanha capacidade ao aumentar a classe média apenas diminuindo o teto de contribuição e congelando-o por muuuuuiiiitos anos, e alguns claudicantes comunóides-psolistas, pelo visto, têm saudades. Heloísa Helena vem aí, para a alegria da pior DIREITA que o País já emberçou.

andre i souza disse...

Em tempo : No meu comentário imediatamente anterior leia-se 'teto para isenção'. Desculpe-me.

cremilda disse...

Cloaca.
Esse almofadinha, não é secretário nem em horas vagas....
Nâo está em lugar nenhum.
Ele tem entre outras instâncias um blog, onde eu postei um monte de coisa.
Agora ele censurou o blog, só entra lá quem vai puxar saco, ou então para falar mal do Lula
Eu estou censurada por lá, mas falei num programa da Alesp que ele devia esquecer um pouco o Lula e começar a ser de fato secretário de educação.Que o Lula vai bem obrigada, quem vai mal é a escola pública do estado de são paulo...

Vera de Oliveira disse...

Essa "aberração que o cara-de-pau chama de "plano de carreira" não passa de "engana-trouxa". E os demais estados que se cuidem: o serrágio está "vendendo" isso, em todo o Brasil, como se fosse a oitava maravilha do mundo! Os 150 mil professores que, em tese, poderiam fazer as tais provas, são efetivos, isto é, já prestaram concurso para o cargo que ocupam. Eu mesma já passei em dois concursos. O problema é que, para fazer a tal prova, o professor não poderá ter NENHUMA FALTA. E a grande maioria falta porque está DOENTE (e nem pode pagar plano de saúde). Devido aos baixos salários (é mentira do secretário que o salário inicial é 1800 reais), enfrentamos uma carga horária estressante, péssimas condições de trabalho e todos se sentem no direito de nos tripudiar: governador, secretário, diretor, pais e alunos. A segunda condição para se poder fazer a prova é que o professor esteja há pelo menos 4 anos na mesma escola. A maioria assume seus cargos em cidades distantes e vive ansioso para voltar para perto dos seus. Mas, o ABSURDO maior é: mesmo os que conseguirem excelentes notas, não terão garantia de receber os 25% de aumento, pois somente "até" 20% deles terão esse direito, isto SE O GOVERNO TIVER GRANA PRA PAGAR! Entenderam? É ou não um ENGODO? E O PIOR DE TUDO: OS APOSENTADOS (que raramente tinham aumento), daqui pra frente, NÃO O TERÃO NENHUM!!! E se há professores mal formados, são justamente aqueles provindos de faculdades de final de semana, cujos proprietários são TUCANOS. Ele chama os professores das universidades públicas de marxistas, porque gostaria de impor a todos um pensamento único: O NEOLIBERAL. Nem a crise do capitalismo fez essa corja aprender.

Cremilda disse...

Outra bobagem que o secretário falou é sobre escolas de boa qualidade.
Não temos nenhuma escola de boa qualidade no estado de São Paulo
Temos as muito ruins e as péssimas.
Ele diz que com o mesmo investimentos temos escolas ruins e algumas boas.
As escolas tidas de excelência são as mais excludentes.
A escola tida como a melhor do estado fica no Taboão da Serra, com um diretor autoritário e arrogante. Só entra nessas escolas os pais que tem como pagar aulas e cursos particulares, escolhidos a dedo. Aluno de favela e de bolsões de pobreza, nem pensar.
O diretor faz uma entrevista individual com os pais cujos filhos são candidatos a vaga, e preeenche uma ficha onde ele faz o demonstrativo de sua condição econômica.
O pai se compromete e se responsabiliza que os trabalhos pedidos sejam feitos assim com as lições de casa.
Ora, na minha opinião, lição de casa é para fixar a lição passada na escola.
Em escola de excelência as provas são dificílimas e os trabalhos também, tudo valendo nota, mas a matéria não é ensinada na sala de aula, o professor dá as questões e os temas e o aluno se vira em casa ou em cursos fora, e a escola então aplica a prova e corrige os trabalhos. O aluno aprende e a escola fica com fama de forte.
Nas escolas de excelência as mensalidades e os uniformes vendidos na escola também são proibitivos para os alunos mais pobres...
E o secretário não sabe disso???
A Escola Lucia Bueno de Castro apontada como a melhor do ano passado é exatamente assim.
Os pais não podem bancar uma escola paticular e então se enganam com a escola "excelente" que o estado oferece, e juram que é uma boa escola. Fica mais barato pagar um cursinho fora e uma professora de vez em quando que pagar a mensalidade de uma escola particular. Um meio dos pais de classe média baixa se enganarem e essas escolas mentirosas e excludentes vão se mantendo as custas de nossos governantes cegos e inoperantes.

Jurandir Chamusca disse...

Sabem o que é pior? pior de tudo, uma escrescència, vômito, meleca de nariz, cera de ouvido no pão que o diabo amassou,cocô de gato no jardim, pasta de coisinha branca da barata e outras nojeiras?
É ver professor votando no Bento Carneiro, vampiro brasileiro (Serra) e no Kassab chimbungo.

Anônimo disse...

Cobrar os 12 mil reais por mês que gastam para dar ensino público aos riquinhos da USP seria um começo.