sábado, 9 de maio de 2009

CASO YEDA: LEIA AQUI A MATÉRIA DA VEJA. DE GRAÇA.

O Caixa 2 do Caixa 2
Gravações e um depoimento da empresária Magda Koenigkan lançam uma nova sombra sobre o governo Yeda Crusius
. A governadora gaúcha Yeda Crusius, do PSDB, não tem sossego. Enfrenta acusações de ter usado caixa dois em sua campanha eleitoral desde antes de tomar posse, em janeiro de 2007. Fato espantoso, as primeiras denúncias partiram de seu vice, Paulo Feijó. Como se não bastasse, no mesmo ano, a Polícia Federal desbaratou uma máfia que desviava recursos do Detran gaúcho. Os escândalos ceifaram três secretários de governo e o chefe da representação do Rio Grande do Sul em Brasília, Marcelo Cavalcante. Em seguida, a governadora foi obrigada a explicar onde arranjou dinheiro para comprar, no fim de 2006, uma casa em um bairro nobre de Porto Alegre. O caso, que lhe rendeu um pedido de impeachment, acabou arquivado pelos promotores gaúchos. Em fevereiro passado, a morte repentina de Marcelo Cavalcante injetou uma dose de tragédia nas agruras do governo tucano. O corpo do ex-assessor foi encontrado boiando no Lago Paranoá, em Brasília. As investigações policiais indicam que ele se suicidou. Assessor de Yeda entre 2002 e 2006 e coordenador de sua campanha eleitoral, Marcelo conhecia o PSDB gaúcho na intimidade. Com seu desaparecimento, parecia ter se perdido uma das mais acuradas memórias da campanha e dos primeiros dias do governo Yeda. Era uma presunção falsa. Na mesma semana da morte de Marcelo, descobriu-se que os procuradores federais dispunham de gravações nas quais o ex-assessor relatava irregularidades na campanha e na gestão da tucana. VEJA teve acesso a parte desses áudios. A reportagem ouviu uma hora e meia das dez horas de diálogos mantidos entre Marcelo e o empresário Lair Ferst, um dos acusados de participar dos desvios no Detran gaúcho. Neles, fica claro que o ex-assessor conversava com liberdade com Ferst, que o ajudara a arrecadar dinheiro para a campanha tucana. Nos trechos analisados por VEJA, há três fatos que merecem ser investigados.
• De acordo com Marcelo, Yeda recebeu dinheiro no caixa dois depois que a eleição terminou. Ele conta que, após o segundo turno, coletou 200 000 reais da Alliance One e outros 200 000 reais da CTA-Continental. São duas fabricantes de cigarros que, segundo Marcelo, fizeram as doações em espécie. O ex-assessor diz que entregou esse dinheiro a Carlos Crusius, marido da governadora. Procurados por VEJA, os executivos da Alliance One negaram ter abastecido qualquer caixa dois e mostraram um recibo que comprova a transferência bancária de 200 000 reais para o diretório estadual do PSDB. Já a CTA-Continental contesta ter feito qualquer doação à tucana. "Se me perguntar se me pediram dinheiro, direi que sim. Mas não levaram", diz Allan Kardec Bichinho, presidente da empresa.
• Marcelo afirma que algumas despesas do comitê eleitoral de Yeda foram custeadas pela agência de publicidade DCS, que não prestava serviços à campanha nem fez doações oficiais. Segundo o ex-assessor, a DCS pagou, por exemplo, suas passagens aéreas e diárias no flat Swan Molinos, em Porto Alegre. Após a eleição, arcou com recepções oferecidas por Yeda em sua casa. Depois que ela tomou posse, a agência continuou quitando as passagens e diárias de Marcelo. Yeda renovou os contratos que o Banrisul mantinha com a DCS. A VEJA, a agência negou ter pago essas contas.
• O ex-assessor diz que avisou Yeda sobre o esquema de corrupção no Detran gaúcho e conta ter entregado à governadora uma carta de oito páginas na qual o empresário Lair Ferst descrevia o modo como os recursos eram desviados da repartição. Ferst escreveu essa carta para tentar livrar-se da suspeita de envolvimento no esquema.
A reportagem de VEJA teve acesso a esses áudios há quarenta dias. Só os divulga agora depois de ter encontrado uma fonte com credenciais suficientes para comprovar sua autenticidade. Ela é uma testemunha que também ouviu as gravações e assegura que Marcelo reconhecia como legítimo o seu conteúdo. Mais: o ex-assessor relatou-lhe os mesmos fatos. Essa testemunha, Magda Cunha Koenigkan, foi companheira de Marcelo. Dona de uma revista brasiliense, a Sras&Srs, ela relutou em revelar o que sabia. Temia perder o apoio financeiro para sua revista por parte de governos aliados de Yeda.
Magda diz que decidiu correr esse risco em nome da memória do homem com quem viveu por quinze meses. Em cinco horas e meia de entrevista a VEJA, contou que Marcelo soube da existência dos áudios, gravados por Lair Ferst, em novembro de 2007. "Lair mostrou as gravações e disse que as entregaria às autoridades para provar que os responsáveis pelos desvios no Detran eram integrantes do governo Yeda, e não ele", lembra Magda. Ao ouvir isso, seu companheiro se desesperou: "Entrou em depressão e passou a beber".
De acordo com ela, Marcelo parecia ter reencontrado o equilíbrio em janeiro deste ano, quando aceitou confirmar o conteúdo das gravações aos procuradores federais que apuram o episódio. Chegou a marcar uma data para seu depoimento, mas morreu duas semanas antes da audiência. As declarações de Magda, segundo ela ouvidas diretamente de Marcelo, são desastrosas para o governo tucano do Rio Grande do Sul. Elas mostram uso de caixa dois e desvio de recursos eleitorais para aumento de patrimônio pessoal.
A presente reportagem revela que os áudios existem e que Magda Koenigkan diz ter ouvido do namorado o atestado de sua legitimidade. Mas os áudios não são provas processuais e, a VEJA, Yeda afirmou desconfiar de sua autenticidade. O PT já coletou catorze das dezenove assinaturas necessárias para constituir uma CPI na Assembleia Legislativa com o objetivo de investigar essas suspeitas. Só a CPI e as demais autoridades podem decidir se as gravações são evidência legal dos desvios ali narrados.
A empresária Magda Koenigkan viveu quinze meses, a partir do fim de 2007, com Marcelo Cavalcante, coordenador de campanha de Yeda Crusius, encontrado morto em fevereiro passado. Ela relatou a VEJA as confidências que seu companheiro lhe fez sobre irregularidades que teriam sido cometidas em nome da governadora gaúcha.
Como era a relação de Marcelo Cavalcante com Yeda Crusius? Era assim: na campanha ela ligava para ele a todo instante e pedia: "Marcelinho, precisamos arranjar 10 000 reais para isso e aquilo". E ele arranjava. Era ele, então, quem coletava doações? Se havia um dinheiro para receber, Marcelo pegava e entregava a Carlos Crusius (marido da governadora). No começo (da campanha), tinha de convencer as pessoas a colaborar. Quando Yeda começou a subir nas pesquisas, ficou mais fácil. Vinham 200 000 reais dali, 100 000 de lá. Só que esse dinheiro não entrava para o caixa. Ia para onde? Olha, entre o fim do segundo turno eleitoral e a semana posterior à eleição, Marcelo recebeu 400 000 reais de dois fabricantes de cigarro, 200 000 de cada um. Ambos pediram para que a verba não fosse entregue oficialmente. Então, foi para o caixa dois. Marcelo falava em caixa dois? Até do caixa dois do caixa dois. Marcelo deu os 400 000 reais a Carlos Crusius no comitê da campanha. Crusius agradeceu e foi para uma sala mais reservada, enquanto Marcelo conversava com fornecedores que esperavam para receber o dinheiro que lhes deviam. Aí, Crusius apareceu e disse: "Quero me desculpar. Não conseguimos o dinheiro. Vamos precisar de mais um prazo. Espero sua compreensão". Como Marcelo reagiu? Foi tirar satisfações com Crusius. Ele sempre me repetia essa história. Contava que disse a Crusius: "Como não tem dinheiro? Entreguei na sua mão". Marcelo acreditava que Crusius escondia tudo da governadora. Mas ela justificou a história. Chegou e disse: "Marcelinho, Crusius quer pagar uma dívida antiga nossa que está apertando a gente e, se sair na mídia, não vai ser bom". Marcelo se indagava sobre que dívida era aquela. Ele, que cuidava das finanças dela, não conhecia essa dívida. O que foi feito dos 400 000 reais? Passado algum tempo, Crusius finalizou a compra de uma casa. Pelo que o Marcelo contava, usou os 400 000 reais nisso. A casa da governadora? É. O Marcelo falava que o pai de um dos secretários da governadora simulou ter comprado um apartamento dela na praia. Teria sido uma venda forjada para mostrar que ela tinha renda para comprar a casa. Contou também que a casa custou cerca de 1 milhão de reais, talvez mais. Mas esses 400 000 foram entregues por baixo do pano (ao vendedor). Marcelo relatou-lhe outras irregularidades? Sim. Quem pagava as passagens aéreas e hospedagem para o Marcelo e a equipe da campanha de Yeda? O caixa dois. Marcelo se hospedava no hotel Swan Molinos (em Porto Alegre). Quem pagava era uma agência de publicidade, a DCS. Arcava também com os jantares que a governadora fez antes e depois da eleição. Houve irregularidades antes da campanha eleitoral? Marcelo contou que, quando ela era deputada, todo mês entravam cerca de 10 000 reais de um sindicato (Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Sicepot). O dinheiro ia diretamente para a governadora. Quem pegava era uma mulher contratada pelo Marcelo, Walna Vilarins (atual coordenadora de ações administrativas do governo gaúcho). Por que Marcelo participou do governo Yeda, mesmo sabendo desses fatos? Houve um momento em que ele mudou. Em novembro do ano passado, chegou ao conhecimento dele que havia áudios em que ele falava sobre as doações de campanha, como funcionava o pagamento da hospedagem da equipe e a compra da casa. Marcelo ficou muito angustiado e apreensivo. Quem gravou esses áudios? Outro integrante da campanha de Yeda, Lair Ferst. Ele ajudou Marcelo a arrecadar dinheiro. Entre 2006 e 2007, eles se encontraram diversas vezes. Em novembro, Lair contou a Marcelo que tinha gravado todos esses diálogos e que ia entregá-los à Justiça. Marcelo avisou o governo Yeda? Sim. Sugeriu que fizessem um acordo com Lair. Disse que havia muitos indícios do caixa dois e que Lair tinha ido com ele pegar dinheiro em empresas que não aparecem em lugar nenhum na receita declarada de campanha. A senhora ouviu as gravações? Ouvi. São conversas em barzinhos. Em janeiro, Marcelo foi procurado pela Justiça para confirmar se a voz nas gravações era dele e se tudo aquilo que ele dizia nelas era verdade. Estava com depoimento marcado entre a semana do Carnaval e a seguinte, mas morreu antes disso... Marcelo lhe disse que iria confirmar que a voz das gravações era dele? Sim.

