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sábado, 27 de março de 2010

O MASSACRE DO MORUMBI – IMAGENS ESTARRECEDORAS



Professor conta como sobreviveu ao ataque das tropas de José Serra
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Do blog Eco-Subversivo
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Nesta tarde de sexta-feira (26/03/2010) presenciei o horror que é a repressão policial a manifestações. Foi na Assembléia dos Professores Estaduais de São Paulo que ocorreu na frente do estádio do Morumbi, onde o intuito era chegar à frente do Palácio dos Bandeirantes (sede do governo estadual paulista). A movimentação da polícia militar (PM) era intensa e esta colocou barricadas nas ruas que levavam a sede do governo para impedir qualquer um de se aproximar do local.
Depois de tomar uma chuva intensa e após começar a assembléia, nós começamos a subir outra rua, mas havia uma barreira de policiais do choque para impedir todos de passarem. Em outra rua adjacente também estava formada outra barreira de policiais da Rocam, ou seja, eles cercaram todos os acessos. Ai que entra o maior erro que é do governo em não garantir o direito democrático de ir e vir dos cidadãos, mesmo em uma passeata. Era uma manifestação de professores, pacífica e não de vândalos. Onde está a democracia? É democrático impedir uma manifestação de chegar perto da sede de um governo?
Então começou haver uma aglomeração do lado da barreira do choque. A tensão estava no ar e muitos membros do sindicato estavam alertando todos para não haver qualquer confronto ou provocação. Mas a polícia ja parecia pré-disposta para o confronto. Eu estava chegando perto e sabia que qualquer pequeno motivo, ou seja, qualquer "palito" que fosse jogado contra a polícia seria o motivo para esses começarem com a violência.
Foi o que aconteceu, pois quando cheguei perto pude ver alguns policiais já descendo o cassetete em cima dos manifestantes e também já começaram a jogar bombas de gás lacrimogêneo e atirar balas de borracha. O estouro das bombas era ensurdecedor e o pior era o gás que intoxicava todos e fazia arder os olhos fortemente. Muitos se feriram gravemente com as balas de borracha, o que foi uma atitude covarde por parte da polícia. Teve até uma bomba, que não era de gás lacrimogêneo, que estourou perto de mim que estilhaçou para todo lado. Foi um absurdo ver professoras e professores de idade que estavam ali saírem correndo como se fossem marginais (…)
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Mais vídeos aqui e aqui.

EU VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR

Policial militar ferida é carregada por  suposto paisano infiltrado no dia em que os professores grevistas da rede estadual de São Paulo levaram pau da milícia de José Serra.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O ESCALAFOBÉTICO PLANO DA TUCANA ESTRAMBÓTICA PARA SEPULTAR A EDUCAÇÃO (e a fuleiragem de um jornalzinho sabujo)

O tablóide gaúcho Zero Hora (aquele que recebe 80% das verbas publicitárias estaduais de mídia impressa) publica uma fenomenal reportagem em sua edição de hoje.
Diante do anúncio feito pela apombocada senhora Mariza Abreu, secretária de Educação de Yeda Crusius (aquela supostamente corrupta), de que pretende agrupar todas as disciplinas dos ensinos Fundamental e Médio do Rio Grande do Sul em apenas quatro áreas, o jornalóide da RBS apresenta o ribombante título: "O que vai mudar na sala de aula". Em seguida, transcreve o press release governamental, enfileirando as "mudanças": professores de Química, por exemplo, passarão a lecionar, também, Física e Biologia. Professores de Português deverão ir para as quadras ministrar aulas de Educação Física - e vice-versa, claro. Coisa pouca, como vemos. E, qual seria "o modelo em que a Secretaria de Educação se baseia?" - indaga a gazetinha para si própria, à guisa de jornalismo interpretativo? Por favor, não ria da resposta: "É inspirado em experiências de escolas paulistas, mineiras, portuguesas e argentinas". Na edição impressa, esse portentoso feito de reportagem ocupa cerca de 2/3 (dois terços) de página, e, como sabemos, um tablóide é um tablóide. Considerando que a leitura de tal peça não ocupará muito de seu tempo, sugerimos que você clique aqui e testemunhe o lúgubre anúncio do passamento da Educação pública gaúcha. O jornalismo, não custa salientar, desceu à cova faz tempo.
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FOTO: BOLO NEGA MALUCA

