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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

SERRA SUPERFATUROU PAPEL HIGIÊNICO NA BOLÍVIA

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Lançado em 1989, pela Editora Terceiro Mundo, o livro “O pilão da madrugada - Neiva Moreira, um depoimento a José Louzeiro” é, ainda hoje, um grande celeiro de curiosas revelações. Jornalista e ex-deputado federal, Neiva Moreira é um homem de muita história (veja aqui ou aqui).
Logo após o golpe militar de 1964, Moreira encontrou seu primeiro refúgio na Bolívia, onde viveu por um bom tempo. Desse período, narrado por Neiva no livro, destacamos o trecho abaixo, pinçado das páginas 208, 209 e 210.
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.(...) Quando, em 1964, cheguei exilado com o Kurt ao aeroporto de El Alto, recebi os cumprimentos de um assessor do presidente Estenssoro, que voltara ao poder (Siles estava então em seu 15º exílio) e o convite para que o visitasse em palácio. . Kurt entre o "soroche" e o papel higiênico .
O Kurt complicou a nossa chegada. Ao descer do avião no aeroporto de El Alto, a mais de 4000 metros de altitude, caiu duro e passou quase dez dias na cama, hospitalizado. Pagara o seu tributo ao "soroche", ou o mal das alturas que eu próprio iria conhecer depois, nas andanças pela cordilheira. Ficamos alguns dias num hotel e logo alugamos um apartamento, com José Maria Rabelo, Carlos Olavo da Cunha Pereira e José Serra. Rabelo e Olavo são jornalistas e políticos em Minas Gerais. Estavam, até então, dispersos em hotéis e pensões de La Paz. Marcelo Cerqueira, alojado numa pensão, estava frequentemente reunido ao nosso grupo. Diretor do jornal político-humorístico Binômio e militante socialista, Rabelo deixara a direita mineira em apuros com seu jornalismo cáustico e documentado, que provocou não poucas complicações. Olavo, com um jornal em Governador Valadares, O Combate, teve corajosa atuação nas lutas camponesas do vale do rio Doce; José Serra havia sido presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e continuava seus estudos de economia que o levaria, anos mais tarde, ao cargo de secretário do Planejamento de São Paulo e, posteriormente, deputado federal constituinte pelo PMDB paulista. ..
E o alemão? . Você não esquece o nosso Kurt. Era (e é) realmente uma figura. Ele se juntou ao nosso grupo no aluguel do apartamento da Avenida Arce, e com ele dividíamos a gestão da casa. Cada um de nós a administrava durante sete dias, e eu me recordo que a última semana anterior à dele tinha sido conduzida pelo Serra. O Kurt, germanicamente, quando foi receber a administração, fez a exigência de uma auditoria meticulosa. Ele queria informações de tudo. Uma das coisas que desejava saber é se tinha havido alguma disenteria na semana anterior. "Que eu saiba, não, respondeu o José Maria, Por que?". - Porque tem aqui 400 a 500 metros de papel higiênico, gasto que o sr. Serra não quer explicar. O Serra ficou furioso e até hoje fica de mau humor quando se fala a respeito. Kurt se aposentou do serviço secreto - não tão secreto -, ficou no Brasil e me visitou na revista, para lembrar os velhos tempos. Em um desfile de carnaval do Rio, reencontrei Serra, que já estava no governo de São Paulo. Ficamos juntos, recordando o exílio boliviano. "Não consigo ainda desculpar esse alemão por causa do tal papel higiênico. Pensando que eu tivesse ficado com o papel. Era só o que faltava!", me disse. (...)
.Antes que você nos deixe um comentário iracundo, acusando-nos de patrocinar picuinhas contra o pobre Zé Chirico, saiba que o governo tucano de São Paulo anda fazendo, à sorrelfa, curio$as negociações com uma importante indústria gráfica mineira, embrulho que trataremos de desempacotar, detalhadamente, nos próximos dias.
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Com a colaboração do leitor Fernando C. M. Andrade, de Niterói - RJ

segunda-feira, 27 de abril de 2009

PÉ CHATO TERIA LIVRADO SERRA DO SERVIÇO MILITAR

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Logo após deixar, secretamente, a clínica do Dr. Scholl, onde cuida de uma renitente unha encravada - adquirida pelo hábito de usar "bico fino" - o governador tucano Zé Chirico confidenciou ao seu braço direito, o Secretário e ex-assaltante Mateus, que seu sonho de adolescente era fazer carreira na caserna. Seus planos, no entanto, foram para o beleléu em 1960, no dia de sua apresentação ao quartel do Parque Dom Pedro, em São Paulo, próximo da casa em que vivia, no bairro da Mooca, ô meu. Ao passar os recrutas em revista, o Dr. Shibata, responsável pelo "exame médico", teria constatado que aquele rapaz portador de olheiras era também possuidor de pés "planovalgos flexíveis", dispensando-o da incorporação por "insuficiência física permanente para o serviço militar, podendo exercer atividades civis". Naquela ocasião, ao carimbar o verso do documento de alistamento do jovem José, o médico teria ainda o aconselhado a cuidar das frieiras. Ao perceber a proximidade de nossa reportagem e ver que seu segredo chegara aos nossos ouvidos, o tucano deu no pé, marchando com alguma dificuldade.