YEDA RESPIRA POR INSTRUMENTOS

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Podridão do governo gaúcho vem à tona e deixa governadora tucana com o pé na cova

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Desta vez, não é "coisa do PT". As revelações sobre as bandalheiras de Yeda Crusius - desde antes e durante seu governo - estão na edição desta semana da revista Veja que, como sabemos, é um dos house organs do PSDB. Sujeira tão grossa, que ficou impossível ser varrida para baixo do tapete (talvez a RBS tente um boca-a-boca em troca de uns pilas a mais na conta da "agenda positiva"...).

A reportagem completa está disponível apenas na versão impressa, mas só o tira-gosto da edição digital já é suficiente para mandar a tresloucada para a UTI. É o fim da linha para as empulhações e para o autoritarismo de Madame Zureta.

Clique aqui para conferir, enquanto preparamos a mortalha.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O REI DA VELA

A impagável sacada é do Jurandir Paulo, titular do blog Abunda Canalha, que visitamos amiúde. Gostou? Então, vá até lá conferir a "versão extended".

FOLHA ENVIA FLORES À MISSA DE TORTURADOR

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Na última quarta-feira, 6, os órfãos da ditadura, comovidos, patrocinaram Missa de Réquiem em memória do "Doutor Barreto", o carniceiro que, na vida civil, atendia por Sérgio Paranhos Fleury, delegado da polícia paulista e proficiente colaborador da OBAN - Operação Bandeirante. A solenidade ocorreu nas dependências da Igreja N. Sra. de Fátima, no bairro do Sumaré, zona oeste paulistana. Entre as coroas florais que ali abundavam, chamava a atenção um arranjo de crisântemos, gérberas e copos-de-leite com um bilhetinho manuscrito* : "Tio, você continua vivo em meu coração, e farei o que for possível para reabilitar a grandeza de sua biografia. Que saudade daqueles passeios que a gente fazia nas peruas C14 de papai...Ass: O.F.F". . *A autenticidade do documento não pode ser assegurada - bem como não pode ser descartada.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A RBS E O MUNDO ENCANTADO DO JABÁ