quinta-feira, 12 de março de 2009

GOVERNADORA TUCANA QUER REVOGAR A LEI ÁUREA

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Veto de Yeda Crusius a projeto aprovado pela Assembléia Legislativa institui o trabalho escravo no magistério gaúcho
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No último dia 16 de dezembro, a Assembléia Legislativa do RS aprovou um Projeto de Lei que prevê o abono das faltas dos professores da rede estadual motivadas por uma greve legítima. No fim das contas, aquelas horas/aula perdidas foram repostas integralmente pelos mestres, sem qualquer prejuízo aos estudantes. Ainda assim, prevaleceu o caráter fascista do governo tucano, que valeu-se de um decreto medieval, baixado dias antes, para descontar os dias parados do Magistério. Para rememorar os registros que fizemos daqueles tristes epísódios, clique aqui e aqui. O Projeto de Lei que anistia as faltas dos servidores foi aprovado na Assembléia com 41 votos favoráveis, boa parte deles, por sinal, vindos da própria base governista. Remetido ao Palácio Piratini, para a sanção da governadora tucana, esta o vetou sumariamente. O torvo rancor da truculenta senhora, porém, desconsiderou a mais elementar lei das relações laborais: quem trabalha faz jus ao devido pagamento. Hoje, pelo terceiro dia consecutivo, os deputados estaduais gaúchos tentarão derrubar o veto de Yeda ao Projeto de Lei 285/08. Na última terça-feira, o tablóide Zero Hora sequer se constrangeu ao mostrar de que maneira o governo da tucana supostamente corrupta está agindo para reconquistar seus "infiéis": uma ajudinha a um frigorífico aqui, um asfaltozinho ali... (clique para ler). Caso o veto se confirme nesta tarde, é provável que o Executivo nem abra processo licitatório para comprar grilhões e calcetas: bastará recorrer à bancada escravagista do Senado, para pedir umas dicas de fornecedores. Jarbas Vasconcelos e Kátia Abreu devem ter vários nomes em suas cadernetinhas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

PROFESSORES GAÚCHOS JÁ ESTÃO PAGANDO PELO JATINHO DE GOVERNADORA TUCANA

Os leitores habituais do tablóide Zero Hora estão tomando conhecimento, na edição de hoje do jornalzinho, de que "Yeda quer visibilidade às ações do governo". O texto da "reportagem" informa que, em reunião com seus secretários, "a governadora Yeda Crusius formatará estratégia para o governo estadual aparecer mais em 2009. Como garantir o brilho do Executivo em anúncios de medidas positivas...". Em outra matéria, na edição digital, lê-se que "Yeda diz que avião não é luxo", e mais esse desabafo da tucana: "Eu vou pegar todo dinheiro em caixa e a Yeda vai "luxar" por aí. Não, não é isso. Não se compra um avião em cash (dinheiro), a não ser que se tenha cash — disse lembrando que o governador de Santa Catarina tem três aviões, e do Paraná, oito." Disse mais a desvairada senhora: "Podem chamar de Aeroyeda, Queen Air, o que quiserem, podem continuar discutindo, o Rio Grande tem que se discutir". Enquanto isso, algumas dezenas de milhares de professores da rede estadual gaúcha estão queimando a mufa para saber onde gastar o polpudo subsídio de alimentação depositado esta semana em suas contas-correntes pelo brilhoso Executivo: algo em torno de 35 reais. Até o mês passado, tal quantia passava de 90 reais. Desse reluzente e palpitante tema, no entanto, o tablóide do grupo RBS não se ocupou. Ah! íamos nos esquecendo de mencionar este outro trecho do esplendoroso jornalismo de Zero Hora: "A partir de agora, haverá reuniões de pauta semanais com assessores de imprensa que trabalham no primeiro e segundo escalões, para afinar a melhor forma de transmitir a informação até mesmo sobre o acesso a serviços de interesse dos cidadãos".

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A COLUNISTA DO MELZINHO ATACA NOVAMENTE

Ah, esses professores!
Cumprindo seu rotineiro mister de legitimar os atos e as ações do governo fascista da tucana Yeda Crusius, a colunista e editora de Política do tablóide Zero Hora - aquela mesma, a tal abelha - nos brinda hoje com mais alguns de seus pitéus mefíticos. Em uma das notas de sua "Página 10", a depuradora como que festeja o corte do ponto e o desconto de METADE do salário de novembro dos professores gaúchos, avaliando que eles "serão compelidos a voltar às aulas" (repare na escolha do verbo: é o mesmo que dizer: "vão ter que voltar na marra"). Nos parágrafos seguintes, esforça-se para explicar os "mal-entendidos" do projeto do Piratini voltado ao magistério. E, no final, tasca: "Pouco familiarizados com a complexidade dos textos legais, muitos professores entenderam que o projeto acabava com o adicional de um terço nas férias, quando é exatamente o contrário...". A pergunta que não quer silenciar é: se o famigerado projeto do governo fascista era tão maravilhoso assim, por que, diabos, o governo fascista precisou retirá-lo da Assembléia e reenviá-lo com uma emenda? Será que mesmo os deputados estaduais que o apreciariam também são "pouco familiarizados com a complexidade dos textos legais"? A untuosa jornalista poderia, ao menos, ter completado o serviço.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

IMPRENSA VENAL GAÚCHA OMITE FIASCO DA SECRETÁRIA TUCANA DE EDUCAÇÃO

Mariza Abreu usa caminhão de lixo para se esconder dos professores Aconteceu ontem, 19, em Santana do Livramento, a 500 quilômetros de Porto Alegre, na fronteira com o Uruguai. A Secretária de Educação do governo Yeda Crusius, Mariza Abreu, era esperada pela manhã para cumprir compromisso de agenda com diretores de escola em um hotel da cidade. Para fugir de um encontro inconveniente com professores grevistas que a aguardavam, assessores espalharam a informação de que a presença da Secretária fora cancelada. Horas mais tarde, a Secretária foi descoberta participando de uma reunião com prefeitos da região, dentro das instalações do Segundo Regimento de Polícia Montada, da Brigada Militar. Para evitar o contato com os professores, que queriam entregar a ela um documento com reinvidicações, Mariza Abreu ordenou que um caminhão de coleta de lixo bloqueasse o acesso ao quartel. A carta chegou a ser entregue, mas ao capitão do regimento, enquanto a secretária tucana evadia-se do local por uma saída aos fundos.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A FOTO MOSTRA UMA COISA. E A COLUNISTA DE ZERO HORA DIZ OUTRA.

Este blog não é de muitos rodeios. Não espere encontrar aqui ensaios epistemológicos e textos "cabeça" sobre o que quer que seja. Nossa missão é outra, como se pode ler logo à direita de quem entra. Aliás, nosso nome não é CLOACA DIPLOMATIQUE. Somos simples, talvez até intelectualmente simplórios. Mas não somos idiotas. Por isso mesmo, ao nos depararmos com a imagem acima, homiziada na coluna eletrônica de Rosane de Oliveira, a colunista-abelha do tablóide Zero Hora, estacamo-nos em meio a um surto misto de perplexidade e indignação. O título da nota assinada pela "depuradora de melífluos sabores" (leia postagem do dia 15/11) é: "De professora para professora". Assim escreveu a vespinha: "Incomodada com os protestos de um grupo de professores grevistas e integrantes do Cpers diante do Piratini nesta quarta-feira de manhã, Yeda Crusius não hesitou em pedir silêncio aos manifestantes, com o dedo à frente dos lábios. Yeda participava de um ato em homenagem ao Dia da Bandeira, com a banda da Brigada Militar executando os hinos Nacional, da Bandeira e do Rio Grande do Sul, diante do palácio. Segundo a governadora, ela pediu silêncio porque os manifestantes estavam vaiando durante a execução dos hinos. A presidente do Cpers, Rejane de Oliveira, tem outra versão. Ela diz que os professores entoavam palavras de ordem, mas apenas enquanto a banda não tocava".
Observe a foto, cara leitora, caro leitor. Repare que há um camarada de terno azul amarrando uma das bandeiras a serem hasteadas. Significa que ainda não se iniciara a execução dos hinos, concorda? Observe os cavalheiros risonhos e descontraídos que circundam a governadora tucana. Convenhamos que postura deles não é a que se imagina de alguém em "posição de sentido", adequada a uma situação tão solene. Obviamente, a cena flagrada pelo fotógrafo Fernando Gomes antecede a parte musical, digamos, da cerimônia. Mas a jornalista adestrada e servil preferiu apresentar a "versão" de Yeda Crusius, a de que os manifestantes - mulheres e homens, a maioria professores - vaiaram "durante a execução dos hinos". Esta é a Editora de Política do tablóide da RBS e a "analista política mais importante do Rio Grande do Sul".