Conforme este Cloaca News já denunciou e provou aqui e aqui, o mais importante telejornal da RBS TV, afiliada gaúcha da Globo, é, na verdade, uma grande central de jornalismo-michê. Nesta quinta-feira, por exemplo, os telespectadores do Jornal do Almoço que pretendiam informar-se dos alarmantes casos de febre amarela no Estado, ou dos vários escândalos de corrupção e incompetência administrativa envolvendo a governadora tucana Yeda Crusius, ou mesmo das conseqüências da impiedosa estiagem que esturrica o Rio Grande do Sul tiveram que esperar quase 12 (doze!!) minutos até que o cast de jornalistas da emissora terminasse de apresentar a reluzente reportagem-boquete negociada com uma feira comercial de Soledade, município a 220 quilômetros de Porto Alegre, tradicional entreposto de pedras semipreciosas.
Quase a metade do tempo "útil" do "noticioso" prestou-se a um acintoso informe publicitário travestido de reportagem. E que momento glorioso da televisão brasileira avistar o comentarista político e porta-voz dos Barões Sirotsky desfilar pelos corredores da ExpoSol entrevistando ametistas e citrinos! Logo ele que, da última feita, não economizou panegíricos a uma mesa de salames em evento doutra freguesia. "Estamos aqui neste mundo encantado das pedras coloridas!", exultou o veterano profissional, que não se deixou ofuscar pelos perendengues de turmalinas e berilos.
Não tivemos acesso, desta vez, às cifras oficiais da negociação. Mas podemos afirmar, peremptoriamente, que a penúltima investida do "jornalismo" da RBS beliscou, limpinhos, nada menos que trezentos mil reais.
Confira aqui mais essa jóia da imprensa venal.

MEA CULPA: FRAUDAMOS

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A despeito do caráter galhofeiro exibido pelo "recibo" que postamos ontem (veja abaixo), constatamos que, mesmo assim, vários leitores o tomaram como um documento digno de fé. Alguns, mais atentos, notaram que o CPF do "recebedor" possuía "12 dígitos, quando o certo é 11", ou mesmo quem informasse que "o CPF é inválido". Na verdade, aquele número é o telefone de um jornalão paulista, famoso por estampar lixo de internet em sua primeira página. Mesmo o campo "Matrícula (CGC OU INSS)" continha outra brejeirice: trata-se do Código de Endereçamento Postal - CEP - de certo imóvel da Alameda Barão de Limeira, na capital paulista. O título da postagem, por sua vez, trazia o verbo no tempo futuro do pretérito, recurso idêntico ao de que se vale certa imprensa de coloração castanha para lançar suspeitas sobre alguém sem, no entanto, fazer uma acusação.
Curiosamente, a única verdade apresentada em nossa postagem estava no texto abaixo da imagem, por ironia, idêntico ao publicado recentemente pela gazeta serrista ao se "desculpar" por ter publicado uma ficha absolutamente falsa da Ministra Dilma Rousseff na capa de uma de suas edições dominicais. Perdão, leitores. Mentimos. Ou não.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Em Brasília, 19 horas...

EXCLUSIVO: JORNAL ESTARIA PAGANDO BÔNUS A COLUNISTAS QUE ESCULHAMBAM GOVERNO LULA

A veracidade da informação e a autenticidade do documento acima não podem ser asseguradas - bem como não podem ser descartadas.

O ESCALAFOBÉTICO PLANO DA TUCANA ESTRAMBÓTICA PARA SEPULTAR A EDUCAÇÃO (e a fuleiragem de um jornalzinho sabujo)

O tablóide gaúcho Zero Hora (aquele que recebe 80% das verbas publicitárias estaduais de mídia impressa) publica uma fenomenal reportagem em sua edição de hoje.
Diante do anúncio feito pela apombocada senhora Mariza Abreu, secretária de Educação de Yeda Crusius (aquela supostamente corrupta), de que pretende agrupar todas as disciplinas dos ensinos Fundamental e Médio do Rio Grande do Sul em apenas quatro áreas, o jornalóide da RBS apresenta o ribombante título: "O que vai mudar na sala de aula". Em seguida, transcreve o press release governamental, enfileirando as "mudanças": professores de Química, por exemplo, passarão a lecionar, também, Física e Biologia. Professores de Português deverão ir para as quadras ministrar aulas de Educação Física - e vice-versa, claro. Coisa pouca, como vemos. E, qual seria "o modelo em que a Secretaria de Educação se baseia?" - indaga a gazetinha para si própria, à guisa de jornalismo interpretativo? Por favor, não ria da resposta: "É inspirado em experiências de escolas paulistas, mineiras, portuguesas e argentinas". Na edição impressa, esse portentoso feito de reportagem ocupa cerca de 2/3 (dois terços) de página, e, como sabemos, um tablóide é um tablóide. Considerando que a leitura de tal peça não ocupará muito de seu tempo, sugerimos que você clique aqui e testemunhe o lúgubre anúncio do passamento da Educação pública gaúcha. O jornalismo, não custa salientar, desceu à cova faz tempo.
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FOTO: BOLO NEGA MALUCA

segunda-feira, 4 de maio de 2009

COMO A DITADURA SUFOCOU A IMPRENSA NANICA

Reportagem do Estadão de hoje, assinada por Wilson Tosta. .
Uma operação secreta de uso da Receita Federal para exterminar a imprensa alternativa foi desencadeada entre 1976 e 1978 pelo governo Ernesto Geisel (1974-1979), mostram documentos sigilosos da extinta Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça (DSI-MJ) obtidos pelo Estado.
Embora notabilizado pela suspensão da censura a jornais, pelo fim da tortura de presos políticos e pela distensão "lenta, segura e gradual", o general, penúltimo ditador do ciclo militar de 1964, autorizou a ofensiva contra os pequenos veículos em despachos com o então ministro da Justiça, Armando Falcão. O ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, concordou com a ação, proposta pelo II Exército - hoje Comando Militar do Sudeste, de São Paulo.
A autorização de Geisel para um ataque fiscal ao jornal Versus está documentada em ofício de 1º de setembro de 1978. Nele, o chefe de gabinete do Ministério da Justiça, Walter Costa Porto, transmite pedido da Polícia Federal para liberar a ação. A resposta vem manuscrita. "Confidencial. Conversei, no despacho de hoje, com o Exmo. Sr Presidente da República, que aprovou a medida", escreve Falcão. "Prepare-se, assim, o competente expediente ao Sr. Ministro de Estado da Fazenda. Em 11.9.1978. A. Falcão." Uma lista com Versus e outras 41 publicações que deveriam sofrer o mesmo processo da Receita, entre elas O Pasquim e Movimento, integra o dossiê.
Nos documentos, a operação secreta é tratada com naturalidade pelos ministros e por integrantes de órgãos de repressão, em correspondências oficiais de 1976 a 1978. Simonsen, por exemplo, em ofício de 1º de abril de 1977, solicita que "as indicações das empresas a serem auditadas sejam acompanhadas de todas as informações disponíveis no Ministério da Justiça e nos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Informações, bem como sejam instruídos os órgãos regionais e sub-regionais do Departamento de Polícia Federal (...)." E expõe o objetivo: "Subsidiar a aplicação de providências legais (...) no sentido de promover, se for o caso, o encerramento de atividades desse tipo de empresa".
Em outro ofício, de 26 de abril de 1978, Costa Porto encaminha informação do "senhor ministro-chefe do SNI" - João Figueiredo, posteriormente presidente da República. Ele reproduz o texto de Figueiredo: "Considerando que a imprensa nanica continua proliferando, conclui-se que a operação dos Ministérios da Fazenda e Justiça, visando a retirar de circulação esses jornais cuja viabilidade econômica é questionável, está resultando infrutífera".
O mesmo Costa Porto, em documento de 1º de setembro de 1978, mostra que Geisel acompanhou a operação contra os alternativos por muito tempo. Ele lembra a Falcão que, em 1º de agosto de 1977, o ministro da Justiça levara o assunto ao presidente, que "decidira, verbalmente, aguardar".
Humberto Barreto, ex-secretário de Imprensa do presidente, nega ter sabido dela. "Por mim, não passou", diz. O ex-senador e ex-ministro Jarbas Passarinho também diz desconhecer a articulação. "O que eu ouvia dos líderes do presidente é que ele tinha aberto a liberdade de imprensa, exceto para a imprensa nanica", explica. "Ela era muito violenta." Falcão foi procurado, por intermédio de familiares, mas não deu entrevista. Em seu livro Tudo a Declarar, não menciona o ataque fiscal, mas reconhece que centralizou a censura. Geisel morreu em 1996, e Simonsen, em 1997.
O processo "de caráter sigiloso" foi iniciado no Ministério da Justiça pelo Ofício 341/Sec/Gab, de 9 de setembro de 1976. No texto, o diretor-geral da PF, Moacyr Coelho, envia a Falcão documentação do II Exército "contendo sugestão de emprego dos órgãos fazendários, dentro da área de esfera de suas atribuições, na fiscalização de publicação de influência ou orientação esquerdista".
A Informação número 1.343/76-CB, de 23 de agosto de 1976, da 2ª Seção do Comando da Força em São Paulo, alertava que a ação policial da censura vinha criando uma série de incidentes que desgastavam o governo e serviam de "bandeira para as esquerdas mobilizarem a classe jornalística". Acrescenta, ainda, ser "mais eficaz a censura fiscal", que poderia determinar "o fechamento de tais publicações pela atividade de fiscalização".
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O jornal promete para amanhã apresentar documentos da ditadura sobre a prisão e a morte do deputado Rubens Paiva.

domingo, 3 de maio de 2009

DOMINGÃO DO CLOACÃO

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Enquanto a imprensa cabocla esfalfa-se atrás de uma peste para derrubar o Presidente Lula, desopile-se aqui
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Selecionamos mais uma singela crônica do escritor e jornalista maranhense Lago Burnett, do livro "A Língua Envergonhada", coletânea publicada em 1976, “revista e aumentada” em 1991. O texto a seguir foi publicado originalmente em 14 de abril de 1971, no finado Diário de Notícias, do Rio de Janeiro.
OS PALAVRÕES Não é pouco o que o homem sofre, desde o nascimento. Na doce algazarra do Veloso, meditávamos, um domingo, Carlos Alberto Teixeira e eu, partindo de uma observação dele sobre os muitos insultos que a gente é obrigado a levar para casa. Admira que a censura, tão zelosa na contenção dos palavrões, não tenha ainda retirado de circulação centenas de nomes feios que jamais deveriam ter saído daquele "estado de dicionário" a que se refere Drummond. Mal (ou bem) nascidos, tacham-nos de nascituros e até a morte, quando nos acondicionam em féretros, são muitas as humilhações vocabulares. Se casamos, viramos cônjuges; se permanecemos solteiros, nos chamam de celibatários. Na rede bancária é, com certeza, onde a descortesia nos atinge mais impiedade: somos tomadores, sacados, endossantes. Na Justiça ou polícia, não passamos de depoentes, manteúdos, de cujos, declarantes ou liticonsortes. Até mesmo no edifício onde moramos temos cognome: somos condôminos. Escritor que entra na Academia vira recipiendiário, enfermo é paciente, poeta é vate, menestrel bardo, aedo ou rapsodo. Quem não tem casa é inquilino ou locatário. Para aumentar a confusão, já houve quem quisesse, neste país, que motorista fosse tratado por cinesíforo, piquenique por convescote e futebol por balipodo. Meu Brasil, eu te amo! Ai, que saudade de São Luís, onde a vida decorre tão sem pressa, que as pessoas se dão ao luxo de usar polissílabos e paroxítonos! Humilha saber que, na vida, não passamos de usuários, optantes, aficcionados, litigantes, querelantes, contribuintes, emitentes, circunscritos, mutuários, segurados, beneficiários, convocados, confrades, correligionários, pensionistas, cooperativados, inadimplentes. Como sair desse preciosismo gongórico? O jeito é revidar. Como dizia aquele torcedor pouco letrado, ante a iminente derrota do seu time: "Arrecua os rafes pra evitar a catastre!" Se, alhures, alguém obtemperar, de inopino, de forma assaz peremptória, que é improfícuo o embate, a gente, de bom alvitre, se escafede e dá às de Vila Diogo, não obstante o óbvio e ingente afã de ir à liça. Dizer palavrões, afinal, não é privilégio só do Estado e das instituições, como diz Leila Diniz. Dela por exemplo, diz-se que que os emprega com muita propriedade: fá-lo com graça. E não disputa, na Praça Tiradentes, a volta do teatro picaresco. E, por falar em teatro, diante de tudo aqui exposto, teve razão de ser, algum dia, a campanha "Vamos ao Teatro"? Se, aqui fora, na rotina do dia-a-dia, estamos sujeitos a toda sorte de insultos, inclusive cardíacos, por que buscá-los nas casas especializadas do ramo? Mero signatário no momento, postulante de uma vida melhor quase sempre, sou, como toda gente, uma vítima de rótulos eventuais. Mas, ao fim de um dia de inevitáveis classificações, consola constatar, a sós, despidos de etiquetas e letreiros, que não somos requerentes, apelantes, promitentes, votantes ou recenseados. Somos gente, simplesmente. E é nessa humilde condição que reivindicamos à Comissão Internacional dos Direitos do Homem a inclusão de um item contra esse abuso discriminatório que avilta a espécie e despersonaliza o indivíduo.
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O Departamento de Dragagem do Cloaca News informa: agora, na Folha de S.Paulo, os restaurantes também voam.
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sábado, 2 de maio de 2009

ESSE CARA FOI "O MELHOR MINISTRO DA SAÚDE QUE O BRASIL JÁ TEVE"...