FURAMOS ZERO HORA!!!

A mais recente notícia publicada na edição digital de Zero Hora sobre a greve do magistério gaúcho foi ao ar às 20:50h desta terça-feira, 18. A última atualização da mesma ocorreu às 02:04h desta quarta-feira, 19, como você poderá conferir aqui. Eis a manchete de Zero Hora: "Cpers consegue 30 assinaturas para que análise do projeto do magistério seja adiada". Precisamente às 21:13h de ontem, terça, 18, o Cloaca News já estava anunciando a adesão do deputado Paulo Borges - como o 31º nome - confome a postagem abaixo. Na verdade, o deputado só não assinou fisicamente a lista do CPERS/Sindicato por encontrar-se em licença-paternidade. Neste momento, 02:17h do dia 19 de novembro, o Cloaca News é único meio de informação em todo o hemisfério sul a divulgar essa alvissareira notícia. Sorry, tablóide!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O TEMPO FECHA PARA YEDA

O deputado estadual Paulo Borges, líder da bancada do DEM na Assembléia Legislativa gaúcha, acaba de anunciar que aderiu nesta terça-feira,18, à Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa do Piso Nacional dos Professores. Borges, campeão de votos na última eleição - exatos 113.151 - é o 31º parlamentar a manifestar apoio ao movimento. Com isso, fragiliza-se ainda mais o sinistro e traiçoeiro projeto de lei de Yeda Crusius, que congela os salários dos professores e manda para o lixo as conquistas do Plano de Carreira do Magistério. O jornalista Paulo Borges ficou famoso no Rio Grande do Sul como o bem-humorado "homem do tempo", nos telejornais da RBS TV. Atualmente, os presságios climáticos do nobre deputado vão ao ar pelas ondas da Rede Pampa. O Cloaca News aproveita e parabeniza o legislador pelo nascimento de Felipe, chegado ao mundo em 30 de outubro, com 3,195kg e 50cm de "altura".

PRESSÃO DE PROFESSORES GAÚCHOS SOBRE DEPUTADOS SURTE PRIMEIROS EFEITOS

Na manhã desta terça-feira, 18, acompanhados de mais de 100 professores de diversas regiões do Rio Grande do Sul, o Comando Estadual de Greve, do CPERS/Sindicato, foi recebido por um grupo de deputados no plenarinho do Palácio Farroupilha. Entre outras coisas, a presidente do CPERS, Rejane de Oliveira, colheu assinaturas para uma Carta de Intenções, em que os signatários comprometem-se a NÃO votar o Projeto de Lei enviado pela governadora Yeda Crusius que, a pretexto de fixar um piso salarial de R$ 950 para o magistério, congela salários e joga no lixo o Plano de Carreira. A deputada Marisa Formolo (PT), presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, execrou o projeto tucano e manifestou-se, também, pela derrubada da ADIN que contesta o Piso Nacional do Magistério, no STF. A deputada Stela Farias (PT), que também é professora, assinou a carta e pediu a retirada do projeto, além de sugerir ao movimento que faça uma campanha de sensibilização entre todos os deputados. Os deputados Elvino Bohn Gass e Dionilso Marcon (PT) aproveitaram para tocar na questão do escândalo dos pedágios no Estado, acrescentando que é falso o argumento de “ajuste fiscal” exibido pelo governo tucano para cortar o salário dos servidores. Representando o PSB, o deputado Heitor Schuch assinou a carta do CPERS e mostrou-se solidário à luta do magistério gaúcho. Já o deputado Gilberto Capoani (PMDB) recusou-se a assinar o documento, mas ressaltou que não concorda com a votação de um projeto dessa natureza sem a devida discussão com a sociedade. Apesar de pertencer à bancada governista, Capoani chegou a ser aplaudido pela sua disposição de alinhar-se às reinvidicações do magistério. Também presente ao encontro, o deputado Raul Pont (PT) disse acreditar que o “mais seguro” seria derrotar o projeto por maioria de votos em plenário. E sugeriu que os professores atuem no sentido de arrancar dos demais membros do legislativo o compromisso de não analisar a matéria até o próximo ano. Acuado diante da forte mobilização dos professores em todo o Estado, o governo Yeda mandou retirar da Assembléia Legislativa o caráter “de urgência” de seu projeto de piso estadual. Mas ele continua lá. A greve seguirá até ele seja defitivamente sepultado. E, de acordo com o Comando, a adesão à paralisação atingiu 90% dos professores em todo o Estado.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O JORNALISMO-SACI DO PROFESSOR SCOLA