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Governador tucano Zé Chirico, explicando cientificamente aos brasileiros como se dá o contágio pelo vírus da influenza A (H1N1) - nova forma adotada para chamar a gripe suína:
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"Ela é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram. Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho algum".
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Contamine-se aqui.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A SEGUIR, NO PORTAL DA GLOBO: APRENDA A PICAR ALHO


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A imagem acima foi capturada na tarde de ontem, quarta-feira, pelo nosso Departamento de Dragagem. É a tela inicial do portal jornalístico G1, das Organizações Globo, o mesmo que omitiu de seus leitores a espetacular ficha criminal do "empresário do ramo de tecnologia" que pretende chamar às falas o Ministro Joaquim Barbosa, do STF.
Se achar melhor, clique sobre a figura para ampliá-la e constatar que, diferentemente da "ficha da Dilma" que a Folha publicou, não há qualquer mutreta de Photoshop, exceto pela seta vermelha que adicionamos. Leia e releia, de preferência em voz alta, o título sotoposto à foto do popular sambista. Que poesia, heim!!! Desde que o correspondente do Estadão na Argentina, Ariel Palácios, referiu-se a Buenos Aires como a nova "Meca gay" (confira aqui), não lamentávamos tanto o pauperismo dos textos de nossa imprensa corporativa. Além de mal-intencionados, como já demonstramos, são também analfabetos funcionais. Você acredita neles?
É fé demais, concorda?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

CAPANGA INTERPELA CLOACA NEWS

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A caixa postal do Cloaca News acaba de receber mensagem de e-mail supostamente enviada pelo grande patriota e - segundo o portal da Globo - "empresário de tecnologia" Luiz Eduardo Auricchio Bottura, o mesmo que entrou com uma representação no Conselho Nacional de Justiça contra o Ministro Joaquim Barbosa, do STF (veja postagem anterior). O texto, intitulado "Voce [sic] está errado", começa assim: "Todas as acusações contra mim e inclusive minha prisão, foram após denuncias contra Desembargadores do TJMS ao CNJ. Fui preso por um juiz substituto, e quando o titular voltou, me soltou e extinguiu a ação. Eu não brigo com os poderosos somente através de blogues, mas os represento. Entre no meu blogue e veja como sou um dos seus." Em seguida, nos indica este endereço. Como você mesmo constatará ao examinar o "perfil do usuário", o suposto pilantra possui cinco blogs diferentes, mas com teores semelhantes. Diante de tão vasta "bibliografia" disponível a respeito de tão virtuoso cidadão, ficamos aqui a imaginar por quais motivos o portal de notícias das Organizações Globo - incluído aí o barrigueiro tocador de jazz - omitiu de sua notícia os detalhes mais emocionantes da biografia deste diligente brasileiro.

terça-feira, 28 de abril de 2009

GLOBO OMITE FICHA DE VIGARISTA EM NOTÍCIA CONTRA JOAQUIM BARBOSA

Para o portal G1, ele é um "empresário do ramo de tecnologia". Na verdade, trata-se de um dos maiores estelionatários do país .
Neste exato momento, esta é uma das manchetes de capa do portal das Organizações Globo:
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"BATE-BOCA NO STF - Empresário pede ao CNJ punição a Joaquim Barbosa"
. Ao clicar aqui, você lerá que "um empresário paulista protocolou nesta terça-feira (28), no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), uma representação contra o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo foi a discussão travada na última quarta (22) entre Barbosa e o presidente da Corte, Gilmar Mendes". A "notícia" dá o nome completo desse grande brasileiro: Luiz Eduardo Auricchio Bottura. Diz o texto : "Nos últimos meses, Eduardo Bottura ganhou destaque por entrar com dezenas de representações contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ele acusa alguns magistrados do estado de tomaram decisões conforme o grau de relação com os advogados envolvidos nas causas. “Eu sou um patriota. Se vejo algo errado, em especial, que me ofende, pratico democracia”, explicou." O que o brilhante jornalismo do maior grupo de comunicação do país não quis informar é que esse exemplar cidadão possui mais de 900 processos judiciais tramitando contra ele, por crimes como estelionato, contra a honra, extorsão, uso de documento falso, coação, denúncia caluniosa e falsidade ideológica. Quis, porém, o destino que este Cloaca News encontrasse tal informação no insuspeito portal da TV Morena, membro da Rede Matogrossense de Televisão (RMT), uma das afiliadas da Rede Globo. Clique aqui para ler. Em respeito aos nossos leitores, vamos nos abster de comentar essa maravilha. Mas, você pode meter bronca à vontade.
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ATUALIZAÇÃO - Quinta-feira, 10h - A TV Morena, em gesto de solidariedade a Gilmar Mendes, retirou do ar a página do link acima. Não que vá fazer alguma diferença - afinal, a mesma notícia saiu em outros lugares -, mas, só de birra, aqui está ela novamente.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

PÉ CHATO TERIA LIVRADO SERRA DO SERVIÇO MILITAR

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Logo após deixar, secretamente, a clínica do Dr. Scholl, onde cuida de uma renitente unha encravada - adquirida pelo hábito de usar "bico fino" - o governador tucano Zé Chirico confidenciou ao seu braço direito, o Secretário e ex-assaltante Mateus, que seu sonho de adolescente era fazer carreira na caserna. Seus planos, no entanto, foram para o beleléu em 1960, no dia de sua apresentação ao quartel do Parque Dom Pedro, em São Paulo, próximo da casa em que vivia, no bairro da Mooca, ô meu. Ao passar os recrutas em revista, o Dr. Shibata, responsável pelo "exame médico", teria constatado que aquele rapaz portador de olheiras era também possuidor de pés "planovalgos flexíveis", dispensando-o da incorporação por "insuficiência física permanente para o serviço militar, podendo exercer atividades civis". Naquela ocasião, ao carimbar o verso do documento de alistamento do jovem José, o médico teria ainda o aconselhado a cuidar das frieiras. Ao perceber a proximidade de nossa reportagem e ver que seu segredo chegara aos nossos ouvidos, o tucano deu no pé, marchando com alguma dificuldade.

NÃO TEMOS GRIPE SUÍNA. EM COMPENSAÇÃO...

GILMAR DOS CAPANGAS FAZ NOVELA DE RÁDIO EM CAUSA PRÓPRIA

Dramalhão pode, finalmente, esclarecer o mistério: cadê o áudio, Odete Roitman???
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Cumprindo sua inarredável missão de "tratar temas jurídicos em profundidade" e "evitar que assuntos complexos sejam abordados superficialmente", a pujante Rádio Justiça - emissora pública administrada pelo STF - levará ao ar, a partir desta segunda-feira, o folhetim "Não escuta, que eu grampo", criação do repórter-dramaturgo Guilherme Macedo. O enredo promete fortes emoções. Mulher contrata o detetive Virgulino para investigar suposta traição de marido com uma sirigaita do high society. Ao instalar escutas telefônicas clandestinas na casa da socialite, o sherlock-lampião descobre algo muito mais grave do que uma pulada de cerca. Com direção de Viviane Yanagui, sonoplastia de Marcus Tavares e as vozes de Odete Rocha, William Galvão e Juliana Batista, "Não escuta, que eu grampo" será veiculada em nove horários, de segunda a sexta-feira: às 5h50, 10h50, 13h50, 14h50, 17h50, 20h50, 23h50, 1h50 e 3h50. Sábado e domingo, às 20h, a rádio apresenta o compacto com a história completa. A Rádio Justiça é sintonizada em 104,7 MHz, em Brasília, via satélite ou aqui, pelo website da emissora.