A matéria do vídeo acima foi exibida no último dia 11, em um dos telejornais da RBS TV. Observe, cara leitora, caro leitor, que o repórter adestrado que a produziu, verdadeiro didata, vai ao quadro-negro explicar as diferenças entre o piso salarial para o magistério, proposto pela governadora tucana Yeda Crusius, e o Piso Nacional do Magistério, definido em lei federal. O repórter-mestre aponta primeiro para a proposta estadual, de 950 reais, "com os benefícios incluídos". Em seguida, refere-se ao que determina a lei federal, ressalvando que o Piso Nacional "geraria um custo de um bilhão e meio de reais a mais por ano para o Rio Grande do Sul". Depois de assitirmos a essa reportagem pererê, extraímos da lição do peripatético jornalista que o projeto tucano para o magistério não gera "custo" algum para o Estado. Donde concluímos que esses baderneiros grevistas, que levarão os comerciantes do litoral à bancarrota, têm mais é que levar pau mesmo!

ZERO HORA: A DIVISÃO PANZER DO JORNALISMO DE ESGOTO A SERVIÇO DE UM GOVERNO FASCISTA

O tablóide Zero Hora, de Porto Alegre, já não faz mais questão sequer de dissimular seu espírito venal e lambeteiro. Não bastasse seu protagonismo histórico como porta-voz e baba-ovos das oligarquias do Brasil Meridional, agora o diário mais importante do grupo RBS não vê qualquer problema em se prestar, também, ao papel sujo de house-organ do governo corrupto e despótico da tucana Yeda Crusius. A cobertura feita pelo jornalzinho sobre as reinvidicações dos professores da rede estadual e sobre a greve do magistério gaúcho, decretada na última sexta-feira, escancara, para quem quiser ver, sua escolha pela depravação jornalística e pela degeneração moral. Mal o CPERS, o sindicato dos professores da rede pública estadual, anunciou que a sua Assembléia do dia 14 decretara a greve, Zero Hora já lançava seu primeiro míssil terrorista: "Comércio teme ser prejudicado pela greve dos professores estaduais". Ao mesmo tempo, já acionava sua infantaria, estrategicamente plantada, para colher as falas da governadora tucana e de sua adestrada Secretária da Educação, condenando a decisão. Tudo concatenado, para que as “notícias” se sucedessem rapidamente, aniquilando qualquer tentativa de contra-ofensiva por parte do que ZH chama, cinicamente, de “o outro lado”. Veja a sucessão de chamadas e sub-títulos publicada em suas edições digital e impressa neste fim de semana: " Secretária da Educação pede que os pais mandem os filhos para a escola segunda-feira" “Mariza Abreu enviou documentos com recomendações às escolas” “Em nota, secretaria da Educação reforça que ponto dos grevistas deve ser cortado” "Mariza Abreu comentou paralisação dos professores” “Greve do magistério já deixa alunos sem aulas em escolas de Porto Alegre” “Esta é a primeira paralisação votada às vésperas do término do ano letivo” “SEC traça plano contra a greve do magistério” “Ponto dos grevistas será cortado” “A paralisação ameaça o ano letivo, sim” ( “entrevista” de três perguntas com a presidente do CPERS) “SEC traça plano contra a greve”
Em nenhum momento – NENHUM! – o jornal publicou qualquer análise crítica honesta, contextualizando com propriedade os acontecimentos. Não se leu uma linha sequer questionando o caráter autoritário – fascista mesmo – do Decreto 45.959, assinado há poucos dias por Yeda Crusius, e insistentemente invocado agora para aterrorizar os servidores “rebeldes”. Não se vê qualquer de seus iluminados editorialistas esmiuçando o projeto de piso salarial enviado pelo governo tucano à Assembléia Legislativa – e que motivou a decretação da greve – , na contramão da lei federal que instituiu o Piso Nacional do Magistério. Nenhum repórter com crachá de Zero Hora foi visto no Palácio Farroupilha ouvindo os deputados a respeito do famigerado projeto, a favor ou contra. Se considerarmos que o tal projeto foi enviado em caráter “de urgência”, é sintomático o silêncio do jornaleco.
A “indignação” de Zero Hora não é pelo sucateamento da Educação no Estado; não é pelo desmazelo tucano com o funcionalismo, tampouco com o a suposta “perda” do ano letivo dos alunos da escolas estaduais. Zero Hora sempre se lixou para o verdadeiro interesse público. Seu negócio não é o Jornalismo, assim, com maiúscula. No momento, o “negócio” de Zero Hora – e de todos os veículos do pérfido grupo RBS – é livrar a cara da governadora tucana que ajudaram a eleger. É mascarar, esconder, iludir, embaçar, deturpar, obstruir, adulterar, até mentir, qualquer coisa, desde que a verdadeira – e tenebrosa – face da atual inquilina do Piratini não venha à tona. Qualquer problema, chame a Tropa de Choque da Brigada Militar. Não foi à toa que o comando da briosa corporação foi entregue a um celerado. Tem agricultor sem-terra marchando na rua? Pau nesses vagabundos! Tem professor reclamando das condições de trabalho? Dá-lhe bomba na cabeça desses baderneiros! É disso que Zero Hora gosta. É esse o tipo de notícia que leva seus colunistas aduladores ao êxtase. A greve do magistério gaúcho, aliás, caiu como uma luva para esses mercenários da informação: terão material suficiente para tirar de foco as falcatruas, mutretas e demais escândalos envolvendo o governo tucano e sua base de apoio parlamentar. Ou, ao contrário, poderão tratar de tudo sem falar de nada. Como sempre.

domingo, 16 de novembro de 2008

OS TUCANOS NÃO GOSTAM DOS PROFESSORES. NÓS GOSTAMOS

Não é difícil ser um bom professor. Bastam: um modesto currículo constante de três anos de Jardim da Infância, oito (ou seriam nove?) de Ensino Fundamental, três de Ensino Médio, quatro de faculdade (de preferência na Inglaterra) e mais dois de especialização (de preferência na França ou na Alemanha). Deverá carregar, também, mais uns 20 diplomas, não fazendo mal Filosofia, Inglês, Artes Plásticas, Música, Francês, Espanhol e duas línguas germânicas; cursos de Oratória, impostação de voz e de leitura dinâmica. Deve gostar de futebol, das discussões sobre o assunto e de esportes em geral. Deve estar sempre em dia com os noticiários internacional e nacional. Conhecer as falhas do ensino moderno, para não aplicá-las, e do antigo, para não redescobri-las. Sobretudo, procurar reformular tudo sempre. Ter um saco de para tratar igualmente todos os pupilos, sem nunca dar mais atenção a um do que a outro, sem esquecer de puxar o dos diretores – afinal, o professor precisa sobreviver, pô! E, além de tudo, ser simpático, talentoso nem se fala, esperançoso e perseverante. Conseguir falar a mesma coisa durante horas a fio sem se tornar chato, agüentando ninguém lhe prestar a mínima atenção. E mais: não sentir alergia a pó de giz; saber impor a disciplina sem perder a esportiva e não se irritar nunca com as brincadeiras dos alunos. Saber reconhecer uma cadeira quebrada a 500 metros de distância, para não se sentar nela. E, se sentar, não cair. E, se cair, fingir que não foi nada. E, se doeu, agüentar a mão. E se não der para agüentar, pelo menos não desmunhecar. Manerar com os alunos que não aprendem; com os que aprendem, mas não estudam; e com aqueles que aprendem, estudam e, irritantemente, sabem mais que ele, professor. Ficar contente em dedicar seus fins de semana à correção de provas, elaboração de apostilas e outros exercícios variados. Esquecer seus probemas pessoais em casa. Ser um liberal; defender sempre os jovens, seus ideais, suas exigências e até seus cacoetes. Ser condescendente até o último dente e, por falar em dente, jamais estar carrancudo. Compreender que a matéria que leciona é um tremendo saco e que se fosse outra, a turma, possivelmente, colaboraria muito mais.
E, naturalmente, ao receber no final do mês os R$ 950 de seu salário – já incluídas as gratificações, adicionais por tempo de serviço e demais benefícios do Plano de Carreira – jamais esquecer que, neste país, o aluno é sempre um tremendo injustiçado.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