domingo, 26 de abril de 2009

CLOACA DOMINICAL

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Enquanto os golpistas se descabelam atrás de factóides e intrigas, hoje resolvemos dar uma refrescada por aqui
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Na madrugada de sexta-feira para sábado, ao percorrermos o circuito de nossos blogs favoritos, topamos com uma postagem originalíssima de Idelber Avelar, n’ O Biscoito Fino e a Massa. O blogueiro publicou, como já fizera em outra oportunidade, foto de uma das estantes de sua biblioteca. No caso, a imagem mostrava o “departamento” reservado a livros de e sobre o ensaísta alemão Walter Benjamin. No texto, Idelber fazia considerações sobre as obras de sua coleção, abrindo entre os comentaristas uma interessante troca de opiniões.
Este cloaqueiro, pouco familiarizado com o luminar da Escola de Frankfurt, não se atreveu a entrar na conversa, mas pediu ao titular d’O Biscoito permissão para surrupiar a idéia de fotografar as estantes. Com a aquiescência de Avelar, corremos até nossas atulhadas prateleiras para escolher o segmento a ser clicado. Aconteceu que, ao voltarmos nossa atenção para os livros enfileirados e sobrepostos, em meio a boizinhos de Mestre Vitalino, suvenires de viagens e isqueiros sem gás, encontramos velhos companheiros de cabeceira doutras épocas. Espana aqui, sacode ali, recuperamos da poeira os escritos de um grande mestre. Trata-se do livro “A Língua Envergonhada”, do escritor e jornalista maranhense Lago Burnett. Publicado originalmente em 1976, foi “revisto e aumentado” em 1991. Quando relíamos a nota do autor, explicando as alterações que fizera para aquela edição, surpresa! Os últimos parágrafos faziam referência a…quem?, quem??? Walter Benjamin.
Eis as últimas linhas da introdução de Burnett: O próprio Walter Benjamin entendia que se distinguia dos alemães de sua geração – ainda segundo a comentarista – “justamente pelo respeito à única e pequena regra de só utilizar o eu em cartas…”
. Assim sendo, este Cloaca News resolveu brindar seus leitores deste domingo com um finíssimo biscoito, extraído da coletânea de Lago Burnett. A crônica abaixo foi estampada pela primeira vez nas páginas do finado jornal Última Hora, em 6 de novembro de 1973. . UM MODELO DE SIMPLICIDADE Eu não entendia nada de heurística, mas entrei para o grupo porque tinha um amigo numismata, que gostava muito de cibernética, cultivava a filatelia e deleitava-se discutindo informática. Não era, a rigor, um halterofilista, mas não chegava a ser também um beletrista: tinha bíceps convincentes e distúrbios contumazes, mas não prescindia de tíbia e perônio quando se deixava entibiar pelos arroubos peronistas. Era um asceta, altruísta e megalômano, porém sem vísceras atrabiliárias. Uns o viam como bíbliófilo vulgar, apegado a alfarrábios e pergaminhos, sem nenhum erudição, entretanto. Outros o tinham na conta de mentecapto ou misantropo. Eu o via apenas como amigo. No grupo de hipocondríacos que se reuniam no aerópago diuturnamente, na tentativa de escafeder-se da prosaica convivência humana, adejava a trêfega figura taful do meu álacre amigo. No recenseamento ele era sempre classificado na categoria dos caprinos por causa da hirsuta pêra com que escondia uma dermatite perniciosa no mento. Fisicamente, de fato, assemelhava-se a um fauno, a quem o tênis não disfarçava os pés de bode, calosos pelo exercício insólito de palmilhar íngremes bosques no encalço de ninfas, além de nereidas no mar. Não apanhava nada, nem moeda de Cr$ 0,10 pelo chão. Mas a vitaliciedade da pertinácia e uma hepática ojeriza intelectual à castidade tornavam-no um aborígene assaz supino, capaz de prodigalizar, com a narrativa árida mas cálida, gozos eróticos que chegavam ao limiar do orgasmo na imaginação da patuléia crédula do cenáculo, afeita a espasmos oníricos. Comprazia-se em obtemperar o argumento dos escribas prosaicos, ao declamar este singelo soneto*: . Tu és o quelso do pental ganírio, saltando as rimpas do fermim calério carpindo as taipas do furor salírio nos rúbios calos do pijom sidério. És o bartólio do bocal empírio que ruge e passa no festim sitério, em ticoteios do pártamo estírio rompendo as gambas do hortomogenério. Teus lindos olhos que têm barcalantes são cameçúrias que carquejam lantes, nas cavas chusmas de nival oblôneo. São carmentórios de um carcê metálio, nas duas pélias por que pulsa Obálio, em vertimbráceas do pental Perôneo. . Não o compreendiam os vis, os filisteus, déspotas, sobas e anacoretas, assim como os vândalos, crápulas ou capadócios, que exauriam a ciência do mestre a ponto de deixá-lo exangue, em decúbito dorsal, após a catarse metódica em que se autoflagelava. Grande amigo de adágios obtusos, ostentava melenas artesanais, com a displicência de um energúmeno, acolitado por miríades de aedos, que exceliam em orgulhosa subserviência, na pífia astúcia de uma estulta esbórnia, em geral pérfida. Era o corolário de toda uma pletora de plêiades bastardas, a onomatopéia polifônica da mais salutar escatologia, o epicédio de viscoso enigma na contextura universal de Zeus. Na insônia do dadaísmo, entoavam-se salmos para canonizar o ídolo astênico. Que grande vulto era esse herói edêmico, êmulo dos catoplebas, rival de eunucos! Privar de sua intimidade, no relicário de suas remembranças, entre cambiantes ideiais esdrúxulos, dava-me a mim, mísero mortal, a emoção sensorial da glória, que se abiscoita pela convivência. Mas meu amigo era inassimilável e resistia, incólume e impávido, na carcaça inexpugnável de uma ostensiva simplicidade, que tangia as bordas da contracultura restaqüera e malsã. Pascácio, pábulo e pacóvio, o sábio costumava preencher os desvãos da lacuna estomacal com doses homeopáticas de uma dieta neurovegetativa. E, nessas raras oportunidades em que se permitia fazer concessões à fome, acolitado pelos sevandijas, sorvia em haustos lentos a quintessência da mediocridade para em seguida sestear na fossa. P.S. – Desculpem os leitores a tônica deste bestialógico, mas é que não tive tempo de ser simples como o meu modelo, como diria Vieira.
. * Deste soneto, “A uma Santa”, de impressionante harmonia, construído intencionalmente na base de fonemas sem nexo, sabe-se apenas que o autor se chama Luís Lisboa e é maranhense.

sábado, 25 de abril de 2009

FOLHA DÁ AULA DE CANALHICE (MAIS UMA)