MAGISTÉRIO GAÚCHO - Bons tempos aqueles em que levar bomba era apenas repetir de ano na escola

A professora Marli Helena Kümpel da Silva não esquecerá do último dia 16 de outubro, quando foi atingida por um artefato de "efeito moral" que lhe estraçalhou as pernas, nas imediações do Palácio Piratini, sede do governo estadual gaúcho. Como integrante da diretoria do CPERS, o sindicato dos professores, Marli viera da cidade de Erechim, interior do Estado, para juntar-se aos seus milhares de colegas, em manifestação pacífica, e reinvidicar coisas como: reajuste salarial, defesa dos planos de carreira e implantação do Piso Nacional para o magistério. A tropa de choque da governadora tucana Yeda Crusius, no entanto, deu-lhe uma lição, partindo-lhe os ossos. É esse o "novo jeito de governar" que a imprensa local - capitaneada pelos veículos da RBS - exalta e protege, por meio de sua matilha de colunistas sabujos e comentaristas louvaminheiros. Logo mais, às 13:30h, no ginásio Gigantinho, os professores estarão novamente reunidos, desta vez em Assembléia, discutindo a ridícula e traiçoeira proposta de Yeda Crusius enviada ao Legislativo. Estaremos lá, no meio desses perigosos elementos que insistem em querer um salário-base de R$ 950. Tomara que, desta vez, ninguém tome pau.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Não espere que a RBS dê essa notícia

Na próxima sexta-feira, dia 14, acontecerá a Assembléia Geral do CPERS/Sindicato, com os professores da rede estadual do Rio Grande do Sul. O evento será realizado no ginásio Gigantinho, com início previsto para as 13:30h. As principais discussões, além da reinvidicação salarial e da defesa dos planos de carreira, serão em torno da implantação do Piso Nacional do Magistério, estabelecido por lei federal, mas contestado com uma ação no Supremo Tribunal Federal pela governadora tucana Yeda Crusius.
A propósito, o tablóide Zero Hora, do grupo RBS, estampou, nesta terça-feira, uma nota de 200 caracteres, sem título, com a "posição oficial do governo" sobre o assunto. Segundo Rosane de Oliveira, a colunista adestrada que a publicou, o governo estadual "bateu o martelo" e vai fincar pé na remuneração de R$950 para a jornada de 40 horas, incluídas as "vantagens" pagas em dinheiro, como a gratificação de difícil acesso. Para os professores, esse piso regional sugerido pela tucana beira o deboche, já que o Piso Nacional estabelece esse mesmo valor como vencimento básico.
A tropa de choque midiática escalada para blindar Yeda, obviamente, não vai dar ao tema a importância que este merece. O sempre facundo Lasier Martins, de quem já tratamos em postagem anterior, talvez faça alguma menção ao clima atmosférico no dia da Assembléia, exaltando a beleza da luz primaveril. Os noticiários das demais máfi... ops!... redes - todos patrocinados pelo Banrisul, o banco estatal gaúcho - cumprirão seu dever cívico e lerão, com certa gravidade, o press release gentilmente distribuído pela Secretaria da Educação.
Restam aos professores gaúchos que não puderem ir ao Gigantinho duas maneiras de saber o que passou na Assembléia: clicar aqui no site do Cpers/Sindicato ou vir direto ao Cloaca News, que estreará sua unidade Roto-Rooter de Reportagem.
E, já que estamos aqui, não custa especular: considerando a postagem abaixo, será que os professores que dão aula à tarde e que estiverem na Assembléia já sairão do local algemados como criminosos, como reza o espírito do Decreto 45.959, que já está em vigor?