A notícia publicada na Folha Online, às 15:57h deste sábado, assinada por um certo Márcio Falcão, tem cara de inocente. Sob o título "Berzoini diz que PT não vai alterar planos de campanha de Dilma para 2010", no entanto, abriga-se uma torpeza típica daquele diário. Está logo no primeiro parágrafo, que reproduzimos a seguir. O grifo é nosso. "A direção do PT não pretende diminuir o ritmo da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão presidencial de 2010. O anúncio de que a ministra terá que fazer quimioterapia contra um linfoma --um câncer nos gânglios linfáticos-- por pelo menos quatro meses foi recebido com otimismo por dirigentes do partido". Para ler o resto disso aí, clique aqui.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

APOIAMOS BARBOSA. E ASSINAMOS EMBAIXO

Se você concorda com o ministro Joaquim Barbosa e acha que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, está "destruindo a credibilidade do Judiciário" e que ele deveria "sair às ruas" para julgar de acordo com as necessidades do povo brasileiro, e não em favor das elites, clique aqui e assine este manifesto de apoio. Até o momento em que preparávamos esta postagem, já havia 1542 signatários.

EU QUERO TER UM MILHÃO DE AMIGOS

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Deputado mato-grossense diz que "Gilmar não tem capangas"
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Em comovente e inflamado discurso, ontem, no plenário da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, o deputado José Riva (PP), presidente "vitalício" daquela Casa, quase levou os presentes a um pranto coletivo. Do púlpito, bradou: "O ministro Gilmar Mendes não tem em Mato Grosso capangas. Ele tem uma legião de admiradores pelo seu trabalho no mundo jurídico, especialmente como advogado geral da União; como diamantinense é um homem que construiu muito à custa do seu trabalho e pelo cargo que galgou no Supremo Tribunal Federal". E disse mais o nobre deputado, como se verá clicando aqui, no que foi aparteado pelos seus pares João Malheiros (PR) e José Domingos Fraga (PR), que apoiaram a posição de Riva e "condenaram" o ministro Joaquim Barbosa. Para quem são sabe, José Geraldo Riva tem poucos "admiradores" no Ministério Público Eleitoral de seu Estado, visto que, entre outras coisas, é investigado judicialmente por abuso de poder econômico e compra de votos no município de Santo Antônio de Leverger (leia aqui). Já no circuito forense de Cuiabá, desdobramentos da Operação Arca de Noé demonstram uma amizade antiga de Rivas com ninguém menos que o "Comendador Arcanjo". Documentos apreendidos na Confiança Factoring, de propriedade de João Arcanjo Ribeiro, apontam para "uma inusitada movimentação financeira de um grande volume de cheques sacados contra a conta corrente da Assembléia Legislativa". A notícia está aqui, fresquinha, publicada no Correio do Noroeste.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

CAPANGAS PROTESTAM NO MATO GROSSO

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Após tensa reunião, terminada com menos da metade do quórum inicial por causa da eliminação de vários participantes, o Sindicato dos Pistoleiros e Assemelhados de Diamantino emitiu nota oficial acerca dos recentes acontecimentos envolvendo sua laboriosa categoria.
Diz o documento: "Nós, cabras, cabras-de-peia, cacundeiros, curimbabas, espoletas, guarda-costas, jagunços, mumbavas, peitos-largos, pistoleiros, quatro-paus, satélites e sombras deste rincão do Brasil Central, reafirmamos a confiança e o respeito (sic) ao Senhor Nosso Chefe, lamentando o episódio ocorrido na data de ontem".

quarta-feira, 22 de abril de 2009

SUPREMA CORRIOLA SOLTA NOTA DE APOIO AO LÍDER DO BANDO

Logo após a histórica sessão desta quarta-feira, em que o Ministro Joaquim Barbosa lavou a alma do povo brasileiro (veja postagem anterior), os membros do Supremo Tribunal Federal - exceto o próprio Joaquim e Ellen Gracie, ausente - reuniram-se para desagravar o atual presidente daquela Corte e declarar eterno amor e subserviência. Leia aqui. De quebra, usando suas prerrogativas - e sem maiores explicações - Gilmar Mendes, de cabeça inchada, resolveu cancelar a sessão plenária desta quinta, 23.

PUGILATO NA EGRÉGIA CASA

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MAIORIA DA CÂMARA FARREOU NOS ARES DO MUNDO

De janeiro de 2007 a outubro de 2008, 261 deputados federais – 51% do total de 513 parlamentares – utilizaram sua cota de passagens aéreas viajar ao exterior, vários deles em companhia de cônjuges ou familiares. A revelação foi feita há pouco pelo site Congresso em Foco. Para ler a lista completa dos viajantes, e respectivos destinos, clique aqui.

LULA MOLHA A MÃO DE REVISTA GRINGA

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Enquanto o DJ e barrigueiro da Globo vira a madrugada caçando assunto nos jornais dos outros tentando esculhambar o governo do Presidente Lula (clique aqui para ver), a edição petista da revista Newsweek traz aos leitores das Américas um artigo 100% chapa-branca, em que trata o Brasil como "gigante regional único", entre outras babações. Do you can't believe it? So, push here. Seu inglês está pior que o nosso? Então, espere sentado até que Folha, Globo, Estadão, Zero Hora e quejandos "repercutam" a reportagem dos ianques vendidos. Ou clique aqui e veja o resumo da BBC Brasil sobre o assunto.

terça-feira, 21 de abril de 2009

IMIGRANTE SOBREVIVE A NAUFRÁGIO EM BÓIA DE POLENTA, AGARRADO AO RABO DE UMA MULA

No último fim de semana, Edgar Maróstica, morador na cidade de Serafina Correa, na Serra Gaúcha, relatou ao mundo a extraordinária saga de seu avô italiano, por ocasião da chegada deste ao Brasil, em 1875.
É verdade que a narrativa de Edgar não chega aos pés, por exemplo, do caso contado pela revista Veja, sobre os dólares enviados por Cuba ao PT em caixas de whisky, em um teco-teco. A história de Maróstica, igualmente, não seria páreo para o caso do "boimate", da mesma semanal de ficção. Ou para o conto dos grampos de Gilmar. Mas, para Edgar, felizmente, os imaginativos jornalistas da Editora Abril não apareceram para contar um lorota nova, e ele voltou para casa pilotando um Celta zerinho, zerinho. Edgar Maróstica foi o grande vencedor do XV Festival da Mentira de Nova Bréscia.
Se você for capaz de entender o macarrônico italiano do divertido patranheiro, veja o vídeo aqui. Se preferir, a transcrição traduzida - também macarronicamente - da epopéia está aqui.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

CANSADAS GANHAM PRÊMIO NA BAHIA

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Não se sabe se João Dória Jr., famoso promotor de desfiles de quadrúpedes, levou para Comandatuba seu esquadrão de "empregados" para limpar as solas dos pés dos convidados ao Fórum Empresarial, ocorrido neste fim de semana. Certo é que, ao final desse concorrido evento de "líderes", até mesmo a Viúva Porcina garantiu seu trofeuzinho como "Personalidade da Cultura", por sua importante contribuição às Artes. Outra laureada no festim, como "Personalidade Empresarial Feminina", foi Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza, aquela mesma que obrigou seus funcionários a fazer figuração na "passeata" do Cansei, em São Paulo, sob pena de demissão sumária. Até mesmo o capo da RBS, Nelson Sirotsky, levou seu bibelô. E, adivinhe quem foi a Yeda Crusius escalada para entregar o caneco ao dito cujo? Por falar em tucanos, somos obrigados a noticiar, pesaroros, este funéreo momento do regabofe.

domingo, 19 de abril de 2009

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE FRANKLIN MARTINS

Enquanto os golpistinhas de plantão queimam a mufa atrás de factóides, este Cloaca News traz até você o imperdível depoimento que o capixaba Franklin de Souza Martins deu ao Projeto Memória do Movimento Estudantil sobre sua participação na luta contra a ditadura. A entrevista é longa, mas você nem vai perceber que meia hora passou voando. Clique aqui para ler.
Depois, se tiver curiosidade e paciência, clique aqui e leia o que disse José Serra ao mesmo projeto.
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Atualizado às 13:30h - O Google Docs, onde abrigamos o texto integral do depoimento, está com problemas. Para ler a entrevista de Franklin Martins, abra o arquivo PDF que você encontrará clicando aqui.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

TORTURADOR

Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra
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Antes que a Folha de S.Paulo resolva reescrever a História à sua maneira, convém relembrar que, entre setembro de 1970 e janeiro de 1974, Ustra comandou o DOI-CODI de São Paulo, central de torturas precedida pela OBAN - Operação Bandeirante, que utilizava em sua logística veículos gentilmente cedidos pela famiglia Frias. Para rememorar o episódio da condenação judicial do facínora, ocorrida há poucos meses, clique aqui.

QUEM VENCEU O DEBATE

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Evento realizado em Porto Alegre na noite de ontem, por iniciativa do blog Jornalismo B, reuniu cerca de 60 pessoas na livraria-café Letras & Cia. O mote “Bloguismo e jornalismo: um novo caminho ou mais do mesmo?” foi explanado por Marco Aurélio Weissheimer (do RS Urgente), Adriano Santos (da equipe do Cel3uma) e Roger Lerina (Segundo Caderno de Zero Hora).
Você poderá ler a narração "ao vivo" do certame clicando aqui. E poderá ver algumas imagens da reunião aqui. Não houve derramamento de sangue. Pelo contrário, a discussão desenvolveu-se em elevado clima de civilidade, sem altercações. Primeiro a chegar e um dos últimos a sair, este cloaqueiro manteve a incógnita acerca de sua identidade civil e teve o privilégio de testemunhar o início de uma bem-vinda aglutinação da blogosfera independente em defesa da qualidade da informação. A verdadeira campeã da noite, pois, foi a cidadania.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A DIFERENÇA ENTRE ZERO HORA E UMA LATA DE TITICA

Não faz muito tempo, um filme publicitário do tablóide Zero Hora que anunciava a edição do dia seguinte terminava com o logotipo do jornalzinho cercado por uma pequena nuvem de insetos. Eram moscas. Hoje, o comercial é outro. Tiraram as varejeiras de cena. Mas, a gazetinha da RBS não mudou nada. Tomemos como exemplo a edição deste dia 16 de abril. Na página 8, de "Política", encontramos escondida uma sensacional "reportagem" sobre o milionário escândalo trazido à tona pela Polícia Federal, e que insiste em bater à porta da governadora tucana Yeda Crusius. Poderíamos escrever "clique aqui" e remeter você que nos lê diretamente à cena do crime. Ocorre que o texto da "matéria" é tão esclarecedor e tão rico que resolvemos copiá-lo na íntegra.
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GOVERNO DO ESTADO
Silêncio sobre Solidária
O Palácio Piratini evitou se manifestar ontem sobre o indiciamento da empresária Neide Bernardes em quatro inquéritos da Operação Solidária e a convicção de agentes federais de que ela e outros investigados teriam Walna Vilarins Meneses, assessora da governadora Yeda Crusius, como “elemento de ligação” com o governo.
Zero Hora deixou recados na caixa postal do assessor de imprensa do Piratini, Joabel Pereira, mas não obteve retorno. Também pediu contato com o secretário da Transparência, Carlos Otaviano Brenner de Moraes, mas não houve resposta. Durante todo o dia o telefone de Walna foi atendido por uma funcionária do Piratini, que sustentou que ela estava em reunião.
O líder da bancada do PSDB na Assembleia, Adilson Troca, disse que o Piratini não deve se envolver no caso:
– Não temos conhecimento de que Walna esteja sendo investigada. Essa senhora chamada Neide é a investigada, e foi pego um contato dela com Walna. Walna faz parte do governo e cabe a ela buscar essas informações. O governo não deve se envolver nisso.
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Viu só, que maravilha o poder de síntese dos editores? E o que dizer do último parágrafo, com a fala do deputado tucano? Você entendeu? Então, vamos explicar: Walna Vilarins Meneses é o braço direito de Yeda Crusius, e é apontada pela Polícia Federal como elo do governo com a corrupção. Nas palavras do Sr. Troca, "Walna faz parte do governo", mas "o governo não deve se envolver nisso". E acabou a reportagem. Sem assinatura. Sequer um pedido de desculpas pelo mau cheiro exalado. Ah, sim, a diferença entre o tablóide da RBS e uma lata cheia de troçulhos? Está na cara. É a lata.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O JORNALISMO-BOQUETE DO CARCAMANO

Não contente com a missão que lhe foi confiada - de avacalhar o Governo Lula -, o biógrafo oficial da ditadura e ex-assistente do lendário fofoqueiro Ibrahim Sued deu agora para outras práticas despundonorosas. Os jornalões que o acoitam estão aí, para quem quiser ver.

CIDADE GAÚCHA PROMOVE FESTIVAL DA MENTIRA (não, não é o Encontro dos Jornalões)

Na próxima sexta-feira, 17, terá início o Festival da Mentira, em Nova Bréscia, pequeno município do interior gaúcho, a 160 km de Porto Alegre. O evento, em sua 15ª edição, promete "um carro zero" para o mais convincente contador de lorota e "uma moto" para o vice. Representantes da mídia corporativa lamentaram que alguns de seus principais colaboradores tivessem suas incrições recusadas. A alegação dos organizadores do certame para a negativa foi a de que "seria uma covardia", e que não teria graça, afinal, trata-se de uma competição apenas para amadores. Para certificar-se de que Nova Bréscia existe,sim, clique aqui. E, se quiser concorrer ao carango, ligue para este número: 0_ _51- 3757-1122.